Emilson Garcia

Graduação em Jornalismo (UEPB) com extensão em Jornalismo (PUC-Peru) Especialista em Gestão Pública/IFPB. Mestre em Ciência da Informação-UFPB. Coordenador do curso de Comunicação Social da Uninassau João Pessoa e Professor universitário.


O romantismo revolucionário do Maio de 68 e a revolução existencial despertada: Parte II

Os sonhos estudantis franceses proliferaram-se na Europa e cruzou o Atlântico. Na Alemanha, rebeliões foram fomentadas por universitários de extrema esquerda. Nos Estados Unidos, em meio à Guerra do Vietnã, grupos deEdgard Morin pessoas reuniam-se publicamente com o objetivo de questionar a participação no conflito e externar seus novos estilos de vida, embasadas na contestação social e um espírito libertário, reflexos da contracultura e da geração beat, formada por escritores e poetas.

Tais questões tiveram como desdobramentos, o festival de Woodstock (Faça amor, não faça guerra) e a explosão de movimentos a favor do direito das mulheres, dos negros e homossexuais. São Francisco, Califórnia, foi palco das maiores passeatas. Tais intervenções tiveram um maior engajamento após o assassinato do pacifista Martin Luther King, que havia inspirado os norte-americanos a se unirem contra o racismo. Como já fora discutido, 1968 é emblemático.

Para , foi o “êxtase da história”. Primavera de Praga, eleição de Nixon e uma Ditadura brasileira ainda mais opressora. Assim como o exemplo das manifestações de junho de 2013 no Brasil, corrobora com as noções de valorização de minorias, negação da política partidária e a liberdade de expressão, outras tantas iniciativas no século XXI, acarretaram na eclosão de regimes despóticos e suscitaram mudanças importantes.

A primavera Árabe, principalmente na Turquia, Egito e Líbia, que marcadas pelas redes sociais (mais um sintoma pós-moderno), lutaram por direitos, como o voto feminino e o direito à informação. O movimento #yosoy132, ocorrido no México nas eleições presidenciais de 2012,é mais uma face do poder de arregimentação da internet que teve sua gênese nas universidades. As revoltas estudantis no Chile em 2012, por uma educação superior gratuita e os conflitos do Ocupe Wall Street, que lutava contra as consequências econômicas da crise financeira e a impunidade dos bancos, são também exemplos de como o desencantamento com as macroestruturais podem levar a um levante popular.

Se é bem verdade que Daniel Cohn Bendit e seus iguais (já que não existia hierarquia entre os sonháticos de 68) lutavam em um contexto em que a economia não era fator preponderante para uma causa coletiva, também é notório que a dinâmica contemporânea e marcada por profundas microrrevoluções em seu interior, em que a busca pela legitimação de pequenos grupos, instigam a tantos outros a saírem do silêncio habitual e expor bandeiras e ideologias. A universidade (de 68) rima com a diversidade (do século XXI), e na reflexão de Lefort, encontra sua máxima consistência na seguinte ideia “a revolução mobiliza sempre aqueles que vêem arruinadas suas esperanças” .

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