Adriana Crisanto

Jornalista profissional (DRT/PB n. 1455/02-99). Especialista em Jornalismo Cultural, mestre em Serviço Social (C.Política) pela Universidade de Salamanca e Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com atuação na imprensa local.


O punk maluco do Daft Punk

No intuito de acalmar os ânimos desses dias tão difíceis em minha vida, busquei na música um pouco de conforto. Me inscrevi nas plataformas digitais, na tentativa de me adaptar aos meios eletrônicos e compreender essa nova linguagem que já está bem avançada para meu estilo de vida. Bastou uma passada rápida nas plataformas para verificar que as músicas da dupla francesa Daft Punk (punk maluco), sucesso em outras décadas, era o mais tocado nos streamings (nas transmissões) dos meios digitais de música.

Geralmente essa explosão de reprodução musical no rádio, no passado, só acontecia quando um artista (banda, músico, instrumentista, etc) morria de forma súbita. Mas, ao que me parece o simples fato de encerrar um grupo, dupla ou banda hoje em dia faz com que o consumo aumente e as reproduções idem. Para quem não se lembra ou desconhece, o Daft Punk não é qualquer dupla musical, os caras foram os grandes responsáveis pela transformação da música eletrônica no mundo. Eles, Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo, se conheceram em Paris (França), no início da década de 1980, na escola secundária. Depois trabalharam juntos na música, na banda de rock Darlin. Na década de 1990 lançaram sua primeira música que não foi muito bem entendida pela crítica e logo receberam o rótulo “punk thrash dumb” (“punk trash de burro”). Daí já nasceu o motivo para o novo nome da dupla, o The Curse (A maldição) que fez com que eles migrassem definitivamente para música eletrônica.

Por muitos anos se mantiveram anônimos vestidos com roupa de couro e capacete de motos num estilo espacial, algo bem surrealista e futurista para aquela época. Mas, foi o som do DP que moldou toda a música eletrônica da década de 1990. A batida musical que produziam e a estética de suas roupas, estilo, dos raios de luz colorida no palco direcionado para suas pick-ups fizeram com que a dupla Daft Punk se tornasse os grandes influenciadores da música eletrônica.

Dados da Alfa Data, mostra que no dia que anunciaram o fim da dupla as músicas passaram um pouco mais de 850.00 para 5 milhões reproduções. Em 28 anos, Daft Punk acumulou sucesso. No entanto, desde de 2013 estavam fora da lista de grandes nomes da música eletrônica. Os álbuns digitais mais escutados foram “Discovery” e “Random Access Memories”, são mais de um milhão de visualizações. Isso também impactou nas vendas, 2.800 faixas digitais foram vendidas na segunda-feira.

Na década de 1990 as raves (festas de música eletrônica) que pipocavam no Brasil já faziam sucesso no verão europeu. Do DF me lembro do álbum de 2014 “Memórias de acesso aleatório” que ficou no ranking de melhor álbum de música eletrônica. Aqui no Brasil, eles vieram para dois shows. Um deles no saudoso Tim Festival, em 2006, quando trouxeram a famosa pirâmide, num show montado na Marina da Glória, no aterro do Flamengo no Rio de Janeiro, onde tive o privilégio de assistir para cobrir o show pelo caderno de cultura Show do Jornal O Norte. Quem quiser relembrar o DF pode assistir a vídeos bem caseiros no Youtube e tirar a prova dos nove ou ainda visitar a pousada do pai do Thomas Bangalter, em Caraíva, na Bahia, e quem sabe dar de cara com dois robôs bebendo drinks em cadeiras de praia.

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