Célia Chaves

Jornalista, graduanda de Psicologia, no Uniesp.


O pessimismo e a infelicidade

O jornalista e escritor Fernando Sabino, conhecido por suas crônicas bem-humoradas, nos ensinou que “o otimista erra tanto quanto o pessimista, mas não sofre por antecipação”. Tal conclusão deveria ser o suficiente para que bebêssemos, diariamente, na fonte dos pensamentos e ações positivas. Mas, feliz ou infelizmente, torna-se quase impossível, por não se tratar de tarefa tão fácil. Em tempos bicudos, quem nunca ouviu falar que o “mar pode não estar para peixes”.

​Estudos científicos irrefutáveis mostram benefícios desfrutados tão somente por pessoas generosas na arte de ser otimista. Sim, sistemas imunológicos funcionam melhor; tratamentos respondem mais rapidamente; há ganhos nas relações sociais, profissionais, familiares; se adoece menos e, principalmente, alcança-se maior longevidade.

​A neurociência também tem comprovado como vive-se mais e melhor, à medida em que se adotam visões e comportamentos menos pessimistas. Nada daquele otimismo irracional, potencialmente tão perigoso e paralisante quanto o pessimismo desmedido. Mas, sim, a capacidade de positivar ações ante as intempéries cotidianas.

​De zero a dez, a vida pode até beirar o negativo, em razão do arsenal de adversidades tão comuns na atualidade. O que fazer, a partir de tal constatação, constitui o epicentro desse quebra-cabeça. Pensamentos ditos negativos ou não tão alentadores, a exemplo da constatação de que um sonho sucumbiu, o empreendimento não deu certo ou aquele relacionamento quase perfeito também naufragou, podem gerar ações extremamente positivas. Ou não… Simplesmente migrar para um pessimismo bastante prejudicial.

​São linhas tênues que permeiam atitudes e padrões comportamentais também estudados por meio da Psicologia Positiva, uma ciência que nada tem a ver com literatura de autoajuda. Esse campo científico pesquisa a felicidade, o bem-estar, resiliência, forças, sentimentos e traços positivos.

Longe da ideia de ativar a função Poliana (personagem da literatura juvenil, imortalizada por sempre vislumbrar o lado bom das situações ruins), quando o mais indicado seria enfrentar a realidade nua e crua, sem subterfúgios, da forma mais assertiva possível. Tampouco trata-se de uma certa ditadura da felicidade, que infesta as redes sociais, com suas fotografias e selfies cada vez mais distorcidos e incongruentes à vida real.

​É inegável que sentimentos otimistas e pessimistas perpassam toda a existência humana, com caminhos que podem agir contrário ou favoravelmente, nas duas situações. São recortes de vidas e momentos onde, paradoxalmente, até os pensamentos negativos poderão ser revertidos em ações positivas e histórias promissoras, segundo a Psicologia Positiva.

Portanto, na esmagadora maioria das situações, o otimismo caminha para ser mil vezes melhor. Só ele será capaz de sacudir a poeira e promover verdadeiras reviravoltas, lançando feixes de esperança em vidas que não mais faziam seus sonhos brilharem, como diz o poeta.

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