Cláudia Carvalho

Cláudia Carvalho é editora e diretora do ParlamentoPB, jornalista e radialista, mestre em Jornalismo Profissional pela UFPB e está Diretora de Comunicação da Câmara Municipal de João Pessoa


O cerco se fecha para Ricardo Coutinho

Desde que a Operação Calvário começou a revirar as entranhas da gestão do PSB no governo da Paraíba, imagina-se que o ex-governador Ricardo Coutinho poderia passar por uma via crucis parecida com a que viveu com a Operação Lava Jato. Prisão e inelebilidade estariam no roteiro. Ricardo chegou a estar atrás das grades em dezembro passado quando foi deflagrada a Calvário VII – Juízo Final. Ser tornado inelegível? É aí que entra um novo personagem na estorinha: Og.

Para ser libertado da prisão, Ricardo contou com o entendimento favorável do ministro Napoleão Nunes Maia, do Supremo Tribunal Federal. Foi o mesmo que, passando pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) arquivou a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) da PBPrev sob o argumento que perderia o sentido levar a julgamento uma Aije que pedia a cassação dos mandatos de Ricardo e Lígia Feliciano, sua vice-governadora, por irregularidades supostamente cometidas na eleição de 2014 quando ambos já haviam concluído o mandato.

Og Fernandes, ministro do TSE, discordou de Napoleão dias atrás e direcionou o processo de Ricardo (e Lígia) para o plenário decidir se pode sapecar sobre ambos uma sanção rigorosa para quem tem vida eleitoral e política: caso a maioria dos ministros concorde que houve abuso de poder econômico e político na concessão de benefícios da PBPrev, ambos ficam inelegíveis por 8 anos. Seria uma asfixiante pá de cal sobre o jardim girassol já despetalado sob o calor do racha com o grupo político que preferiu os campos verdejantes do poder.

A Operação Calvário, caso reserve a Ricardo o amargo destino da condenação, vai demorar bem mais a fazer cair sobre ele a pecha de “ficha suja”. A mais recente decisão judicial no âmbito da Operação é clara em dizer que nem Ricardo e nem os demais alvos de sequestros de bens foram ouvidos ainda. Vai demorar bem mais que a eleição. O TSE pode ser bem mais rápido no fechar do cerco iniciado pelo cenário criado pela Calvário e repercutido nacionalmente.

Ricardo está naquela situação descrita pelo linguajar popular de que “desgraça nunca vem sozinha”. Neste caso, contudo, elas podem ter marcado um encontro.

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