Dom Manoel Delson

Dom Manoel Delson cursou Filosofia e Teologia em Nova Veneza (SP) e no Instituto de Teologia da Universidade Católica de Salvador (BA). É licenciado em Letras e tem Mestrado em Ciência da Comunicação Social, em Roma, na Pontifícia Universidade Salesiana. É Arcebispo da Paraíba.


O Amor não morreu!

O Amor de Cristo, que deitou na Cruz, foi até o extremo para dar a todos a Salvação. Eis aqui a mensagem central do Domingo da Ressurreição: Deus fez passagem conosco, tomou-nos pela mão e pela escuridão da noite fez-nos passar da morte para a vida, das trevas para a luz. Neste Tempo Solene da Páscoa, o drama crítico da luz e das trevas alcança o seu auge final, as trevas não puderam mais recorrer a sua última arma à morte. A Luz venceu e reina gloriosamente pelas estradas do mundo, o Cristo Ressuscitado vai a nossa frente, e vai cheio de Misericórdia, toma a nossa fragilidade e nos conduz pelas sendas do mundo, conduz-nos pelos abismos que marcam os tempos de hoje.

Na Páscoa, Bondade, Verdade e Beleza tornam-se o nome completo de Deus que se funde na carne dos homens. A riqueza da graça de Deus multiplica-se sobre nós que somos o seu povo, o povo crente e depositário das suas grandes Misericórdias. O Amor de Cristo, que não morreu na Cruz, amou-nos por primeiro, e somente na iniciativa dele é que podemos amá-lo. Por vezes esse amor precisa ser testemunhado na noite do mundo, pois este vive numa escuridão sem precedentes, vive dessa forma porque tirou Deus do centro, mas não podemos tirar da nossa memória que a noite do mundo é uma noite na qual está acesa uma Luz: “Quando Cristo voltar será dia para sempre. Esse drama da história, no qual se processa a nossa própria vida, é sempre o pano de fundo daquela liturgia do círio pascal com a qual começa a celebração da noite da Páscoa” (Bento XVI). “Deus sabe dessa noite”, e nos convida, como discípulos de seu amor luminoso, a levar essa consolação a todos os homens. Deus se interessa por nossas escuridões, Ele pousa o seu olhar misericordioso sobre os que o temem e nos alimenta quando nos falta a fartura de sentido existencial.

O amor que não morreu, e que nos envolve, deve ser marcado pela inclinação ao Mistério, deve deter os olhos para dentro do Mistério de Cristo Morto e Ressuscitado. Assumamos o lugar que proclama com alegria para o mundo: ‘Eu vi o Senhor!’ (Jo 20, 18), o lugar daqueles que têm a coragem, por pura graça de Deus, de se pôr diante do Mistério, de chorar com as dores de tantos homens e mulheres que nem ao menos conhecemos seus rostos, de inclinar nossa vida Àquele que se importa com as escuridões do mundo, com e para dentro dele e apartir dele consumirmos alegremente nosso sim, como um rastro luminoso nas estradas que o Senhor nos enviar!

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