Dom Manoel Delson

Dom Manoel Delson cursou Filosofia e Teologia em Nova Veneza (SP) e no Instituto de Teologia da Universidade Católica de Salvador (BA). É licenciado em Letras e tem Mestrado em Ciência da Comunicação Social, em Roma, na Pontifícia Universidade Salesiana. É Arcebispo da Paraíba.


O amor aos mais pobres

A capacidade de acolher o amor na existência humana é um dom que nos veio do grande amor de Deus. Somos dotados dessa capacidade e devemos fazê-la crescer em todas as experiências que nos acompanham. Para o Papa Francisco, o apelo ao amor exige o “não matarás” que está contido na exigência moral da lei de Deus. Somos especialistas em reclamar um mundo novo, e devemos sonhá-lo mesmo, mas a realização desse sonho passa também pelas nossas mãos generosas. Mãos que não se ocupam da cultura de morte e do desprezo aos irmãos.

Neste mês de novembro, por pedido do Papa Francisco, celebramos o dia mundial do pobre.

“Os pobres de qualquer condição e latitude evangelizam-nos, porque permitem descobrir de modo sempre novo os traços mais genuínos do rosto do Pai. Eles ‘têm muito para nos ensinar. Além de participar do sensus fidei, nas suas próprias dores conhecem Cristo sofredor. É necessário que todos nos deixemos evangelizar por eles. A nova evangelização é um convite a reconhecer a força salvífica das suas vidas, e a colocá-los no centro do caminho da Igreja. Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só a emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através deles.” (Papa Francisco). Acreditar no amor leva-nos indiscutivelmente ao cuidado dos pobres. Não podemos viver a religião desatrelada desse amor que nunca quebra, desse amor que inclui o mais frágil.

Em tempos tão sombrios, salta-nos das páginas do Evangelho de Jesus aquela máxima que atravessa o tempo e a história humana: “amar até o fim” (Jo 13,1). A exigência espontânea do amor sempre nos acompanhará, ainda que estejamos cercados de narrativas que tentam nos fazer desistir dos atos concretos do amor cristão. Acreditamos que só o amor verdadeiro, o provado e comprovado pela cruz de Jesus, torna nossas relações mais honestas e preenchidas do bem-querer ao necessitado. Sem a concretude daquele não é possível construir um mundo fraterno e mais humanizado.

Por todos os lados podemos constatar situações e vozes que proclamam a falência do amor verdadeiro. Não queremos ser arautos de constatações fatalistas, mas são fatos que se impõem. Para nós cristãos, o amor não é uma realidade sentimentalista e fechada em si mesma, mas é serviço, e serviço aos mais pobres. A certeza que nos vem da fé em Jesus, nos faz proclamar com o testemunho de nossa vida que o amor não faliu. Ele até pode aparentar fracasso de cruz, mas a caridade de Deus não morre e continua no testemunho dos cristãos que lutam pelo empenho da verdade. O Filho de Deus antes de entregar sua vida livremente na cruz, nos deu uma palavra que deve moldar nossa existência: “Ninguém me tira a vida; Sou eu que a dou por mim mesmo” (João 10, 18). Aqui encontra-se a explicação para não deixar o amor morrer, este não fale porque tem a missão de explicar a real e convincente existência de Deus. Todos os atos de Deus são atos de amor; por vezes estes tomaram outros nomes na história humana: sacrifício, renúncia, zelo, misericórdia e etc…  Que o serviço do amor cristão esteja junto à prontidão de nossos pés pelas estradas do mais pobres. Que o sim serviçal de Nossa Senhora nos faça abraçar alegremente as coisas de Deus, coisas que sempre se referem às causas dos homens. Dela aprendemos a amar sempre, e não importa o que nos custe, escolhemos amar!

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