Novo diretor do Senado isenta Efraim de irregularidades

O novo diretor do Senado, Haroldo Tajra, concedeu entrevista ao jornal O Globo e negou a especulada ligação com o senador paraibano Efraim Morais (DEM). Ele também isentou Efraim de responsabilidades nas irregularidades que têm sido apontadas na condução da Casa. Confira a entrevista

Escolhido pelo 1º secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), o novo diretorgeral da Casa, Haroldo Tajra, sabe que passará por um estágio probatório para ficar no cargo. E terá de mostrar serviço rapidamente. Ele admitiu ontem que já há elementos para afastar preventivamente do Senado o ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi. Consultor concursado, que tomou posse em 1995, Tajra rebate insinuações de que é ligado a Efraim Morais (DEMPB).

Diz que trabalhou com vários Senadores, entre eles o exSenador Jefferson Peres (PDTAM), a quem assessorou durante o processo de cassação do Senador Luiz Estevão.

O GLOBO: Como se sente assumindo o cargo mais poderoso em meio à maior crise que o Senado já enfrentou?
HAROLDO TAJRA: É uma sensação de desafio, que a gente vai procurar superar com trabalho e eficiência. Não existe mágica. A mágica é efeito de um trabalho bem feito, para o qual espero contar com a colaboração dos servidores.

Incomodam insinuações de que o senhor seria ligado ao Senador Efraim Morais?
TAJRA
: Durante os quatro anos em que o Senador foi 1ºsecretário, não fui testemunha nem presenciei e nem ele pediu nada que o desabonasse. Nada que não fosse correto. Sou funcionário de carreira, consultor legislativo concursado que ingressou na Casa em 1995. Atuei em muitas frentes de trabalho, especialmente em CPIs, como a dos Precatórios e a do Judiciário. Fiz parte da equipe do Senador Jefferson Peres durante a cassação do Senador Luiz Estevão.
A FGV atestou que a Casa poderia funcionar com um terço dos servidores hoje contratados.

Acha isso possível?
TAJRA: Há três categorias de funcionários na Casa. Os efetivos são concursados e gozam de estabilidade; mexer nisso é complicado. Os comissionados são funcionários de livre provimento dos gabinetes e sua redução depende da aprovação dos parlamentares. Os terceirizados, frutos das nossas contratações, podem ser reduzidos a partir de contratos mais eficientes.

Como administrar a guerra interna que existe hoje na Casa entre grupos de servidores?
TAJRA: Faço parte do grupo do Senado e tenho orgulho de ser funcionário desta Casa. Espero que isso me dê crédito para que todos os servidores da instituição me ajudem a resgatar a credibilidade do Senado.
Senadores solicitaram a abertura de processos administrativos disciplinares contra os ex-diretores Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi.

Isso pode garantir o afastamento deles?
TAJRA: O doutor Zoghbi já é alvo de processo disciplinar, fruto de sindicância que apontou falhas graves. O processo disciplinar pode indicar a aplicação de penalidade preventivamente, como um afastamento. Isso compete à comissão decidir, agora ou ao final dos trabalhos.
Com o doutor Agaciel, o processo está no nível de sindicância e não é possível adotar punição preventiva. Se tomarmos medidas precipitadas, no sentido de aplicar penalidade sem respaldo do rito definido pela legislação, corremos risco de ver decisões anuladas pela Justiça. Não vamos correr o risco.

O Globo
 

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