Nota da PF reforça tese de abuso de poder na abordagem da PM em CG

A Polícia Federal emitiu hoje uma nota na qual comenta a confusão ocorrida na noite de sábado no bairro São José, em Campina Grande, quando agentes da PF foram abordados por policiais militares à paisana e resistiram à tentativa de revista à viatura em que estavam. O texto oficial da PF reforça a tese de abuso de autoridade por parte da PM e também descarta que tenha sido verificado crime eleitoral na residência, onde estavam sendo confeccionadas bandeiras da Coligação Uma Nova Paraíba.

"Após essa verificação e não sendo encontrado nenhum objeto ou material que caracterizasse a prática de crime eleitoral, os policiais se prepararam para retornar à delegacia", diz o texto, acrescentando, sobre a disputa entre os policiais federais e militares: "No retorno, os Policiais Federais foram abordados na viatura por um cidadão à paisana que se identificou como Policial Militar e pediu a identificação dos Policiais Federais. Os Policiais Federais se identificaram mostrando suas carteiras funcionais, mesmo assim o cidadão, que posteriormente vieram a saber tratar-se de um MAJOR, disse que teria de ser feita verificação na viatura, pois todos que transitavam naquela Rua estavam sendo alvo dessas vistorias. Os Policiais Federais se negaram a abrir a mala da viatura sem que fossem informados do que eram suspeitos. Logo em seguida outro cidadão, que também estava à paisana e que disse ser CORONEL, ali compareceu e manteve a determinação para abrir o veículo. Naquela oportunidade os Agentes acionaram os Delegados de Sobreaviso, que compareceram e deram conhecimento da missão Policial. Ainda assim o Coronel e o Major continuaram com as determinações da vistoria na viatura, impasse que só foi solucionado quando ficou acordado que a viatura seria levada à Delegacia do DPF onde poderia ser examinada, de forma que se comprovasse a lisura da ação policial e a inadequabilidade  da insistência daquela vistoria sem que fosse apresentadas as suspeitas levantadas contra os Policiais. Nesta Delegacia, na presença dos Policiais Militares, dos advogados e dos Agentes, o veículo foi aberto e nada de suspeito encontrado".

Confira a íntegra da nota:

"No dia 23.10.2020, por volta das 14:45hs dentre as várias informações que chegaram nesta Delegacia de Polícia Federal em Campina Grande, e que foram checadas, uma deu conhecimento de que na Rua Major Belmiro, 240, Bairro São José, nesta, estaria ocorrendo a prática de crime eleitoral consistente na distribuição de material irregular de propaganda eleitoral.

Em face dessa notícia, o Delegado de sobreaviso determinou que dois Agentes de Polícia Federal realizassem as diligências de forma discreta no local.

Quando os Policiais Federais ali chegaram, perceberam que naquela Rua encontravam-se Policiais Militares da CPTRAN, ROTAM, mas nada indicava que estavam realizando diligências referente ao mesmo objeto da denúncia.

Percebendo o grande movimento de pessoas em frente a uma determinada residência, os Policiais se identificaram e a dona da casa franqueou a entrada.

Na verificação no interior da residência os Policiais encontraram inúmeras bandeiras em fase de confecção, tendo a proprietária apresentado a nota fiscal para confecção de 1.000 bandeiras, pois tinha sido contratada para esse serviço, fornecendo cópia.

Após essa verificação e não sendo encontrado nenhum objeto ou material que caracterizasse a prática de crime eleitoral, os Policiais se prepararam para retornar à Delegacia.

No retorno, os Policiais Federais foram abordados na viatura por um cidadão à paisana que se identificou como Policial Militar e pediu a identificação dos Policiais Federais. Os Policiais Federais se identificaram mostrando suas carteiras funcionais, mesmo assim o cidadão, que posteriormente vieram a saber tratar-se de um MAJOR, disse que teria de ser feita verificação na viatura, pois todos que transitavam naquela Rua estavam sendo alvo dessas vistorias. Os Policiais Federais se negaram a abrir a mala da viatura sem que fossem informados do que eram suspeitos.

Logo em seguida outro cidadão, que também estava à paisana e que disse ser CORONEL, ali compareceu e manteve a determinação para abrir o veículo.

Naquela oportunidade os Agentes acionaram os Delegados de Sobreaviso, que compareceram e deram conhecimento da missão Policial.

Ainda assim o Coronel e o Major continuaram com as determinações da vistoria na viatura, impasse que só foi solucionado quando ficou acordado que a viatura seria levada à Delegacia do DPF onde poderia ser examinada, de forma que se comprovasse a lisura da ação policial e a inadequabilidade  da insistência daquela vistoria sem que fosse apresentadas as suspeitas levantadas contra os Policiais.

Nesta Delegacia, na presença dos Policiais Militares, dos advogados e dos Agentes, o veículo foi aberto e nada de suspeito encontrado.

O Delegado de sobreaviso procedeu as oitivas para deliberar sobre instauração de inquérito para apurar possível abuso de autoridade, bem como encaminhamento das peças  à Justiça Eleitoral para deliberar sobre eventual crime eleitoral e/ou abuso de poder em matéria eleitoral, diante dos fatos relatados.

Já no período da noite compareceram espontaneamente nesta Delegacia oito advogados que testemunharam todo o ocorrido e manifestaram interesse em serem ouvidos sobre os fatos que presenciaram, inclusive deixaram transparecer que iriam acionar a OAB, com relação à possível revistas que foram submetidos pelos Policias Militares no local dos fatos.

Comentários

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.