Nilda Gondim assina requerimento da CPI do Consumo do Álcool

A deputada federal Nilda Gondim (PMDB-PB) assinou esta semana, no Plenário da Câmara dos Deputados, requerimento para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a suposta falta de ação do poder público em relação ao consumo abusivo de álcool entre cidadãos brasileiros. A CPI é de autoria do deputado federal Vanderlei Macris (PSDB-SP), para quem o poder público, além de não estar tratando a questão como política pública, ainda está falhando tanto na fiscalização quanto no tratamento do consumo do álcool.

A deputada Nilda Gondim acredita que a instalação da CPI ajudará a obter informações relevantes que respaldem as políticas públicas voltadas para a redução do alcoolismo no País. “Infelizmente nossos jovens têm consumido bebidas alcoólicas cada vez mais cedo, a partir dos 11 anos de idade, e muitas vezes acompanhados dos próprios pais. Esse é um assunto que precisa ser debatido exaustivamente pelo Congresso para subsidiar o Poder Público no combate ao consumo abusivo do álcool em nosso país”, declarou a parlamentar.

CPI tem 194 assinaturas – O deputado Vanderlei Macris conseguiu 194 assinaturas de parlamentares de diversos partidos para criar a CPI do Álcool. O mínimo exigido era de 171 subscrições. Para o parlamentar, o tema é apartidário e precisa ser discutido com profundidade para que se possa reunir propostas necessárias à criação de um projeto que contemple as necessidades da sociedade.

Segundo Macris, o Congresso precisa centralizar documentos e informações de todo o País sobre alcoolismo, além de chamar universidades, especialistas, governos e organizações não governamentais (ONGs) para criar um debate mais amplo. Um banco de dados também deve ser construído para, ao final, respaldar políticas públicas que contribuam para diminuir o problema.

Problema grave – Considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como sendo a 8ª principal causa de morte no mundo, com mais de 2,5 milhões de óbitos anuais, o uso abusivo do álcool tem preocupado os deputados federais e também as autoridades ligadas à questão em todo o mundo. Para tratar do assunto, no próximo mês de maio será realizada no Brasil uma grande conferência patrocinada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

 No Brasil, de acordo com pesquisa realizada pelo Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), vinculado ao governo paulista, somente no Estado de São Paulo 40% dos adolescentes e 16% dos adultos que procuraram tratamento para se livrar do vício experimentaram bebidas alcoólicas antes dos 11 anos de idade. O mesmo levantamento indicou que os jovens começam a beber geralmente em casa ou na presença de familiares. Em 39% dos casos são estimulados pelos pais, que bebem abusivamente; em 19% pela mãe, e em 11% pelo padrasto.

“Além disso, em todos os recantos do País crianças e adolescentes menores de 18 anos não encontram nenhuma dificuldade para comprar bebida alcoólica nos estabelecimentos comerciais, mesmo havendo proibição legal nesse sentido”, enfatizou a deputada Nilda Gondim ao reforçar seu apoio à criação da CPI do Consumo do Álcool.

Ela citou também dados de pesquisa realizada pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, do Ministério da Saúde, que indicam que o consumo abusivo de álcool (ingestão de quatro ou mais doses, para mulheres, ou cinco ou mais doses, para homens, em uma mesma ocasião) tem aumentado entre os brasileiros. No último levantamento divulgado, com dados de 2009, 18,9% dos participantes do estudo declararam fazer uso abusivo do álcool. Em 2006 esse percentual era de 16,1%; em 2007 subiu para 17,5%. e em 2008 chegou a 19%.
 
Saiba mais sobre o problema
 
Após o contato com o álcool e o cigarro, muitos usuários admitem ou confessam terem experimentado maconha.

Em geral, os adultos vitimados pelo alcoolismo procuram ajuda após terem se envolvido com outras drogas; por estarem deprimidos; após tentarem suicídio, ou porque estão com alguma doença ou sequela decorrente do consumo abusivo do álcool. Já os adolescentes normalmente buscam ajuda por causa de conflitos em casa ou na sociedade.

O alcoolismo tem dois fatores principais: o cultural e o genético, havendo, portanto, no problema um componente hereditário.

O excesso de publicidade de bebida alcoólica na televisão favorece o aumento do consumo, tanto de adultos quanto de crianças e adolescentes. Há estudos que demonstram que uma propaganda de cerveja na TV aumenta em 11% o consumo da bebida entre os jovens.

O álcool causa dependência, distúrbios no sistema nervoso central, bem como problemas no fígado e no pâncreas.

Especialistas afirmam que a única maneira de afastar crianças do álcool é criando campanhas de conscientização específicas para essa faixa etária e oferecendo mais serviços especializados de tratamento.

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