Dom Manoel Delson

Dom Manoel Delson cursou Filosofia e Teologia em Nova Veneza (SP) e no Instituto de Teologia da Universidade Católica de Salvador (BA). É licenciado em Letras e tem Mestrado em Ciência da Comunicação Social, em Roma, na Pontifícia Universidade Salesiana. É Arcebispo da Paraíba.


Não subiremos sozinhos!

No calendário litúrgico católico, encontra-se a Solenidade da Ascensão do Senhor. Esta solenidade nos faz um convite bastante especial: dirigir os nossos olhos para o Cristo Ressuscitado que, passados quarenta dias depois do Domingo da Páscoa, continua a despertar admiração aos homens, como fizera com os seus primeiros apóstolos: “se elevou à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos” (At 1,9).

O ato de subida do Ressuscitado para o seio da Trindade significa que Ele abre definitivamente o caminho que nos levará à nossa pátria definitiva. Essa subida de Cristo é uma realidade atemporal. Não devemos nos preocupar com uma localização espacial, pois tudo que se refere a Deus, foge da nossa capacidade e insistência de categorizar as coisas. A subida do Ressuscitado, que nos envia Seu Espírito, é uma subida que pode nos fazer meditar sobre a evangelização nos meios de comunicação. O Evangelho que anunciamos, do Cristo que morreu e ressuscitou, não nos aliena na cotidianidade da terra, mas planta nossos pés nesta e ancora nosso coração no céu. A necessidade de evangelizar pelos meios de comunicação tornou-se uma demanda que não podemos evitar, muito mais agora nestes tempos de isolamento social.

A Igreja, quando faz uso evangelizador desses meios de comunicação, eleva o olhar dos homens e mulheres deste tempo para a subida do Cristo ao Pai. Aqui não podemos nos contentar com uma analogia teórica. Não! Trata-se de uma realidade fundamental que toca nossa vida concreta. Cristo realmente nos visitou e, depois de sua morte e ressurreição, subiu para o Pai. A esperança cristã, fundada no Evangelho de Nosso Senhor, não é uma ilusão. Podemos confiar-nos ao Senhor. Nele, porque possuímos esperança, nossa vida fica firme e ancorada (Cf. Hb 6,19).

O Papa Francisco ao meditar sobre essa subida de Cristo ao Pai, diz que se trata de algo inédito e que nos pede olhos e coração voltados a Deus: “uma nova forma de presença de Jesus no meio de nós, pede-nos para ter olhos e coração para o encontrar, para o servir e para o testemunhar aos outros”. Pecamos ao Senhor que nunca nos falte esse desejo sincero de subida para o Pai; e que a nossa subida ao Pai comece aqui na história, estando atento às necessidades dos mais pobres e necessitados. A subida do cristão ao Pai é uma subida que puxa a caridade. Não subiremos sozinhos. Os nossos irmãos também subirão conosco!

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