Alexandre Moura

Engenheiro Eletrônico, MBA em Software Business e Comércio Eletrônico, Chairman da Light Infocon Tecnologia S/A, VP da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado da Paraíba e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP.


Mudanças nos Modelos de Negócio

Em colunas anteriores escrevi sobre o impacto da pandemia do vírus chinês (COVID-19), em vários setores da economia, a exemplo da indústria do turismo (incluindo as companhias aéreas). Hoje, pretendo trazer mais informações sobre as “Mudanças nos Modelos de Negócio” que já estão ocorrendo e vão se acentuar/continuar, em um mundo “Pós Pandemia” (infelizmente, ainda sem data precisa para começar esta fase), no qual estaremos vivendo e fazendo negócios. Claro que não vou conseguir escrever sobre todos os aspectos, mas apresentar pelo menos, a “ponta do iceberg” do tema, para que o leitor pense a respeito e sobre o seu próprio negócio/trabalho. Nas últimas semanas, tenho conversado e/ou trocado mensagens com amigos empresários e executivos, do Brasil, de alguns países da América Latina e da Europa, dos Estados Unidos e até da Austrália, responsáveis por diversas empresas, de tamanhos diferentes e que atuam em setores diversificados da economia destes países. Vou tentar passar as minhas conclusões e avaliações (mesmo que de forma simplista, como escrevi acima), de algumas destas “conversas” e ideias trocadas com relação a determinados segmentos econômicos, sempre versando sobre o que mudou ou vai mudar, no “Modelo de Negócio” ou de “Gestão”, adotado antes da pandemia pelas empresas. Destaco que, muitas destas “alterações de rumo”, tiveram de ser feitas de forma extremamente rápida, para que elas (as empresas) possam sobreviver à situação global atual, e continuem existindo no futuro.

Mudanças nos Modelos de Negócio (II)

No segmento de Call Centers como conhecemos hoje (grandes instalações com milhares de pessoas trabalhando) as empresas tiveram que mudar rapidamente, colocando muitos funcionários em home office e ajustar/trocar seu modelo de gestão (e tecnologias associadas), para gerenciar centenas e até milhares, de pessoas “fora de um ambiente de trabalho controlado”. E conseguiram! Assim, depois de avaliações e novos ajustes como resultado da “experiência forçada”, este modelo tende a ser adotado como regra e não exceção, daqui para frente. Ainda será necessário resolver algumas questões, especialmente as referentes à segurança no trato de informações, mas isso os fornecedores de TI (Tecnologia da Informação) com a necessidade gerada, vão resolver rapidamente. Na “indústria da mobilidade” (transporte público e pessoal, aluguel de veículos) o impacto começa a ser analisado e as conclusões são interessantes. Com a quarentena, a mobilidade das pessoas (em tese) caiu significativamente, e juntamente com o uso do home office, aponta para uma diminuição até de certa forma drástica, da demanda por transporte, seja público ou privado. Como é o caso dos trabalhadores (que “deixaram de se locomover”) dos Call Centers, mas também de outras empresas que podem usar o mesmo método de trabalho e que não haviam testado antes, mas que agora após a necessidade atual, viram que funciona (e com custos muito menores) e assim, vão implantar em definitivo, pelo menos em uma parte da força de trabalho. Desta forma, a necessidade de levar e trazer pessoas de seus locais de trabalho vai diminuir. O transito de nossas cidades, agradece.

Mudanças nos Modelos de Negócio (III)

Outra mudança/impacto é consequência também, do home office. Como escrevi acima, muitas empresas (gestores) estão analisando manter boa parte de sua força de trabalho neste modelo e assim, baixar os custos operacionais. Numa época de faturamento decrescente, onde todo centavo economizado na operação do negócio conta, essa é uma decisão importante. O impacto será no mercado imobiliário voltado para a venda ou locação de espaços para escritórios, que tende a diminuir os valores cobrados pelo metro quadrado de área. Por outro lado, surge uma oportunidade para as incorporadoras: atender a nova demanda por espaço específico, nas residências para o ambiente adequado ao home office, inclusive com áreas de lazer melhor dimensionadas, já que as pessoas vão “ficar mais no ambiente domestico”. Ou seja, os apartamentos devem crescer de tamanho. E a necessidade de “espaços devidamente equipados, para alugar por hora”, para fazer reuniões com os funcionários ou clientes, terá maior demanda. Da mesma forma, o negócio dos provedores de Internet e de empresas de Cyber Security (segurança da Internet) crescerá com a demanda por maior velocidade de acesso a rede, e a necessidade de proteção de dados (especialmente no caso de “trabalhadores remotos” de Call Centers). Neste último caso (Cyber Secutiry), vale lembrar a entrada em vigor no ano que vem da LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados, a qual deverá ser “atendida” em todo seu escopo, inclusive pelas pessoas em home office, para que a empresa não seja punida, caso aconteça vazamento de dados de  terceiros (clientes e/ou fornecedores).

Mudanças nos Modelos de Negócio (IV)

No segmento de vestuário (roupas, calçados e acessórios) haverá a necessidade (é uma exigência e não uma opção) de implantação de e-commerce (comércio eletrônico) e novas tecnologias associadas (3D, RA – Realidade Aumenta, IA – Inteligência Artificial, por exemplo) para aqueles negócios que ainda não utilizam e que viram suas vendas caírem a “zero”, durante a quarentena. Enfim, todas essas mudanças impactam na “infraestrutura” (comunicação, logística, pessoal qualificado, instalações, etc) utilizada atualmente pelas empresas, que deverão ser adequadas ao novo modelo de negócios utilizado. Isso abre novas oportunidades para as empresas de TI, que vão ajustar/criar/implantar novas soluções para seus clientes, com base ainda maior em inovação e agilidade de disponibilização das soluções. Durante a quarentena, a rapidez do chamado deploy (disponibilizar/implantar a solução desenvolvida) foi à tônica e o diferencial de várias empresas de TI. Um exemplo é a solução “vitrinedigital.net”, que permite disponibilizar um “comércio eletrônico básico”, para qualquer negócio, literalmente em poucas horas. E o próprio Aplicativo da CEF – Caixa Econômica Federal, disponibilizado em poucos dias, que conseguiu atender a demanda do Governo Federal para a distribuição dos R$ 600,00 da ajuda aos mais carentes (cerca de 50 milhões de brasileiros), é outro exemplo de solução ultrarrápida. Sobre os aplicativos para smartphones a tônica daqui para frente é ter “soluções descartáveis” que resolvam problemas imediatos, de forma barata e rápida e depois são deixadas de lado. As empresas que tiverem este tipo de plataforma (que gerem aplicativos rapidamente) terão um diferencial importante no mercado. Evidentemente, existem muito mais mudanças acontecendo e outras que estão por vir, além das que descrevi acima. Por exemplo, como vai ficar o Modelo de Negócio dos Shoppings Centers no Futuro? Quais mudanças serão necessárias no modelo atual para que eles sobrevivam? E as Escolas? Vai crescer ainda mais o EaD (Ensino a Distância)? Outros modelos e soluções tecnológicas vão aparecer? Muitas perguntas, poucas respostas. Só nos próximos meses e talvez anos, vamos poder avaliar e responder muitas das perguntas feitas hoje. A certeza que temos é que o mundo como um todo, e o “mundo dos negócios” em particular, não será de forma alguma, o mesmo que conhecíamos antes deste “caos” que vive o planeta. Que Deus ilumine nosso caminho.

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