Campanha do MPPB previne e combate violência doméstica

“A minha palavra é a última”, “Isto não é roupa de mulher direita”, “Lugar de mulher é em casa”, “Se não é minha, não é de mais ninguém”. Infelizmente, as velhas frases estão bem presentes no dia a dia das famílias e da sociedade e, quando não verbalizadas, em forma de atos violentos, cujo ápice é o feminicídio. A escalada da violência doméstica é assunto da campanha “Não é amor. É violência”, realizada pelo Ministério Público da Paraíba. O objetivo é contribuir para conscientizar homens e mulheres, sobre atitudes violentas, que ainda são justificadas com “excesso de cuidado ou amor” e que precisam ser combatidas.

A campanha será lançada com uma intervenção teatral, às 10h desta quinta-feira (08/03), dia Internacional da Mulher. A ação será no Shopping Tambiá, no Centro da Capital. Oito atores da Companhia de Teatro Abner, parceira nesta ação, montarão quatro cenas comuns na violência doméstica, em forma de quadros vivos (cenas estáticas). A ideia é que as pessoas reflitam sobre essas práticas e sejam conscientizadas que mulheres submetidas a essas situações não são amadas e sim violentadas. A campanha também conta com filmes para TV e redes sociais, produzidas pela produtora Castanhola, também parceira do Ministério Público.

Para toda a sociedade

A iniciativa da campanha é do Núcleo de Políticas Públicas do MPPB, da Promotoria de Defesa dos Direitos da Mulher de João Pessoa e do Setor de Assessoria de Comunicação da instituição ministerial. De acordo com o 2º subprocurador-geral de Justiça, Valberto de Cosme Lira, o Ministério Público quer falar com toda a sociedade, estimulando não só as mulheres agredidas a buscarem ajuda e a denunciar os autores da agressão, como também conscientizado homens que agridem para que mudem de atitude e não reincidam no crime.

Já a promotora da Mulher, Dulcerita Alves, chama a atenção para atos de violência que, por causa da cultura do machismo, podem passar despercebidos e para a importância da família educarem suas crianças, tendo o respeito à mulher como princípio para a prevenção à violência e ao seu ápice, que é o feminicídio.

A arte imitando a vida

O produtor, diretor teatral e ator da Cia. Abner, Aldo Galdino, disse que participar da campanha tem uma importância pessoal para ele. “A minha família também foi acometida por essa violência, em especial minha mãe. Esta campanha nos dá a chance de protestar contra a falta de limites, de respeito e de amor ao próximo. O feminicídio só tem crescido a cada dia. Já basta! Acredito que o propósito de Deus é que todos sejam felizes e não que usem da liberdade para afugentar e destruir o próximo. E como artista, é um prazer usar a arte pra difundir esse propósito, levando as pessoas a repensarem as ações e provendo uma arte educacional”, disse.

Mortes de Mulheres – dados da Secretaria de Segurança Pública da PB

Ano

CVLI contra mulheres*

Feminicídio**

2014

104

13

2015

113

28

2016

97

25

2017

76

21

* Crimes Violentos Letais Intencionais

**Os dados de feminicídio são definidos a partir das investigações desenvolvidas pela Polícia Civil, de acordo com a motivação e autoria do crime.

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