Ministro diz que apoio do Governo manteve agricultores no Sertão

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, disse, em entrevista exclusiva ao Correio da Paraíba, que apesar de o nordestino estar enfrentando a pior seca dos últimos 50 anos, não teve que deixar o Sertão para tentar a vida no Sul do País, como acontecia no passado, em períodos de estiagens. Ele atribuiu a permanência do nordestino em sua região ao conjunto de políticas públicas implantado no País nos últimos 10 anos.

De acordo com o ministro, as ações do Governo Federal voltadas para os agricultores melhoraram as condições social e econômica da população da região Nordeste. “Nós queremos realizar um processo de reestruturação produtiva para recuperar o que a seca fez as pessoas perderem. Faremos isso através de linhas de crédito com juros extremamente baixos, com rebates (descontos) importantes. Nós oferecemos financiamentos com descontos de até 40% para o agricultor familiar. Além disso, ainda abrimos a possibilidade da renegociação de dívidas”, declarou o ministro.

Pepe Vargas ressaltou que o produtor que tiver uma dívida agrícola pode renegociá-la, em alguns casos, com até 85% de desconto na liquidação. “Nós queremos, com esses instrumentos, permitir que os agricultores recuperem o rebanho que perdeu e as culturas alimentares que sofreram severamente com a seca”, afirmou.

O ministro explicou que a linha de crédito com os juros mais altos oferecida pelo Governo Federal ao agricultor familiar é de 3%, ao ano. Porém, ponderou que há financiamentos que a taxa chega a 1%. Ele afirmou que ainda existem taxas menores.  “O Pronaf B, muito utilizado na Paraíba, é uma linha de micro crédito produtivo orientado, que tem juros de 0,5% ao ano”, exemplificou.

Ele afirmou que a cobrança dos juros segue a lógica do tamanho do negócio, ou seja, o médio produtor pagará taxas mais altas do que o agricultor familiar, o grande produtor mais elevada do que o médio e assim sucessivamente. “Mas, todos pagarão taxas inferiores à inflação”, frisou o ministro.

Nas linhas de investimentos, Pepe Vargas informou que o prazo para o pagamento é de até 10 anos. Nas que envolvem irrigação, armazenagem, inovação tecnológica chegam há 15 anos. “Aqui na região (Nordeste) os dois grandes bancos que operam esses tipos de crédito são o Banco do Nordeste e o Banco do Brasil. Nós esperamos, com isso, estimular o desenvolvimento da região, porque não podemos deixar que a estiagem faça com que as pessoas percam as conquistas dos últimos 10 anos e muito menos levem o mesmo tempo para recuperar o que perderam. Nós queremos acelerar a recuperação de toda e qualquer perda que tenha ocorrido”, concluiu.

Um ovo para quatro pessoas

Dona Vilaní Ferreira da Silva, de 56 anos, começou a conviver com a escassez e com os efeitos da estiagem ainda criança. Com oito anos de idade foi trabalhar na roça. Ao longo do tempo, passou fome, perdeu um filho e uma neta.  Abandonada pelo marido, teve que criar três filhos sozinha.

Em meio às dificuldades, aprendeu a se virar sozinha. Vendeu peixe que ela mesmo pescava, leite e queijo. Com o passar do tempo trocou a Zona Rural de Cajazeiras pela Urbana, onde foi morar com uma filha. “Meu sonho era possuir uma granja. Comprei um pintinho e Loudinha (uma vizinha) viu. Ela fazia Crediamigo e me convidou. A primeira vez eu recusei,  com medo de não poder pagar, mas depois eu fiz” contou dona Vilaní.

O Crediamigo faz parte do Crescer – Programa Nacional de Microcrédito do Governo Federal, uma das estratégias do Plano Brasil Sem Miséria para estimular a inclusão produtiva da população extremamente pobre. “Antes do Crediamigo chegar eu não tinha nada, nada. Hoje, graças a Deus, estou realizada”, afirmou dona Vilaní.

O primeiro empréstimo dela foi de R$ 400 investidos na compra de frango para revenda em um pequeno comércio que estava iniciando. Depois disso não parou e foi contraindo mais financiamentos para ampliar a venda de queijo que ela mesma fabrica.

“De 10 litros de leite que comprava com o meu dinheiro, com o crédito, cheguei a comprar até 600 litros para fazer queijo, bolo, doces e muitas outras coisas”, disse. Hoje, com ajuda da filha Elisangela Ferreira, além desses produtos, vende frutas e verduras em um comércio que montou na própria casa.

“A nossa vida mudou, porque nós conseguimos ampliar o nosso negócio. Não passamos mais dificuldades como antigamente, quando tínhamos que dividir um ovo para quatro pessoas”, destacou Elisangela. “Hoje, vivemos do nosso pequeno comércio, que graças a Deus está abençoado”, complementou.

O professor de estratégia empresarial da faculdade de Coimbra, em Portugal, Fernando Carvalho, afirmou que não tem uma grande empresa que não tenha começado pequena. Segundo ele, os micro e pequenos empreendedores geram emprego e renda e ainda encorajam as pessoas a abrirem seus próprios negócios. “Esses efeitos acumulados são excelentes numa perspectiva de desenvolvimento local, depois, numa perspectiva do desenvolvimento regional e cada vez mais uma perspectiva nacional e até global”, enfatizou Fernando Carvalho.

Identificando potenciais

A delegada do Ministério do Desenvolvimento Agrário na Paraíba, Giucélia Figueiredo, disse que a inclusão produtiva é uma das formas que o órgão encontrou para auxiliar as famílias que estão sofrendo com os efeitos da seca no Estado.

“Nós estamos identificando o potencial das famílias no meio rural e possibilitando que elas desenvolvam algum tipo de atividade econômica. Se família tem potencial para o artesanato ou tem aptidão para a caprinocultura ou ovinocultura nós auxiliamos com crédito rural através do Pronaf”, afirmou.  

Giucélia explicou que os recursos do Pronaf são oriundos do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Mas quem executa as operações de crédito é o Banco do Nordeste. “Nós queremos fazer com que as famílias consigam desenvolver atividades produtivas e assim possam aumentar a qualidade de vida. Para isso, o fomento é fundamental”, ressaltou Giucélia.


Correio da Paraíba

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