Ministra assume hoje e diz que vai “limpar prateleiras”

A nova ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, toma posse hoje com a promessa de "limpar as prateleiras" do Palácio do Planalto. Ela afirmou que vai dar vazão às nomeações para cargos de segundo e terceiro escalões represadas durante os cinco primeiros meses do governo Dilma Rousseff e liberar para prefeituras o dinheiro de orçamentos de anos anteriores para o pagamento de obras que já foram iniciadas.

 
Esses dois gargalos são apontados como fatores de insatisfação dos aliados no Congresso e principal desafio da nova articuladora política da presidente, substituta do petista Luiz Sérgio (RJ), indicado para seu lugar no Ministério da Pesca.
 
Os líderes da base são unânimes na reclamação de que várias indicações já acertadas entre os interessados no posto e entregues à presidente estão há meses à espera da nomeação pelo Palácio do Planalto.
 
O PMDB contabiliza ter pelo menos 50 apadrinhados nessa situação. No PT, a espera é pela nomeação de quase o dobro. São diretorias de estatais, bancos, autarquias e postos de chefia nos Estados.
 
A própria Ideli diz que vivenciava esse problema no Ministério da Pesca. Segundo ela, negociações para cargos nos Estados estão decididas há dois meses e mesmo assim as nomeações não saíram no Diário Oficial.
 
"Imagino que assim como acontecia na Pesca, essa situação está acontecendo em vários outros ministérios", reconheceu a ministra.
 
Limpeza. Segundo a nova ministra, seu papel será destravar este contencioso com os partidos. "Quero me dedicar para fazer a limpeza da prateleira. O que está equacionado, vamos resolver", disse.
 
Ideli reconhece que isso provocará a redução de insatisfações dentro da base aliada. Ideli avalia também que isso ajudará o governo a melhorar o seu próprio desempenho. "Acaba que a ponta fica imobilizada. Quem está em dúvida se vai ficar não sabe como agir no cargo e isso sempre acaba trazendo um prejuízo para o governo."
 
A promessa vai ao encontro da expectativa dos parlamentares aliados, que reclamavam da demora no atendimento destas demandas. "Como tinha aquela duplicidade, gerava uma inexistência de atendimento", afirmou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). Ele se referiu ao comando anterior exercido pelo ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci e pelo ex-titular das Relações Institucionais Luiz Sérgio. "As coisas têm de fluir. É claro que a questão dos cargos é um gargalo hoje", emenda o deputado federal, André Vargas (PT-PR), secretário de Comunicação do partido.
 
Dinheiro. Além da cobrança por cargos no segundo e terceiro escalões, outra pendência que tem incomodado os aliados é a liberação de recursos de emendas parlamentares. A queixa não fica restrita às incluídas no Orçamento deste ano e se estende também às inscritas nos chamados "restos a pagar", mecanismo pelo qual despesas contratadas em um ano podem ser pagas pelo Orçamento dos anos seguintes.
 
Ideli afirmou que os recursos prometidos pela presidente Dilma Rousseff aos prefeitos durante marcha em Brasília, no mês passado, serão liberados nos próximos dias. "Esta semana deveremos ter a autorização do ministério para o pagamento. É outra prateleira que vamos limpando", ponderou Ideli.
 
A nova ministra pretende conversar com a colega de Planejamento, Miriam Belchior, e com a presidente para verificar a possibilidade de se ampliar o prazo para o início de obras inscritas nos restos a pagar de 2009. O prazo atual expira no próximo dia 30 de junho.
 
"Não quero gerar expectativas, vamos ver se tem alguma viabilidade de prorrogar", afirmou a ministra. Em relação às emendas parlamentares de 2011, Ideli já avisa que os empenhos só deverão ser feitos mesmo a partir do segundo semestre. 

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