Mesmo após escândalo, funcionária fantasma continua recebendo salário

Uma semana após denunciar esquema de contratação irregular no Senado, a funcionária fantasma Kelly Janaína Nascimento da Silva, 28 anos, continua recebendo salário. Na noite da última sexta-feira, data de pagamento dos funcionários, o Senado depositou R$ 3.804,04 na conta aberta em nome de Kelly, na Caixa Econômica Federal. Apesar de o gabinete do senador Efraim Morais (DEM-PB) garantir que as servidoras fantasmas já tinham sido exoneradas, Kelly e a irmã Kelriany Nascimento da Silva, 32 anos, permanecem no quadro de funcionários da Casa. Mas diferentemente de Kelly que recebeu o salário na íntegra sem nenhum mecanismo de suspensão, Kelriany teve o benefício proporcional do mês de maio estornado da conta. O valor de R$ 1.418,78 ficou bloqueado durante o fim de semana e liberado apenas ontem, como mostram os extratos bancários da estudante.

Kelriany está lotada no Serviço Central de Atendimento ao Usuário e Kelly permanece no gabinete de Efraim. Segundo a assessoria de Comunicação do Senado não houve publicação de ato de exoneração e as funcionárias fantasmas “não serão demitidas porque estão em processo de sindicância”. O pagamento integral do salário de Kelly, segundo a assessoria, pode ser “algum erro” e o valor será estornado porque o salário do mês de maio deveria estar suspenso. Enquanto a Polícia Legislativa não concluir o inquérito, as funcionárias fantasmas “permanecerão com vínculo, mas sem vencimentos”. Mônica da Conceição Bicalho, a suposta intermediária da contratação das duas irmãs, também permanece no Senado e terá o salário estornado de sua conta.

O advogado das estudantes, Geraldo Faustino, questiona a explicação do Senado para o suposto bloqueio do vencimento das funcionárias fantasmas. “Se elas estivessem agindo de má-fé teriam sacado esse dinheiro. A conta só não foi movimentada desta vez porque Kelly e Kelriany revogaram as procurações de Kátia da Conceição Bicalho, que movimentava a conta há um ano.” Kátia é irmã de Mônica.

Se tivessem sido exoneradas no dia 18, as funcionárias fantasmas poderiam ter recebido acerto de rescisão superior a R$ 10 mil, sem nunca terem trabalhado para o Senado. Só em 2009, a Casa gastou R$ 5.655 em auxílio alimentação para cada uma das comissionadas fantasmas.

Investigação – O diretor-geral do Senado, Haroldo Tajra, designou dois servidores para investigar a nomeação e a identidade funcional de Kelly e Kelriany. Eles também vão apurar “eventual cometimento de infrações disciplinares por servidores da Casa”. A Polícia do Senado deve instaurar o inquérito que vai investigar o caso amanhã.

O escândalo envolvendo a contratação de funcionárias fantasmas no gabinete do senador Efraim teve início quando Kelriany foi abrir uma conta no Banco do Brasil e descobriu que era servidora do Senado. A contratação fraudulenta teria ocorrido graças à procuração assinada pelas irmãs a Kátia da Conceição Bicalho, irmã de Mônica. Kelly e Kelriany deram aval para que Kátia movimentasse conta-corrente para depósito de suposta ajuda de custo de R$ 100. Investigação do Senado descobriu, no entanto, que além de Kátia e Mônica, um contínuo do gabinete de Efraim também participou da fraude. Gilberto Rocha da Mota tomou posse no lugar das estudantes. Elas vão prestar depoimento na próxima quinta-feira.

Correio Braziliense

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