Marcondes diz que confia na Justiça e que teve motivo para deixar PSB

O deputado federal Marcondes Gadelha (PSC-PB) se pronunciou sobre a decisão divulgada pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) na Paraíba, em dar entrada com ação para reaver o mandato do deputado.
Gadelha explicou os motivos que o levaram a tomar a atitude de mudar de partido e rebate a argumentação usada pelo PSB de que foi “sem justa causa”. “A resolução do TSE contempla pelo menos duas situações que nos facultam a saída e que são consideradas justa causa. Uma é a mudança programática e doutrinária do partido e a outra razão é a grave discriminação pessoal”, diz.
 
O parlamentar explica também que acredita na justiça. “Eu confio muito na justiça, eu confio muito na apreciação serena dos fatos, eu confio no meu direito e acredito que, ao final, quando nós apresentarmos as provas, vai se verificar que nós preenchemos aqueles requisitos pelos a resolução faculta a mudança de partido”.
 
Entrevista:
 
Deputado Marcondes Gadelha, sobre as informações divulgadas pela imprensa referente à decisão do PSB da Paraíba em entrar na justiça com ação para reaver o mandato, como o senhor vê esta situação?
 
É um direito do partido de reclamar o mandato, como é um direito nosso a defesa ampla e irrestrita neste caso. Não se trata só de reclamar o mandato e obtê-lo de volta. É preciso fundamentar juridicamente. No nosso caso, nós entendemos que há razões sobradas e amparadas no direito para mudança de partido. 
 
E no que se baseia juridicamente a sua decisão?
 
A resolução do TSE contempla pelo menos duas situações que nos facultam a saída e que são consideradas justa causa. Uma é a mudança programática e doutrinária do partido, e a outra razão é a grave discriminação pessoal.
 
O senhor poderia explicar melhor quando se refere às mudanças programáticas e doutrinárias?
 
Na questão referente à mudança programática, o PSB da Paraíba deu uma guinada de 180 graus na sua prática política e passou a se compor exatamente o oposto de tudo o que nós pregamos. Nós somos da base aliada do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e defendemos um projeto do presidente Lula, os nossos aliados tradicionais sempre foram o PT e o PMDB. Mas o PSB da Paraíba resolveu fazer  coligação exatamente com o PSDB e o DEM, que são adversários do presidente Lula e do seu projeto de governo que tantos benefícios trouxe para este país. 
 
O senhor então é da base aliada do governo Lula?
 
Sou sim. Ora, nós não podemos nos confundir com o PSDB e com o DEM. Nós somos da base aliada do presidente Lula e esta é uma razão muito importante que justifica o fato de não querermos acompanhar a presidência e a direção do partido quando faz esse movimento em direção às oposições.
 
E quando o senhor fala sobre discriminação pessoal, o que o senhor quer dizer? Desde quando isso acontecia?
 
Quanto à grave discriminação pessoal, ela sempre existiu e eu sempre fui vítima dela em inúmeras situações e sempre fui tratado e deixado inteiramente à margem de todas as decisões partidárias. Para se ter idéia, eu sou filiado em João Pessoa, mas não faço parte do Diretório Municipal. Já o Diretório Estadual, nem sonhar. A Comissão Provisória da minha cidade, Souza, onde sou o deputado federal mais votado, meu filho Leonardo Gadelha é o deputado estadual mais votado e meu irmão era o prefeito, para conseguir essa Comissão do partido, foi uma negociação sofrida, que durou mais de dois anos e, ainda assim, tivemos que deixar a metade dos cargos com os nossos adversários porque a direção do partido exigiu isso. 
 
Quais as outras esferas aconteciam também esse preconceito por parte do partido?
 
Participação no programa eleitoral do partido eu nunca tive. Nem mesmo um segundo na televisão que tenha sido concedido pelo partido. Participação na administração também zero. Nunca tive o direito de qualquer ingerência. E , ao contrário, sempre consagrei à prefeitura um tratamento muito especial da minha parte. Eu coloquei verbas vultosas como, por exemplo, para a Estação Ciência e para a construção de um teatro para a cidade de João Pessoa. Sempre pagamos religiosamente em dia o dízimo partidário.
 
E o que era pior, esta discriminação ou a mudança das diretrizes do partido?
 
Agora, digo que essa discriminação até se podia tolerar, embora fosse difícil. Mas, a mudança de atuação programática do partido, esta é inconciliável com a nossa história e com a nossa tradição. 
 
Qual a sua expectativa para os próximos passos desta decisão?
 
Eu confio muito na justiça, eu confio muito na apreciação serena dos fatos, eu confio no meu direito e acredito que, ao final, quando nós apresentarmos as provas, vai se verificar que nós preenchemos aqueles requisitos pelos quais a resolução faculta a mudança de partido.

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