Maranhão e Ricardo fazem debate repleto de acusações na TV Clube

O debate promovido na noite desta quinta-feira, 14, na TV Clube, entre os candidatos ao Governo da Paraíba, José Maranhão (PMDB) e Ricardo Coutinho (PSB) foi tão acirrado quanto as militâncias de ambas as coligações esperavam. Especialmente nos terceiro e quarto blocos, em que os adversários tiveram oportunidade de fazer perguntas entre si, o clima esquentou e não faltaram acusações,críticas e provocação, além de momentos de irritação.

O primeiro a indagar, no terceiro bloco, foi Ricardo Coutinho. Ele quis saber o que o governador achava da campanha difamatória deflagrada contra si, acusando um suposto pacto com o diabo em um vídeo divulgado pela Conexão 15, ala jovem da Coligação Paraíba Unida. O socialista ainda citou outras acusações que estariam sendo difundidas contra ele, como a intenção de promover demissões e fechar órgãos governamentais como Cehap e Ipep.

– Eu sou cristão, sou católico e tenho um profundo respeito pelas religiões, pelas igrejas. Por isso mesmo, não quero fazer qualquer tipo de apreciação sobre questões religiosas que são de foro íntimo. O que eu devo dizer… já terminou, né? Então, me atrapalhou todo porque acendeu o azul. Devo dizer que não tenho nada a ver com essa questão a que você se referiu porque eu respeito a liberdade religiosa de todas as pessoas e o estado brasileiro é laico. Eu tenho uma profunda relação funcional e pessoal com todas as igrejas. Aliás, somos parceiros das igrejas em vários convênios da área social. Falou-se sobre o combate às drogas, a recuperação de dependentes e nossos parceiros são as igrejas tanto católicas quanto evangélicas, que admiro muito pela dedicação às causas sociais. Então, a minha participação nesta questão das parcerias com as igrejas é fundamental. As religiões trabalham sob a inspiração espiritual. O serviço público, por mais eficiente que seja, muitas vezes, não tem a mesma eficiência que aqueles dirigidos pelas religiões porque esses têm uma energia maior, espiritual.

Ricardo fez a réplica:

– Eu acho que é preciso levar em conta o oitavo mandamento que diz "Não levantarás falso testemunho contra o próximo". A sua Juventude, a dita Conexão 15, começou com isso na internet, divulgando um vídeo onde me acusavam dessas coisas todas. A sua Juventude. Além disso, a impressão dos panfletos foi feita numa gráfica contratada pelo Estado da Paraíba na sua gestão e que a Polícia Federal apreendeu os panfletos e prendeu o dono, dois filhos e um funcionário. Esses panfletos percorreram a Paraíba como um todo e não andaram sozinho, não. Não sai panfleto pegando ônibus ou voando para poder descer nas igrejas ou nas casas das pessoas. É preciso ter ética. Não pode valer tudo numa disputa. É preciso observar que as pessoas querem saber de outra coisa e não de mentira. Sou trabalhador, sou servidor público. Como é que eu vou demitir ou perseguir servidores? As demissões e perseguições ocorreram agora. Foram mais de 4 mil pessoas demitidas. E a contratação do triplo disso. Acho que é preciso manter o nível e eu, particularmente, tenho essa postura de manutenção do nível e espero que ele se mantenha.

Na tréplica, José Maranhão declarou:

– Candidato, você começa citando a Bíblia. É preciso ter cuidado. Acusar a título de se defender não é uma boa técnica. Em que medida os nossos jovens da Conexão 30 estariam envolvidos nisso? Eu repudio este tipo de acusação que não tem o menor fundamento. Se defenda! Se acusações podem estar pesando contra você, já disse que não tenho nada a ver com isso e nem tomo conhecimento disso. Agora, o que posso dizer é que sua defesa não deve envolver acusação a inocentes. É preciso nominar as pessoas. Não se pode fazer acusação indiscriminada, dizendo que foram os jovens da Conexão 30. Não foi nenhum jovem da Conexão 30. Eu tenho a certeza absoluta de que nenhum jovem foi envolvido neste processo e salvo prova em contrário eu vou continuar dizendo que os jovens da Conexão 30 não têm nada a ver com essa infâmia, com esse boato. Agora, eu peço ao candidato adversário que não recorra a esse expediente para se defender. Se defenda, é natural. O direito à defesa é o mais sagrado…

Na sequência, foi a vez de José Maranhão perguntar a Ricardo Coutinho e ele pediu que o socialista dissesse como votou em 2006 para governador e explicitasse a razão da mudança:

– Antes, em 2006, todos os meus atos, os meus programas de governo, eram bons e aprovados pela sua pessoa. Hoje, nada do que eu fiz presta ou serve. Quando você estava falando a verdade? antes ou agora?

Ricardo respondeu:

– Se seu programa era bom porque eu participei dele, junto com diversas outras pessoas que acreditavam que aquilo que o senhor estava dizendo, que adotaria políticas públicas consistentes, que daria um choque de democracia na Paraíba, que implantaria o Orçamento Democrático, que criaria um programa de geração de renda como eu criei na Prefeitura o Empreender, nós acreditávamos que aquilo era verdade, mas não. O senhor assinou um papel como assinou em 2006 perante a polícia militar e registrou em cartório e não cumpriu absolutamente nada daquilo que registrou em cartório e da mesma forma o senhor assinou um programa e não conseguiu e nem quis colocar em prática. Eu comecei a discordar do senhor exatamente no momento que o senhor assumiu o governo porque ali o senhor deu a grande guinada. A guinada do poder pelo poder, da perseguição aos aliados, da interferência indevida entre os partidos políticos, até aqueles que participaram das eleições, como fez com o PT de forma escandalosa, como tentou fazer com o PSB e fez com o PSB, fazendo cooptações, utilizando a máquina do Estado para poder retirar parlamentares e semeando um pânico, intriga e divisão. O senhor só vive de divisão, o senhor só quer saber de intriga. Eu não quero saber de divisão nem intriga. Eu quero saber de futuro e de um projeto que faça a Paraíba andar para a frente. Não é possível a gente olhar todos os nossos vizinhos se desenvolverem e a Paraíba não sair do canto. Está escrito onde que tem que ser assim? É importante que o senhor reconheça publicamente que neste período todo o senhor teve 10 anos. Uma década para fazer alguma coisa e o senhor não apresentou.

Maranhão teve a réplica:

– Mais inverdades, mais inverdades. Quando foi que eu fiz qualquer tipo de cooptação para o candidato da oposição perder o apoio de três deputados estaduais, alguns suplentes e dois federais do partido?  São homens íntegros e de bem. Não fiz nenhuma cooptação. Simplesmente, o candidato deu de bandeja esses políticos ao PMDB e a outros partidos que estão me apoiando porque não soube conviver democraticamente com as diferenças, com aqueles que pensam diferente. Há um exemplo notório de Nadja Palitot, uma mulher extraordinária, valente e inteligente que abriu os espaços na época do seu partido, o PSB, para acolher o candidato adversário no momento que ele deixara o PT. E quando ele entrou, a primeira coisa que fez foi afastar Nadja Palitot impiedosamente. Isso é que é cooptação pela violência, pela truculência, pelo autoritarismo. E essa feição, candidato, você não pode dissociar da sua personalidade. Está muito impregnada no seu modo de proceder.

A tréplica foi de Ricardo Coutinho:

– Talvez a única coisa que o candidato do PMDB, dos 10 anos, tenha a dizer em relação a mim é tentar impregnar a pecha de que eu não sei conviver. Como eu não sei conviver se eu formato alianças? Como eu não sei conviver se essas alianças são feitas em cima de um programa de governo? como eu não sei conviver se eu tenho um grupo político que me acompanha de muitos anos. O senhor, não. O senhor tem sua família. O senhor pega seu sobrinho e sua sobrinha e bota para serem candidatos, atropela seus aliados como fez em Santa Rita com o deputado federal Quinto. Atropela em todos os outros municípios para poder somente somar para si e para os seus, para aqueles que têm o mesmo sobrenome. Eu não faço dessa forma. Eu tenho outro estilo e uma outra posição. Agora, só falta o senhor dizer que as pessoas abandonaram o PSB por conta de seu programa de governo porque é querer achar que a população da Paraíba é completamente ingênua e não é. É preciso estabelecer uma coisa com muita honra: eu entrei no PSB pelas mãos de Miguel Arraes, o velho Arraes e pelas mãos de Eduardo Campos. Cumpri com meus compromissos como eu faço na minha vida. Você não encontra ninguém que diga que Ricardo não cumpriu um compromisso. Essa é uma diferença entre nós.

De acordo com as regras do debate, a próxima pergunta foi feita por Ricardo Coutinho a José Maranhão:

– Eu quero voltar ao tema da PEC 300 e é uma oportunidade para o senhor tentar nos convencer que é sério aquilo. Primeiro por tentar dar um reajuste em pleno período eleitoral, ignorando todas as leis que dizem que isso não é possível. Segundo, dizendo que a economia da Paraíba vai melhorar e vai dar para pagar esse impacto. Eu queria perguntar e o senhor diga para a Paraíba qual é o impacto financeiro da PEC 300, dessa proposta que o senhor sacou no 2º turno e não lembrou dela no 1º turno. Qual é o impacto na folha de pessoal e em quanto está hoje o percentual da folha de pessoal em relação à receita corrente líquida?

Maranhão respondeu:

– Eu quero dizer que a situação fiscal da Paraíba não é melhor no presente pela herança que recebi do grande aliado do meu adversário. O mesmo aliado que no passado ele vergastava com as expressões mais pesadas em relação ao seu governo, às atitudes. Essa herança eu recebi e quando me colocaram essa herança na mão, tinham a impressão que o governo ia se inviabilizar pelos encargos. Era uma casca de banana. E eu entendi claramente o que se estava fazendo e me apliquei para honrar os compromissos  da legislação que foi feita pela Assembleia Legislativa do Estado, não obstante a forma como tinha sido feita. Estou pagando religiosamente em dia, como sempre paguei, sem forçar o servidor público a recorrer a empréstimo de qualquer natureza. Eu repilo a insinuação de que nós temos nomeado em excesso. Quem nomeou em excesso foi a Prefeitura Municipal de João Pessoa na sua gestão, proporcionalmente. O comprometimento da folha da prefeitura com pro-tempore e cargos comissionados é muito maior que na Paraíba, no Governo do Estado, proporcionalmente. Não é novidade. Está no Sagres, que é o site do Tribunal de Contas do Estado. Quem quiser, é só conferir. Não vejo nenhuma razão para estar lhe dando muito mais explicações sobre questões que você não está interessado em saber.

Ricardo disse, na réplica:

– Não é a mim que o senhor tem que dar explicação. É à Paraíba. Simplesmente, à Paraíba. Porque o senhor lançou uma proposta, com todo respeito, demagógica e eleitoreira e eu acabei de provar isso. Eu perguntei ao senhor qual era o impacto. O senhor não sabe qual é o impacto, por incrível que pareça. o senhor lançou uma proposta no guia eleitoral, fez uma reunião com seus coronéis, que lhe apóiam, e saiu pelos quartéis dizendo que pagaria a PEC 300 e não se prepara para chegar no debate e ter diante de si uma pergunta destas. O senhor não sabe qual é o impacto desta proposta, que o senhor não pagará, evidentemente, e não pode legalmente porque não tem dinheiro para isso. Se o senhor não sabe, eu vou lhe dizer. São 62 milhões de Reais. Isso corresponde a 31% da folha atual que está em R$ 201 milhões. E esses R$ 50 milhões que cresceram na gestão de um ano e sete meses do atual governante, cresceu justamente com os prestadores de serviço, que passaram de R$ 9 milhões para R$ 15 milhões e depois R$ 20 milhões e também cresceu nas gratificações graciosas. o senhor não pode enganar a Paraíba e com todo o respeito eu lhe digo isso. O senhor traz uma proposta que nem o impacto financeiro o senhor está preparado para dizer porque não sabe e, portanto, não vai cumpri-la.

A tréplica de Maranhão foi a seguinte:

– É bom que essas coisas aconteçam para a gente ver quem está favorável à melhoria salarial dos servidores e quem está contra. Quem está contra, saca qualquer número, arbitrariamente. Esse número que você está sacando, de R$ 60 milhões, não é verdadeiro. O número verdadeiro vai aparecer na mensagem que estamos remetendo à Assembleia Legislativa e que se comporta dentro dos limites do crescimento da receita que está prevista desde a proposta orçamentária que já apresentamos à Assembleia, na forma da lei. Esse crescimento, que é em torno de R$ 700 milhões, financiará completamente o aumento decorrente da PEC que estamos apresentando para melhorar a situação salarial da PM, policiais civis, agentes penitenciários, ativos e inativos. Essa é a proposta e eu não vou abrir mão dela porque é um ato de justiça. Nós tínhamos negociado uma parte deste aumento e agora ele se completa com a medida, como o projeto de lei que vamos encaminhar à Assembleia.

O debate da TV Clube foi mediado por Napoleão de Castro e teve apresentação de Eliane Nóbrega.

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