Adriana Crisanto

Jornalista profissional (DRT/PB n. 1455/02-99). Especialista em Jornalismo Cultural, mestre em Serviço Social (C.Política) pela Universidade de Salamanca e Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com atuação na imprensa local.


Lá vem Pacarrete… “Forte como um mandacaru”

Depois de ser ovacionado no Festival de Gramado de 2019, o longa-metragem “Pacarrete” finalmente chegou às telas paraibanas no dia 26 de novembro. Em cena Marcélia Cartaxo, uma das melhores atrizes paraibana, que sempre esteve em perfeita forma artística, desde 1985, quando estreou no cinema com o filme “A Hora da Estrela” e ganhou o urso de prata de melhor atriz do Festival de Berlim.

“Forte como um mandacaru” ela ressurge plena no filme dirigido pelo cineasta Allan Deberton, que tirou das suas memórias de infância, na cidade de Russas (CE), e resolveu contar no cinema a história de vida de Pacarette, uma bailarina que era chamada de “louca” e vivia numa cidade pouco conhecida chamada Russas, localizada geograficamente entre o Riacho Araibu, que é um afluente do Rio Jaguaribe, e a Lagoa da Caiçara, no Ceará, que serviu de cenário natural para a produção.

No filme Pacarrete é uma professora de dança aposentada, que vive com a irmã Chiquinha e uma empregada chamada Maria. Ela é ranzinza e tem mania de limpar a calçada e brigar com quem passa. O sonho dela é ser uma bailarina clássica e estrelar na cidade de Russas em uma grande festa. Para isso ela manda confeccionar uma nova roupa de bailarina e tenta convencer aos produtores da prefeitura que seu show será o melhor. No entanto, a população não se interessa nenhum pouco por esse tipo de apresentação, o que causa furor na personagem.

O elenco conta ainda com outra atriz paraibana de excelência, Zezita Pontes Matos, que interpreta a irmã de Pacarrete, Chiquinha, e com outra paraibana Soia Lira, que encena Maria, a empregada que vive de briga com Pacarrete. O trio em cena carrega as expressões e termos usados nas cidades do sertão. A variação dos termos pontua toda a dinâmica do filme. No elenco tem ainda a presença do baiano João Miguel, Rodger Rogério (Bacurau), Débora Ingrid (A História da Eternidade), Samya de Lavor (Inferninho) e Edneia Tutti Quinto. O diretor também contou com a participação dos atores da cidade de Russas. O elenco foi preparado por Christian Duurvoort (Ensaio Sobre a Cegueira, O Banheiro do Papa).

O filme ao mesmo tempo que diverte traz aspectos psicossociais que nos faz repensar nos sentidos da vida, como a velhice, a soberba, o abandono, os desafios da arte e a loucura. Sim Pacarrete era tida como a louca que gritava praça pública, quando na verdade tinha o único sonho de ser bailarina em um grande espetáculo. O nome Pacarrete, em francês, significa Margarida, mas segundo o diretor pode significar um estado de espírito.

Pelas mãos de Allan Debreton o filme faz também justiça a Pacarrete, pois a coloca aonde ela deveria estar, nos palcos com todas as luzes e holofotes possíveis. Parabéns Marcélia, Soia, Zezita, Miguel que ajudaram a dar vida ao filme. E salve Pacarrate que agora virou estrela no céu e nas telas do cinema.

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