Istoé destaca o drama da paraibana Luíza Erundina

A revista Istoé desta semana circula com uma matéria na qual aborda o caso da paraibana Luíza Erundina. Na semana que passou, ela participou de um evento promovido por seus amigos para arrecadar dinheiro e ajudar a pagar uma dívida de R$ 350 mil imposta por uma decisão do Supremo Tribunal Federal.

A hoje deputada federal pelo PSB tem até meados do ano que vem para devolver aos cofres municipais cerca de R$ 350 mil. Ao contrário de muitos de seus antecessores, Erundina não está sendo acusada de desvio de dinheiro, fraude em licitações ou superfaturamento de preços. Seu crime foi ter impresso cartazes explicando à população que os ônibus municipais de São Paulo não circulariam nos dias 14 e 15 de março de 1989 em apoio a uma greve geral convocada pela Central Única dos Trabalhadores e Central Geral dos Trabalhadores.

Confira a matéria completa:

No dia 30, a ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina completa 75 anos de idade, 51 deles dedicados a uma vida política repleta de altos e baixos que a levou, no fim da década de 1980, a se tornar a primeira mulher a comandar a cidade de São Paulo. Após cinco décadas ocupando ou disputando cargos públicos, agora Erundina foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal por malversação de recursos públicos. De acordo com a decisão do STF, a hoje deputada federal pelo PSB tem até meados do ano que vem para devolver aos cofres municipais cerca de R$ 350 mil. Ao contrário de muitos de seus antecessores, Erundina não está sendo acusada de desvio de dinheiro, fraude em licitações ou superfaturamento de preços. Seu crime foi ter impresso cartazes explicando à população que os ônibus municipais de São Paulo não circulariam nos dias 14 e 15 de março de 1989 em apoio a uma greve geral convocada pela Central Única dos Trabalhadores e Central Geral dos Trabalhadores. A greve havia sido convocada em protesto contra o "Plano Verão", uma das últimas tentativas do então presidente José Sarney de salvar o Plano Cruzado. A ação, que corre há mais de 20 anos, foi encerrada. Não cabe mais recurso à ex-prefeita.

Erundina é quase uma exceção no sombrio universo político brasileiro. Independentemente de suas posições ideológicas, a ex-prefeita nunca teve em seu currículo escândalos de corrupção, tão comuns no País. Talvez uma das maiores provas disso sejam os parcos bens que Erundina acumulou ao longo de sua vida: um apartamento simples de 80 metros quadrados na zona sul de São Paulo e dois carros populares – um Palio 97 e um Gol 2004 – bastante rodados. Sua situação é bem diferente da de alguns de seus antecessores na Prefeitura de São Paulo. Paulo Maluf, por exemplo, que acumula acusações de desvio de recursos milionários, tem cerca de R$ 40 milhões em bens, de acordo com o Supremo Tribunal Federal. Celso Pitta, ao final do mandato, acumulava acusações de desvio de verbas e irregularidades na gestão pública envolvendo mais de R$ 3,5 bilhões. Jânio Quadros, que antecedeu Erundina, ainda tem dinheiro escondido que nem mesmo sua família sabe onde está – recentemente os herdeiros do ex-presidente saíram em busca de US$ 20 milhões que estariam perdidos na Suíça.

Na segunda-feira 9, a provável mais pobre ex-prefeita de São Paulo contou com a ajuda dos amigos para não ter que vender seu apartamento e os dois carros para quitar suas dívidas com a Justiça. Um grupo de amigos organizou um jantar em homenagem à deputada federal. Cerca de 350 pessoas compareceram e pagaram R$ 100,00. O jantar rendeu cerca de R$ 35 mil à ex-prefeita, ou 10% da dívida.
 


Istoé

 

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