Início do Paraibano é adiado e comissão vai avaliar jogos sem torcida

Foi adiado para o próximo dia 12 de janeiro o início do Campeonato Paraibano de Futebol que estava previsto para o dia 5. A mudança foi decidida em reunião promovida pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), na manhã desta segunda-feira (30), na Sala de Sessões localizada no prédio da Procuradoria Geral de Justiça, em João Pessoa, devido à falta de segurança dos estádios que estão passando por obras.
 
Também ficou decidido que uma comissão menor formada por representantes do MPPB, da Federação Paraibana de Futebol (FPF), Polícia Militar, Associação dos Cronistas Esportivos, Ordem dos Advogados (OAB), Corpo de Bombeiros, Secretaria de Estado de Juventude e Esporte (Sejel) e Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado (Suplan) vai se reunir na próxima sexta-feira (3), às 9h, na sede da Procuradoria-Geral de Justiça para discutir, caso a caso, a realização das partidas nos estádios em obras, inclusive, analisando a possibilidade de serem realizados jogos – inclusive clássicos – sem torcida.
 
A reunião com diversos órgãos foi convocada pelo procurador-geral de Justiça, Bertrand Asfora, para tratar sobre o impasse gerado pelo conflito existente entre o cronograma do Campeonato Paraibano de Futebol e o cronograma da realização e conclusão das obras nos estádios. 
 
Ele deixou claro que a principal preocupação do MPPB é com a segurança dos torcedores. “A ideia da reunião é centralizar as ações de todos os órgãos envolvidos na questão para encontrar uma solução para o problema. Queremos evitar o que aconteceu em Santa Catarina. O desejo de todos é que o campeonato se realize, mas desde que se garanta a segurança das pessoas”, enfatizou. 
 
O procurador de Justiça e coordenador da Comissão Permanente de Combate e Prevenção à Violência nos Estádios do Estado da Paraíba, Valberto Lira, foi categórico ao falar que os estádios Marizão, localizado em Sousa, e Perpetão, localizado em Cajazeiras, inspecionados nos últimos dias 26 e 27 de dezembro, não têm condições de sediar as partidas de futebol e chegou a defender o adiamento do campeonato.
 
Já o promotor de Justiça e coordenador do Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial (Ncap), Marcus Leite, disse que, em Campina Grande, há quatro inquéritos policiais de homicídios envolvendo torcidas organizadas e alertou sobre a violência e sobre a necessidade de segurança nesses eventos esportivos.  
 
Representantes do MPPB e da Polícia Militar, defenderam a necessidade de instalação das catracas nos estádios e da adoção de medidas para que sejam identificados os torcedores.
 
Jogos sem torcida – Representantes da Polícia Militar chegaram a sugerir o adiamento do campeonato ou a realização de jogos sem torcida, nos estádios onde não há condições de receber torcidas, mas que têm condições adequadas no gramado para realizar os jogos.
 
Eles também argumentaram que, em João Pessoa, não há condições de serem realizados grandes clássicos, devido à insegurança dos estádios que passam por obras. “Estamos em um ano atípico e em situações atípicas, deve haver exceções. O Estatuto (do Torcedor) é claro e impõe obrigações e necessidades. Se ocorrer algum incidente, pessoas vão responder e eu não quero responder por negligência”, enfatizou o comandante do Policiamento Regional Metropolitano, Coronel Jefferson Pereira da Costa e Silva.
 
A PM também lembrou o descumprimento por parte do Botafogo da recomendação expedida este ano pela Comissão Permanente quanto à capacidade máxima de torcedores no estádio Almeidão, o que gerou vários transtornos e problemas aos torcedores. Segundo a corporação e o Corpo de Bombeiros, o estádio ficou superlotado na final do Campeonato Brasileiro pela Série D, realizada no dia 3 de novembro, entre o Botafogo-PB e o Juventude, do Rio Grande do Sul. 
 
De acordo com a presidente da Federação Paraibana de Futebol (FPF), Rosilene Gomes, desde o ano passado, ficou decidido junto à Federação Brasileira de Futebol que o Campeonato Paraibano deve ser concluído até o dia 13 de abril. “Temos a Copa do Nordeste que se inicia no dia 19 de janeiro a 23 de fevereiro, onde vamos ter a participação do Botafogo jogando com o Esporte de Pernambuco no dia 19 de janeiro, em João Pessoa. Se o estádio não estiver liberado, será um problema sério, tanto financeiro como com o estado de Pernambuco”, contrapôs.
 
Representantes dos clubes destacaram que as duas soluções apontadas inviabilizam os clubes e geram grande prejuízo financeiro.
 
Já o representante do Governo do Estado disse que o Estado se dispôs a realizar as obras e está realizando essas obras nos estádios, conforme determina o Estatuto do Torcedor, mas argumentou que elas não podem ser atrasadas e prejudicadas por causa do cronograma dos jogos do campeonato. 
 
Participantes – Participaram da reunião representantes do Corpo de Bombeiros, Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-PB), Polícia Militar, da Sejel e Suplan, da FPF, de clubes de futebol, da Prefeitura de João Pessoa (responsável pelo Estádio da Graça) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PB).
 
Além do procurador-geral de Justiça, Bertrand Asfora, e do coordenador da Comissão Permanente de Combate e Prevenção à Violência nos Estádios, Valberto Lira, estiveram presentes os promotores de Justiça Ismael Vidal, que coordena do Centro de Apoio às Promotorias de Justiça de Defesa do Consumidor, as promotoras de Justiça Mariana Neves e Carmem Eleonora Perazzo (de Sousa e Patos, respectivamente), o coordenador do Ncap em Campina Grande, Marcus Leite, o coordenador das promotorias de Justiça Criminais, Osvaldo Lopes e o coordenador do Grupo de Atuação contra o Crime Organizado (Gaeco), Octávio Paulo Neto. 

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