Marco Lima

Marco Lima tem graduação em Educação Artística, com habilitação em Música, Especialista em Educação Infantil e Mestre em Serviço Social (UFPB), tendo como área de Pesquisa a Educação Inclusiva de Pessoas com Deficiência Visual. Atua como Professor de Música no Instituto dos Cegos da Paraíba Adalgisa Cunha. Presidente da Federação Espírita Paraibana, foi co-fundador do Grupo Acorde.


Honrar é Amar – Dialogando sobre a Família à luz do olhar Espírita (Parte II)

Para aprofundamento do estudo do 4º mandamento, Honrai a vosso pai e a vossa mãe, Allan Kardec, dedica capítulo XIV do livro Evangelho Segundo o Espiritismo, utilizando-se dos textos extraídos dos evangelhos sinóticos de Marcos, 10;19; Lucas, 18:20 e Mateus, 19:18-19, “Sabeis os mandamentos: Não cometereis adultério, não prestareis falso testemunho; não fareis agravo a ninguém; honrai a vosso pai e a vossa mãe”. Este mandamento divino encontra-se no decálogo, em Êxodo, 20:12, com o seguinte texto, “Honrai vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na terra que o Senhor vosso Deus vos dará”.

Podemos inferir dos textos citados, a importância da aplicabilidade do mandamento Honrar pai e mãe na cultura judaico-cristã. Toda dedicação que os filhos receberam dos pais, deverá ser retribuída igualmente aos seus genitores, simples assim. No entanto, na vida cotidiana nem sempre ocorre essa reciprocidade de afetos e respeito. Observamos muitos pais já cansados das lides da vida, submetendo-se as diversas situações constrangedoras por parte dos filhos num flagrante de ingratidão. Conforme instrução de Santo Agostinho, contida no Evangelho Segundo o Espiritismo, a ingratidão é um dos “frutos mais imediatos do egoísmo e revolta sempre os corações honestos. Mas, a dos filhos com relação aos pais tem caráter ainda mais reprovável”.

Honrar, significa, amar, respeitar, cuidar, proteger e obedecer, portanto é um dever sagrado que se estabelece entre pais e filhos reciprocamente. Um sentimento de afeição deverá ser estabelecido em relação aos que oportunizaram a nossa (re) encarnação nesta existência e por tudo que ela representa para a nossa evolução espiritual.

Compartilharei uma experiência pessoal muito significativa para mim. Tive oportunidade na época que participava da juventude da Federação Espírita Paraibana, de conhecer a Colônia Getúlio Vargas, o Leprosário, no conjunto Mario Andreazza em Bayeux. Tínhamos uma visita semanal as alas feminina e masculina. Levávamos lanches, músicas, orações, mensagens e alguns produtos de higiene que eram doados através de campanhas. Conheci vários casos de verdadeiro abandono em função do estigma da doença na sociedade. Um deles foi o de D. Maria Mendes, mãe ainda muito jovem fora abandonada pela família e internada na colônia quando contraiu a lepra (Hanseníase). Confidenciou-me que foi muito difícil no início, conviver sem notícias da família, aliado ao sofrimento pela decomposição gradativa dos seus membros. Com o passar dos anos, afirmara que não nutria mais “ressentimentos”, sentia apenas “saudades” da convivência familiar. Ela ressaltou, entretanto que perdera a família consanguínea, mas Deus lhe dera outra família, as irmãs do pavilhão feminino, unidas pelos laços do espírito, nas provas e expiações reparadoras. Cenas da vida real que muito me marcou, despertou-me ainda mais para a importância da observação do mandamento Honrar vosso pai e a vossa mãe.

O Espiritismo assevera que o melhor é viver em família. Mesmo com todos os contratempos e dificuldades, decorrentes da convivência familiar, o clã é o nosso cadinho redentor. Nos ensina Joanes, no Livro Para uso Diário, psicografia de Raul Teixeira que é na “família que encontramos o cadinho especial no qual o fogo das lutas, o atrito das lides, o lixar das diferenças vão aperfeiçoando seus pares que passam a obter conquistas difíceis e vitórias impensadas”.

Ensina-nos também os Benfeitores Espirituais, que há uma causa gerando efeitos em nosso cotidiano, no entanto, não nos isenta da responsabilidade de tentar, todos os dias de nossas vidas, vencer a nós mesmos. Nós não podemos nos esquecer de que o maior objetivo de estarmos aqui é a tentativa de superação das fraquezas que tanto aborrecimento nos causam. E nós já aprendemos que não há fórmula mágica para superar nossas fraquezas. O que há é apenas o bom e velho exercício da tolerância, do respeito, da paciência e do amor, tudo isso já sabemos de cor e salteado, mas precisamos estar sempre lembrando, sempre trazendo à mente, até que, um dia, passem a fazer parte das nossas conquistas espirituais.

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