Governador faz balanço e reafirma aliança com Cássio até 2018

Entre um encontro com empresários chineses e um compromisso pré-agendado, o governador Ricardo Coutinho (PSB) recebeu o CORREIO para uma entrevista sobre o balanço dos últimos três anos de mandato e o que pretende para 2014, quando inicia o quarto ano à frente do Governo e o ano em que tentará a reeleição. Disse que, ao assumir o Governo, em 1º de janeiro de 2011, a Paraíba não vivia “um estado de normalidade”. Declara que chegou a perder apoios por não ceder a certos tipos de pressão política para que o Estado pudesse avançar. E dispara: “O Estado fazia a festa de muita gente”. Garante que 2014 será um ano de consolidação, conclusão e anúncio de obras.

A entrevista

– Na próxima quarta-feira, o senhor inicia o último ano de mandato à frente do Governo da Paraíba. O que foi planejado, pensado, desde o dia da sua posse em janeiro de 2011, que o senhor conseguiu realizar?

– É preciso ter um olhar diferenciado sobre uma questão como essa [em relação aquilo que foi pensado no ano que assumiu e o que foi feito]. A gente consegue olhar o que foi planejado e realizado, num estágio de normalidade, mas a Paraíba não vivia um estado de normalidade. A Paraíba vivia um desequilíbrio nas contas, na relação entre a folha de pessoal e a Receita Corrente Líquida, o que é extremamente grave porque inviabiliza o Estado perante qualquer tipo de financiamento. A Paraíba não tinha nenhum projeto estruturante e vinha de uma eleição muito marcada, que existe até hoje, infelizmente. Além de governar, tem que se deparar com a disputa constante. E não é uma disputa que envolva a lógica de ser situação ou oposição, é normal dentro de uma democracia, mas de tentar inviabilizar o Governo. Esse foi o quadro com o qual eu me deparei. Diante daquele quadro, eu tinha que primeiro trazer a Paraíba para o que eu chamo de regularidade. Ou seja, fazer com que o Estado cumprisse os compromissos, pagasse as suas contas, começasse a crescer sua receita própria, mesmo no cenário econômico nacional difícil que se delineou, e que reflete nos Estados e municípios, particularmente naqueles que são dependentes do repasse do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Nós conseguimos fazer esse equilíbrio. Isso não quer dizer que estamos com dinheiro sobrando, mas que o Estado abriu portas, pode investir e ter um ritmo de crescimento maior que qualquer outro no mesmo patamar que a Paraíba. Ao mesmo tempo, tivemos que começar a operar três grandes eixos de Governo que assumi como compromissos de campanha.

– Qual seria o primeiro eixo?

– O primeiro foi a democratização da gestão. A Paraíba não tem, na sua história, alguma coisa que esteja situado no campo democrático popular. Fizemos e estamos fazendo essa transição. Um exemplo disso foi o Orçamento Democrático, revigoramos as nossas conferências, sem interferência do Poder Executivo. Dei autonomia, às vezes até excessiva, porque acho que ninguém foi tão atacado quanto eu, enquanto governador. Mas acatei, calei, toquei o Estado à frente. Esse eixo da democracia participativa, mesmo que não seja de pedra e cal, fez com que o Estado ganhasse muito. Dar o direito as pessoas de fazer política, participar, fora da época de eleição. E isso é fundamental.

 – O segundo…

– O segundo eixo foi o da geração de renda. Conseguimos no terceiro ano [de mandato] chegar aos R$ 48 milhões do Empreender, colocar na inclusão produtiva, dos R$ 46 milhoes do [Projeto] Cooperar, quase que R$ 25 milhões. Estamos em curso com o programa de Desenvolvimento do Cariri e Seridó, mais R$ 100 milhões. Ou seja, o eixo que faz com que as pessoas possam, a partir do seu o esforço e com a ajuda do Estado, crescer a economia debaixo para cima.

 – O terceiro eixo seria…

– Um outro eixo, que acredito ser fundamental, é o da transição do papel do Estado. Esse também não é perceptível. Os Estados que eram profundamente dependentes, na sua economia, de um gesto ou de uma perseguição do Governo, esses talvez reclamem. Mas essa transição é essencial, pois a Paraíba se perdia na atividade meio e passou a focar na atividade fim. Focar naquilo que está fora da máquina administrativa, numa população, em que 97% não são servidores públicos, e precisa de um hospital, de uma escola, estradas, precisa de coisas essenciais para a sua melhoria de vida. Esse Governo teve a coragem de fazer essa transição, que ainda não acabou. O retrato dessa transição é hoje a Paraíba ter atingido, nesse momento, R$ 4,4 bilhões de atração de investimentos privados. Em 2010, passando pela Cinep, a Paraíba só conseguiu atrair R$ 22 milhões. Em três anos, nós assinamos com grupos empresariais privados, a vinda deles ou expansão no Estado, em torno de R$ 4,4 bilhões. Se você me perguntasse se isso seria possível em dezembro de 2010, eu diria: não. Foi um salto muito grande. Salto que vai fazer, daqui a três anos, com que o ICMS ultrapasse o FPE. É o que eu chamo de libertação econômica do Estado. Nós vamos ficar cada vez menos dependentes da União e mais dependentes da nossa própria economia. Não é a toa que a Paraíba deve fechar 2013 como o Estado que mais cresceu o ICMS no Brasil. Estamos crescendo 17%. O Governo tem tudo a ver com isso, porque ampliou o limite do Super Simples, duas vezes seguida, numa época de crise. Ampliou e normatizou os distritos industriais. Teve a capacidade de trazer três empresas de Call Center, para gerar 11.200 empregos para jovens, e até trazer estaleiro. E tem um porte que busca ter uma postura que eu digo, no melhor dos sentidos, ofensiva.

– A área de infraestrutura pública poderia ser incluída como um eixo a mais dentro das prioridades que o senhor traçou para seu Governo?

– A infraestrutura pública, essa era fundamental. A gente tinha que fazer um grande investimento para que a Paraíba ficasse numa condição básica de atendimento às necessidades da população. Eu fiz isso sob fogo serrado. O Governo que construiu mil quilômetros de estradas em três anos e vai construir mais 1.200, é alvo de uma forma inclemente de alguns setores, que focam um buraco para poder tentar fazer com que esse buraco seja maior do que mil quilômetros de estradas feitas e inauguradas em três anos. Daí você percebe o problema da má política. A boa política – situação ou oposição – não tem problema. Mas, o problema da má política é dentro do nosso Estado. Nós fizemos grandes investimentos. A Paraíba é um Estado com seus 700 quilômetros em construção de adutoras. Temos 2.200 quilômetros de estradas que ainda vamos entregar até o final do próximo ano. Esse Governo não vai deixar nenhuma cidade sem acesso por meio de asfalto. Vamos chegar a mil leitos em hospitais públicos a mais, em uma única gestão. É muita coisa, porque é muito caro fazer saúde, principalmente como fazemos aqui. Quem banca a saúde pública estadual da Paraíba não é sequer o repasse do SUS, que deveria haver, pois nós produzimos, mas que está ficando nos municípios. Quem banca é o próprio Estado.

– Educação e saúde foram pautas prioritárias para o Governo este ano?

– A educação melhorou e isso é indiscutível. E ninguém venha dizer que falta `uma reforma na minha escola´. Claro que falta. Afinal, aqui não tem nenhum mágico. Esse ano nós investimos R$ 200 milhões em escolas, entre reforma, ampliação e construção. Estamos investindo na rede escolar oito vezes mais que a média anual de cada ano anterior. São números importantíssimos. Se você chegar hoje no Estadual da Prata [em Campina Grande], que eu vou inaugurar em fevereiro, vai ver um colégio bárbaro. Se você for ao Liceu Paraibano, Olivina Olívia, Argentina Pereira, IEL e IEP – todas essas em João Pessoa -, vai ver até parque aquático e elevador. Estamos qualificando a nossa rede. Agora, tudo não pode ser feito no mesmo momento. Estamos fazendo, e acelerando ao máximo, e os resultados começam a aparecer de forma rápida. Estamos incluindo a sistemática de méritos, que é fundamental. Não posso tratar uma pessoa que se esforça muito, que estudou, que fez mestrado, da mesma forma que uma pessoa que não tem o interesse naquilo que faz, mas que por algum motivo está prestando um serviço à população. Eu tenho que diferenciar. Eu criei as bolsas de diferenciação, criei o 14º e 15º salários. Essas ações foram adotadas pelos profissionais de educação. Eles entenderam qual é o recado, a vontade do Governo. Se for olhar a saúde, o Hospital de Emergência e Trauma deixou de frequentar o noticiário negativo. E olhe que tem gente que vive em função do Trauma, que dorme e acorda pensando em colocar para baixo a pactuação que fizemos [se refere à Cruz Vermelha]. Não adianta, nós vencemos a batalha. A partir do momento que nós construímos aquela pactuação, nós colocamos até o Selo de Acreditação do hospital, que é algo difícil. Imagina você cumprir todos os protocolos de excelência para um hospital que é de urgência, emergência e de trauma ao mesmo tempo. É algo difícil e nós conseguimos. Ele é o único do Brasil com a Acreditação e, para nós, é um motivo de muita alegria. Apanhamos bastante para seguir o caminho visando apenas uma coisa: tornar o Trauma cada vez mais público. Público é quando ele pertence ao público e também quando ele atende. Abrimos o Trauma de Campina Grande e, em 10 meses, nós já tínhamos investido em mais recursos no custeio do que toda a construção e equipamentos. Porque é muito caro a saúde. Vamos levar a oncologia para o Sertão. Compromisso que estou cumprindo. Na primeira quinzena de janeiro darei a ordem de serviço do Hospital Metropolitano de Santa Rita, outro compromisso que fiz durante a campanha. Fiz poucos e estou cumprindo todos. O Estado sabe o seu papel, que não usa absolutamente nada para perseguir empresário, para inviabilizar negócios. Eu consegui trazer para setores como as polícias Militar e Civil, uma blindagem necessária, de fazer com que ninguém seja transferido porque o governador não gosta, porque o vereador ou deputado pediu. Não tem isso. Às vezes, eu perco até o apoio, mas não faço isso.

– É por isso que o senhor é tão atacado, por não se submeter a esse tipo de `troca´?

– Acho que sim. O Estado fazia a festa de muita gente e não tinha fôlego para fazer a festa e, ao mesmo tempo, para investir onde estamos investindo. Era humanamente impossível. Sou uma pessoa que, quando estou à frente e há coisas que preciso decidir, eu decido. Quando eu decido errado, eu vou pedir desculpas. E eu busco decidir sempre com critério da justiça. Posso ate errar, mas busco o critério. Vejo as pessoas dizendo: `mas é porque você não deu isso…´. Não pode. Se pudesse, eu seria o primeiro a ser ovacionado. Eu tenho, por outro lado muita gente que precisa, por exemplo, da ração para o seu pequeno rebanho, que o Estado está lá dando, se não vai embora o rebanho da Paraíba. Eu tenho que ter as prioridades. E isso, às vezes, ocasiona uma reação muito grande. E essa reação veio muito do setor político, durante esses três anos. Hoje está mais fraco, porque quando você tem ideias defensáveis, não adianta simplesmente atacar, mas sim colocar outras ideias. Quando não tem essa capacidade de colocar outras ideias, a população percebe que, quem ataca só por atacar, não tem nada a oferecer a ninguém.

– O senhor considera que ainda há injustiças por parte do Governo Federal, para com a Paraíba, no que se refere à partilha de recursos?

– O Pacto Federativo é algo que precisa entrar na pauta de mudança. Faliu, é injusto. Claro que isso não é culpa de um presidente. Mas, efetivamente, não tem mais nada a dar. É preciso reconstituir isso e com a lógica de fazer com que as regiões que mais precisam, mais tenham. Não em função daquela região, mas sim em função do Brasil. É um debate equivocado, feito muitas vezes pela imprensa do Sul e Sudeste, apontar o Nordeste como o problema. O Nordeste não é o problema, mas a solução para o País. É a grande área que o País tem para a expansão da economia e do seu consumo. Não é possível que o Nordeste cresça tão pouco porque, mesmo crescendo mais que o País nesse ritmo que teve ao longo desses 10 anos, ainda demoraria 40 anos para chegar à metade do PIB per capita do restante do País. É uma caminhada longa, mas que é preciso ser acelerada. E se acelera fazendo uma nova pactuação com a federação. Eu não posso ter simplesmente uma proposta de isonomia do ICMS, de alíquota do ICMS, entre São Paulo e Paraíba, sem que a Paraíba tenha nenhuma salvaguarda. Isso não existe. O mercado consumidor ainda é no Sudeste, porque as matérias-primas ainda estão lá. Nenhuma empresa vai vir para o Amazonas, Piauí ou Pernambuco se não tiver uma compensação. É óbvio isso.

– O que a Paraíba pode esperar nesse último ano de mandato do governador Ricardo Coutinho?

– Vamos concluir as primeiras seis escolas técnicas estaduais, que será um marco, pois vamos investir muito na profissionalização. Elas estão localizadas em João Pessoa, Mamanguape, São Bento, Bayeux, Cajazeiras e Cuité. Outras 10 estamos aguardando a negociação com o Ministério da Educação para autorizar a licitação. A construção é uma parceria entre os Governos federal e estadual, mas o custeio é nosso, e é muito alto. Mas, estamos com determinação para bancar. Não posso ter um Estado que investe em um novo ciclo de industrialização e de ampliação de sua economia e, ao mesmo tempo, não fornecer mão de obra qualificada. Uma coisa está ligada a outra. Vamos ter, a partir de janeiro, muitas inaugurações de estradas, o que promoverá o desenvolvimento da economia. Se não tem estrada, não tem como dizer que tal região está se desenvolvendo. Pode ser a região que for, tem que ter estrada, e água. Estamos com 750 quilômetros de adutoras em construção. Vou autorizar a licitação das adutoras emergenciais de Cajazeiras, Sousa e Nazarezinho agora em janeiro. A adutora de Alcantil, passando por Barra de São Miguel e Riacho de Santo Antônio, está em curso. A de Aroeiras à Gado Bravo, a de Jandaia vamos licitar com recursos próprios, a de Pirpirituba à Belém também já está em processo de licitação. A adutora de Camará já está em licitação. A de Pocinhos já está em execução. São muitas adutoras. Tem a adutora do Congo que está na terceira etapa. Estamos fazendo muito nessa área e com pouca visibilidade, é verdade. Temos muita coisa sendo feita. Estamos olhando muito para a infraestrutura do Estado. Acredito que vamos ver a chegada de mais empresas. Tem o estaleiro de reparos de navios, que está previsto para começar a operar em 2017. É uma obra estratégica para todo o litoral Norte. Penso que 2014 será um ano muito pródigo pela quantidade de coisas que foram semeadas e defendidas e, agora, estão sendo concluídas e nós estaremos entregando à população.

– Era o que o senhor esperava, entre o que foi feito, pensado e o que está em andamento?

– Eu esperava menos. Eu, sinceramente, não tinha a noção de que nós pudéssemos fazer o que fizemos. Agora, se você perguntar se é isso que eu quero, eu digo que quero muito mais. São duas coisas diferentes. Eu, com o pé no chão, achava que aquela situação que eu vi no Estado [quando assumiu], achava que nós não teríamos a capacidade de abrir as portas corretas e fazer os projetos corretos. Algumas coisas eu tenho para mim que faria de todo o jeito, como o Centro de Convenções. Tinha sido um compromisso com o trade turístico, mesmo sabendo que a grande maioria não votava comigo. Eu disse que faria nem que fosse com recursos próprios. Nunca pensei que não conseguiria fazer o Centro de Convenções, sempre pensei que conseguiria. Foi como quando eu fiz a Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes [em João Pessoa]: não tínhamos dinheiro para começar. Mas, nós vamos fazer de todo o jeito. Nós vamos ter uma Paraíba antes do Centro de Convenções e já estamos tendo outra Paraíba depois dessa obra. E isso vai ter consequência no taxista, na arrumadeira de hotel, no garçom. Isso vai dar em 51 cadeias produtivas que fazem parte do turismo. É algo muito poderoso, que muda o perfil da economia e o Centro de Convenções será a porta de entrada. Isso eu tinha colocado para mim que faria de todo o jeito e estamos fazendo e bem.

– Qual será a grande marca do governo Ricardo Coutinho ao final de quatro anos de mandato?

– Acredito que a marca vai ser desenvolvimento, inclusão social e responsabilidade. Para muita gente é difícil receber um não na política. Por respeito a grande maioria, eu aprendi nessa caminhada, a também dizer não, quando as coisas não são possíveis de serem realizadas. É uma questão de respeito, mesmo para as pessoas que não gostem de ouvir isso. Alguns saem chateados. Para mim é uma demonstração de profundo respeito. Estou dizendo a ela a verdade ao invés de enganá-la. A política sempre foi um terreno onde a enganação e a realização andavam muito próximas. Era uma linha muito tênue. Eu tentei afastar essa linha de mim, sempre. Porque eu acho que a política tem como principal aspecto a pedagogia. Ninguém, penso eu, pode fazer política sem levar em conta a pedagogia. Nós precisamos ensinar às outras pessoas alguma coisa que seja positiva, respeitosa e construtiva. Essa coisa de enganar, não se constrói nada, porque a política fica sendo um balcão de negócios. Acredito que essa questão do desenvolvimento é clara. Somos um Governo que, em 2013, pagamos R$ 1 bilhão em investimentos. Aumentamos em quase 100% o investimento que foi feito 2010, ano de eleição. É essa a Paraíba que é possível de fazer, que eu tenho um sonho e responsabilidade muito grande. Eu não penso em quantos anos terei, mas da responsabilidade, que me foi dada de governar esse Estado, num momento tão delicado. Um momento que você tinha a polícia achando que era possível uma tal de PEC 300 porque assinaram aqui dentro, um dia antes da eleição. Que maluquice! Você pega um Estado desse jeito, que o outro dizia: eu só posso apoiar com tantos mil de GAE [Gratificação de Atividade Executiva], porque recebia tantos mil. Tive que passar por tudo isso e convencer as pessoas de que não pode mais ser desse jeito. Porque desse jeito é um calvário e o fim para todo mundo. Eu poderia muito bem ser irresponsável e passar por isso, ser bonzinho, não pegar nenhuma briga ou não ver ninguém brigando comigo e tocar a política como ela é conhecida. Preferi fazer outro caminho, do respeito coletivo. Acho que as pessoas têm hoje uma confiança grande no Governo. Até aqueles que não gostam, têm confiança. São coisas distintas: eles sabem que o Governo não vai enrolar, não vai enganar. Pode até não gostar por outros motivos, por uma coisa pessoal que não andou. É perfeitamente compreensível. Mas o Governo tem credibilidade, tem confiança porque constrói a confiança. O governo tem buscado olhar a Paraíba a partir dos possíveis desequilíbrios para que se torne menos desigual.

– O senhor é pré-candidato natural à reeleição. O que a campanha de 2014 terá de diferente da de 2010?

– A campanha de 2014 será diferente porque não existe mais expectativa. Existe um trabalho realizado e me parece que a oposição não consegue, nem conseguiu, colocar alguma ideia que não seja simplesmente a negação ou destruição. Uma ideia para poder superar ou demonstrar que pode ser melhor. A oposição foi mal acostumada durante muito tempo e teve muito tempo para fazer e não fez. E esse xeque-mate é realmente difícil de ser superado. Quem teve muito tempo para fazer e não fez, não pode estar cobrando, em tão pouco tempo, de um Governo que faz muito. Qualquer indicador que você coloque, nesse pouco tempo de Governo, é melhor do que esses que muito que me criticam.

– Com relação a possibilidade rompimento com o senador Cássio Cunha Lima e uma possível reaproximação com Nonato Bandeira, o que é mito e o que verdade?

– Cássio Cunha Lima é uma grande liderança política. É um senador que tem um trabalho importante na esfera nacional. Acho que está construindo um caminho de reconhecimento perante, não só o seu partido [PSDB], mas nacionalmente. Fizemos uma aliança pensando não apenas em 2010, mas em 2010, 2014, 2018, para que a gente consolide um olhar sobre a Paraíba. Na minha percepção, isso não pode ser colocado em risco, em função de pequenas diferenças. As diferenças existem. Quem é que acha que ele é igual a mim e eu igual a ele? Claro que não. Nós fizemos uma convergência de ação, de ideia, e que precisa ser ajustada cada vez mais, e eu tenho disposição para isso. Creio que tenho um Governo que sabe o que quer, que não vive de eventos, que tem um profundo respeito do dinheiro que pertence ao povo e isso conta muito nessa caminhada que estamos fazendo e proposto a Paraíba. Eu acho que será positivo para cada um de nós, a manutenção da aliança e, se possível, a ampliação da mesma. Não tem porque não ampliar. Nós temos um DEM, PSD, o PDT, o PC do B, queremos conversar com os companheiros para que a gente formalize a nossa unidade, que é uma unidade histórica entre a gente. Alguns setores do PT que, com certeza, não ficarão com o atraso, com a lógica de autodestruição e de não querer que a Paraíba avance. Eu quero manter com Cássio a aliança, e quero torná-la mais acessível e melhor para a Paraíba. E espero que isso seja possível. Evidentemente que em qualquer cenário, o Governo não deixaria de construir tantas casas como está construindo, de fazer tantos estádios como está fazendo. Não deixaria de abrir tantos hospitais como está abrindo. Eu tenho maior respeito pelo senador Cássio e gostaria, como já expressei isso a ele, de manter a aliança, porque acho que o nosso tempo ainda não terminou. Estamos apenas no meio de uma caminhada.

E o PPS…

Em relação ao PPS, o presidente [nacional] Roberto Freire declarou e expressou a Eduardo Campos [presidente do PSB e pretenso candidato à presidência da República em 2014] o apoio. Eduardo Campos, aliás, foi a personalidade política, no Brasil, que conseguiu produzir os dois maiores feitos de 2013, que foi e entrada de Marina Silva no PSB, após não ter a Rede Sustentabilidade reconhecida pela Justiça Eleitoral. E conseguir o apoio de um partido que, historicamente, era aliado do PSDB, e hoje apoia o governador Eduardo Campos. Esse apoio é importante para todos nós e acho que deve se expressar dentro do Estado [a Paraíba], porque me parece ser esse o pensamento do presidente do PPS, Roberto Freire.       

– Qual a mensagem para os paraibanos nesse final de ano?

– Desejar a todos um grande 2014, que seja povoado de esperanças, mas também de fé. Que a gente tenha a capacidade de unir mais do que separar. De agregar valores, de respeitar o próximo e fazer da política o grande instrumento, a grande ponte, entre o desejo, a necessidade e a realização. A política deve ser coisa do povo. E que em 2014 o povo possa, mais do que nunca, fazer a defesa dessa política. Que todos possam ter um ano mais abençoado.

Correio da Paraíba

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