Governador de TO é suspeito de usar verba para comprar presente

Documentos entregues pela ex-assessora do governo do Tocantins Angela Costa Alves à Polícia Federal contêm indícios de que dinheiro público foi usado para comprar presentes para, entre outros, a mulher do governador Marcelo Miranda (PMDB), Dulce Miranda.

Além disso, há uma lista de beneficiários de um programa assistencial do governo que, segundo ela, receberam dinheiro em troca de votos na campanha de reeleição de Miranda, em 2006. Ele já responde a processo no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acusado de compra de voto e conduta vedada a agente público na eleição.

Cópias de talões de requisições de materiais e serviços da seção de compras do gabinete de Miranda, além de notas fiscais de fornecedores, que estão em poder da PF e aos quais a Folha teve acesso, relacionam compras de ternos, gravatas e calças de grife, joias, vinhos, buquês de flores e chocolates.

Entre as requisições está a 05079, sem data e com a discriminação "joia presente", no valor de R$ 6.000. Segundo o depoimento de Angela à PF, cuja cópia foi obtida pela reportagem, houve uma ordem de Miranda para que ela comprasse uma joia para a mulher, para comemorar o aniversário de casamento do casal, quando foram gastos os R$ 6.000.

Ela também cita a compra, em 2005, de um faqueiro de prata de R$ 4.600, com verba pública. Em notas entregues à PF, há requisições de R$ 148,70 a R$ 20,8 mil para compras de roupas e flores em Palmas.

No depoimento à PF, Angela disse que o programa "Governo Mais Perto de Você", criado em 2005 com o objetivo de levar serviços de saúde a moradores de cidades do Estado, "consiste em beneficiar pessoas do povo com dinheiro público". "Eram feitas doações de dinheiro em espécie para a população que participava do programa, como forma de compra de voto".

A ex-assessora entregou à PF um relatório de atendimento do programa realizado em Ananás (520 km de Palmas). Na ficha há uma relação de 98 pessoas atendidas no dia 29 de abril de 2006. Há também cópias de recibos de pagamentos de R$ 50 a R$ 380.

O programa é citado no parecer do procurador eleitoral Francisco Xavier Pinheiro Filho, que recomenda a cassação do diploma do governador.

Angela afirma que o próprio governador ofereceu R$ 300 mil para ela "se calar". Ela não foi localizada pela reportagem.

Em nota, o secretário de Comunicação do governo, Sebastião Vieira de Melo, afirma que as declarações da ex-assessora são "caluniosas e não apresentam qualquer fundamento". Diz que são "práticas exercidas pela própria depoente" e "sem qualquer comprovação" de que houve "anuência do governo". A reportagem não conseguiu falar com o governador nem com a primeira-dama.

Folha Online

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