Onivaldo Júnior

Onivaldo Júnior é formado em Jornalismo e Música pela Universidade Federal da Paraíba, com mestrado em Educação Musical também pela UFPB. Professor particular de canto, professor de Artes em duas escolas do Município de João Pessoa e maestro do Mosaico Coral.


Gerenciar seguidores… a árdua função atual dos artistas 

Foi-se o tempo em que o sucesso de um artista era medido pelo número de cartas recebidas em sua caixa postal, ou pelo número de discos vendidos, que rendiam até premiações especiais em programas televisivos. Hoje, os números que o famoso tem que gerenciar é o de visualizações em suas postagens nas redes sociais e, mais que isso, o de inscritos em seus canais virtuais.
Já começo esse texto admitindo, com certo recalque, que não sou um artista “bombado” – não, e não estou falando de anabolizantes ou suplementos alimentares para dar corpo musculoso – pois tenho apenas 1.200 seguidores em meu Instagram e menos de 100 inscritos no meu canal do YouTube, onde posto meus vídeos de ensaios, concertos e shows. Poderia dar uma de descoladão e dizer que meu público é seleto, mas nem é isso: eu, apenas, não aprendi a planejar minha carreira de cantor em função dos views, likes e follows da vida virtual. Sou, como dizem no jargão atual, um “flopado”, algum tipo de sinônimo para pessoa em decadência pessoal ou profissional.
Mas vejo, com certa preocupação, um desvio de função dos artistas que, na ânsia de gerenciar esses números virtuais, optam por escantear o próprio talento.
Não raro vemos cantores que postam dezenas de “stories” – fotos ou vídeos que duram 24 horas – no seu Instagram. Seus muitos fãs – na casa das centenas de milhar ou, até mesmo, dos milhões, querem acompanhar sua carreira: ensaios, apresentações, preparação de shows, arranjos, músicos, novos hits etc. Mas, em geral, o que eles veem são posts que marcam pessoas, lugares ou lojas de cujos serviços o tal cantor desfruta – em muitas das vezes, por meio de permuta: a pessoa famosa marca o restaurante e este abate a conta da mesa, por exemplo. Ou marca o salão de beleza e ganha o cabelo, a maquiagem e mais alguns serviços oferecidos pela casa. O chamado Public Post.
Também não é raro percebermos que, com esse tipo de metamorfose, artistas que viram blogueiros, vertiginosamente, começam a perder seguidores. Aos milhares. E, com eles, o foco da carreira. Volto ao ponto do parágrafo anterior: nem todo fã tá interessado em acompanhar a coleção de sapatos ou aquela receita de estrogonofe que o artista sabe fazer e quer mostrar nas redes.
Gerenciar números virtuais é um desafio e não há exatamente uma fórmula que garanta esse sucesso. Mas, sem sombra de dúvidas, o mundo está perdendo artistas na mesma proporção em que está ganhando blogueiros. Até quando esse é um nicho que vai dar certo? Só Zuckerberg sabe!

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