Fruticultura paraibana ganha impulso na economia local

A Paraíba ganha mais um pólo agroindustrial na região do Brejo, Curimataú e Seridó. Comemorando ótimos resultados, membros da Cooperativa Regional dos Produtores Rurais, a Coaprodes, e da Associação de Promoção Desenvolvimento Sustentável, Aprodes, em apenas três meses produziram 30 toneladas de polpas de fruta com o funcionamento da Unidade de Beneficiamento de Frutas, na cidade de Bananeiras. Uma produção que gerou R$ 74,1 mil reais nesse primeiro trimenstre.

E foi justamente essa curiosa marca de produção que levou na semana passada o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mapa, a certificar o insumo produzido com o selo de Serviço de Inspeção Federal, o SIF. O selo permite a comercialização dos produtos, ampliando a entrada em outros mercados-consumidores, o que está nos planos dos cooperados e gestores parceiros.

A princípio, a idéia embrionária do projeto era utilizar as frutas que não chegavam a ter aproveitamento para comercializá-las em feiras livres da região. Mas conforme a produção se mostrou considerável, houve a necessidade de pensar a elaboração de uma cadeia produtiva mais delineada, transformando a matéria-prima em outro derivado comercializável. Hoje 50 famílias são beneficiadas com a colheita de umbu, acerola, manga e goiaba.

Implementada esse ano, a Unidade de Beneficiamento de Frutas se demonstrou como uma alternativa eficaz para aumentar o nível de renda e qualidade de vida dos associados. A obtenção do SIF e da vistoria das exigências junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, foram os primeiros passos. O atendimento às demandas do mercado estadual e nacional são os próximos objetivos a serem atingidos.

O trabalho dos gestores parceiros como o Sebrae Paraíba, Fundação do Banco do Brasil e mais recentemente o governo do Estado referendam a importância do projeto. O Secretário Executivo de Agricultura Familiar da Paraíba, Alexandre Eduardo de Araújo, aposta no desenvolvimento do projeto como medida de desenvolvimento sócio-econômico.

"O Estado tem a obrigação de fomentar a melhoria da qualidade de vida e da agricultura familiar nessas regiões. O setor da agroindústria tem a necessidade de se tornar uma realidade na Paraíba e o Sebrae Paraíba juntamente com o governo do Estado trabalham conjuntamente para concretização desse objetivo", disse o secretário.

Mercado – Hoje, os principais clientes dessa produção são as prefeituras dos 22 municípios do compartimento e o governo do Estado, que direciona as frutas para serem consumidas como merenda escolar. A Companhia Nacional de Abastecimento, Conab, através do Programa de Aquisição de Alimentos, PAA, é outra instituição parceira que das 60 toneladas de frutas colhidas, reserva a compra de 30% pela Companhia, sendo o montante gerado convertido em doações para instituições de assistência social, como A Pastoral da Criança.

José Domingos de Amorim, ex-cortador de cana, viu no trabalho da Aproades uma alternativa de melhorar sua condição de vida e de sua família. "Antes, quando eu apenas vendia como feirante, eu vendia minhas frutas por 300 reais. Hoje, participando da Associação, eu cheguei a triplicar esse valor vendendo manga. Já cheguei a enviar 1000 caixas de frutas para a Unidade", disse José Domingos.

Com o crescimento da produção e o selo de comercialização a idéia é iniciar o atendimento para redes de supermercados, bem como abrir pontos próprios de venda. E não só a comercialização de polpas de frutas tropicais está na pauta dos produtores e associados. Há outras formas de aproveitamento desse insumo para a fabricação de doces e geléias que passam por processo de desidratação para atender demandas específicas do mercado.

Sem a inspeção federal existia o risco desse potencial não se concretizar, pois as medidas que sustentam as compras governamentais de produtos exigem certificados de procedência e qualidade, seguindo tendência do mercado.
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