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Filme argentino de 13 horas instiga a discussão sobre longas narrativas para o cinema

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Recentemente, a Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, exibiu o mais longo filme argentino já realizado no país: ‘La Flor’ (2018), um filme de Mariano Llinás. Esse longuíssimo filme foi exibido em seis partes espraiadas em sessões diárias únicas (de segunda a sexta-feira) sempre no mesmo horário no templo do cinema português. Uma narrativa assim de longuíssima duração já existiu no cinema em formato de seriado, sempre com um gancho em cada episódio para fisgar o espectador para uma sessão seguinte. Cada filme ficava em cartaz nas salas de cinema no máximo três dias para dar vez ao próximo episódio.

A aparição de novas tecnologias começou a apagar o conceito rígido de cinema não só no que diz respeito ao seu lugar de exibição (as salas de cinema) quanto à linguagem empregada. Um filme será sempre um filme, exibido numa sala de cinema ou na tela de um aparelho de TV. O casamento cinema e televisão data do surgimento desta na década de quarenta. Nos EUA, parte da produção dos estúdios tinha como destino a televisão. 

A longuíssima narrativa hoje encontrou seu lugar na televisão, mais precisamente nos streamings, com suas séries cada vez mais cinematográficas no que diz respeito à sofisticação de sua linguagem e tratamento de temas complexos com uma estrutura narrativa complexa. Diretores consagrados e aplaudidos pelo público e crítica, como David Lynch, por exemplo, se renderam ao formato televisivo e fizeram história. A série ‘Twin Peaks’, para citar uma dessa obras, lançada em 1990, trouxe ao formato uma sofisticação nunca antes vista na televisão.

É justo lembrar o feito do alemão Rainer Werner Fassbinder ao filmar ‘Berlin Alexanderplatz’ (1980) com 15h30min de extensão, concebido como um filme, mas exibido em série de 15 episódios em 1980. Alertando aqui que as séries mais recentes não dividem mais a narrativa com episódios sempre terminando num suspense (gancho) para atrair o espectador ao episódio seguinte. Os autores de ‘House of Cards’, por exemplo, organizaram sua narrativa como um filme de longa-metragem de 13 horas, o que diferencia em muito as séries contemporâneas das suas congêneres anteriores.

Voltando ao filme argentino ‘A Flor’, dirigido e roteirizado por Mariano Llinás, cujas partes variam de 80 a 180 minutos – e das quais só assisti a ‘A Flor’ (V Parte) na referida cinemateca – , o diretor argentino fez questão de estrear seu filme em salas de cinema, primeiro no Buenos Aires Festival Internacional de Cine (BAFICI) e depois no Locarno Film Festival, na Suíça. Na realidade, ‘A Flor’ é uma série de filmes com narrativas relativamente independentes, divididos e exibidos com durações diferentes, dependendo de cada sala onde é projetado, e com gêneros diferenciados em cada parte. 

O episódio ou ‘V parte’ de ‘A Flor’ é uma comédia recheada de nonsense – lembremos que Llinás é o autor de ‘Histórias Extraordinárias’ (2008) de 4 horas e 5min de duração. ‘A Flor’ levou dez anos para ser concluído e traz em quase todos os ‘episódios’ a presença, em diferentes papéis,   de quatro atrizes argentinas que integravam a companhia de teatro Piel de Lava (Elisa Carricajo, Pliar Gamboa, Laura Paredes e Valeia Correa) e que se entregaram ao projeto da produtora El Pampero Cine capitaneada pelo próprio Llinás, injetando um novo sopro ao cinema argentino. 

Experimentar narrativas dessa magnitude numa sala de cinema, obedecendo local e hora de exibição, se choca com a sensibilidade contemporânea dos espectadores acostumados a maratonar séries no conforto do sofá com o completo controle do tempo de fruição. E para quem não enxerga cinema numa série com sua miríade de episódios, distribuídos em várias temporadas, recorremos aqui a Christina Kallas*, roteirista e produtora estadunidense ao informar que “talvez o cinema esteja em toda parte. Talvez ele não seja um meio ou um formato concreto, mas um estado de espírito – que pode ser encontrado tanto em filmes quanto na TV.”

*No livro ‘Na sala de roteiristas: conversando com os autores de Friends, Família Soprano, Mad Men, Game of Thrones e outras séries que mudaram a TV, da  editora Zahar (2016)

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