Bertrand Lira

Bertrand Lira é cineasta e professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPB/Campus I
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Festival Cinépolis demonstrou o interesse do público pelo nosso cinema

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A maquinação de reunir produções paraibanas e de outros estados do Nordeste em forma de mostra no complexo de salas da Cinépolis, em três capitais nordestinas, foi da produtora  Bolandeira Arte & Filmes, responsável pelo Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro,  que entusiasmou Luis Gonzaga de Luca, diretor da Cinépolis Brasil, o maior parque exibidor do país. Durante sete dias (12 a 18 deste mês), com um longa-metragem sendo exibido a  noite em João Pessoa, Natal, Fortaleza e São Luís, o 1° Festival Cinépolis do Cinema Nordestino foi uma experiência exitosa e que deverá se repetir em outras edições.

Não temos números exatos para cotejar a quantidade de espectadores de cada filme do festival com o público presente nas outras salas da Cinépolis apreciando obras estrangeiras suportadas por enorme aparato de publicidade. Mas ficou visível que não estávamos em desvantagem, ao contrário, tivemos em média 30 a 40 espectadores nos filmes paraibanos exibidos no festival. Claro, faz-se necessário esclarecer que os filmes da programação diária da Cinépolis estão há mais de uma semana em cartaz e em mais de uma sessão diária, por isso o número de espectadores está pulverizado. 

Temos a ciência de que colocar uma produção local ou nacional num complexo de salas como a Cinépolis, sem uma divulgação de peso, é um grande desperdício. Nosso cinema tem seu nicho seguro em cinemas públicos, a exemplo do Cine Banguê do Espaço Cultural, do Cine Dragão do Mar, em Fortaleza, do Cine Pajuçara, em Maceió, do Cinema do Parque e Cine São Luiz, em Recife. São salas que exibem filmes de qualidade artística reconhecida pelo público cinéfilo e a crítica especializada, além de aclamados em festivais no Brasil e no exterior.

Em algum momento noutra coluna citei o exemplo de ‘O pastor e o Guerrilheiro’ (2022) de José Eduardo Belmonte que estreou aqui na Cinépolis com dois espectadores: Buda Lira (um dos atores do filme) e eu. No Cine Banguê, o filme encontrou o seu público. O Banguê, sala da qual já fui programador ainda na era do analógico e com seiscentos lugares, tinha exibição em película 35mm e funcionava na hoje Sala de Concertos José Siqueira, projetada originalmente para ser sala de cinema. O novo Banguê, agora com 120 assentos, tem uma programação jamais imaginada, com uma rotação de filmes brasileiros e estrangeiros de qualidade que ficam em cartaz por até dois meses.

Defendo ardentemente a multiplicação de salas públicas nos bairros com ingressos acessíveis à população para a difusão do cinema brasileiro, ou estrangeiro, com apelo de público ou não. O que importa é oferecer acesso da população ao cinema. Claro, não podemos contar apenas com essa histórica janela de exibição que só se consolidou quinze anos depois da sua invenção. Antes disso, os filmes eram exibidos em “curious halls”, lugares onde o cinema não era a única atração. Como eram filmes de curta duração, tinham de dividir espaço com bizarras atrações, como o homem elefante, gêmeos siameses, entre outros. 

Um festival como o Cinépolis do Cinema Nordestino injeta força aos filmes paraibanos porque se torna um evento com mídia espontânea na televisão e demais veículos de informação, além da sua difusão em redes sociais mobilizando, sobretudo, os cinéfilos. Igualmente é preciso enfatiza: as salas de cinema não são o único e mais importante difusor de nossa produção. Os canais de televisão aberta ou por assinatura e os streamings se multiplicaram para atender os nichos os mais variados e a exponencial produção cinematográfica mundial. No entanto, reconheço que a sala escura do cinema, com seu ritual coletivo de apreciar uma obra na tela grande, ah, isso é impagável.

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