Marco Lima

Marco Lima tem graduação em Educação Artística, com habilitação em Música, Especialista em Educação Infantil e Mestre em Serviço Social (UFPB), tendo como área de Pesquisa a Educação Inclusiva de Pessoas com Deficiência Visual. Atua como Professor de Música no Instituto dos Cegos da Paraíba Adalgisa Cunha. Vice-presidente da Federação Espírita Paraibana, foi co-fundador do Grupo Acorde.


Felizes os Misericordiosos

Bem-aventurados os que são misericordiosos, porque obterão misericórdia.

(Mateus, 5:7.) 

     

A Misericórdia é a porta de acesso à pedagogia de Deus. A pedagogia de Deus é o Amor.  Deus usa o tempo, e não a violência, para corrigir todos os erros do mundo e das suas criaturas. Navegando nessas premissas, alicerçamos a compreensão do ensinamento do Cristo em torno da felicidade que desfrutam os que são Misericordiosos. 

Garimpando o Antigo Testamento, que relata a saga do povo de Israel, encontramos várias narrativas pérolas, em torno do Perdão, da Culpa, do Arrependimento, e de que forma a Misericórdia Divina se manifesta, desde o Gênesis ao último livro do profeta Malaquias.

É relevante a contribuição do Judaísmo nesse sentido, a exemplo do Yom Kippur – Dia do Perdão.  Trata-se da mais importante celebração do Calendário Judaico, que exalta a importância do perdão ao próximo pelo mal cometido; a Deus, pelos pecados contra o Todo Poderoso. Celebrada com jejuns e orações e uma série de normas de conduta e de símbolos próprios daquela cultura, o propósito da celebração é promover o Teshuvá, ou seja, a consciência do erro e o retorno à Graça de Deus, através da introspecção, da análise de si mesmo, aumentando o nível de consciência e do arrependimento.

O Professor Leandro Karnal, no seu Livro Pecar e Perdoar, enfatiza que a busca introspectiva proposta pelo Teshuvá influenciou na elaboração das bases da Psicanálise de Sigmund Freud.

Há uma narrativa Bíblica muito ilustrativa, na qual a Misericórdia Divina é evidenciada.  Trata-se da Destruição de Nínive, a grande cidade denunciada pelos seus pecados. Coube ao Profeta Jonas, incumbido por Deus para anunciar a destruição da Cidade em 40 dias (Jonas 3:4). Ocorre que, após sua pregação, os Ninivitas voltaram atrás de seus caminhos perversos, foi quando operou o Milagre do Arrependimento e fizeram penitências, converteram-se, apenas com uma pregação do Profeta Jonas. Deus viu o que eles fizeram e, compadecido, desistiu da destruição. Evidenciamos que Deus perdoa quando existe sincero arrependimento, conforme testemunho das vozes proféticas. 

No Salmo 130, um dos mais populares da Fé Judaica Cristã, Deus é a Esperança daquele que ora, Misericórdia e Perdão. Começa falando das profundezas e termina falando de Deus no alto. Retrata a natureza humana, mergulhada na dor, no pecado, no fundo do Abismo, e a Confiança em Deus, o Pai Misericordioso. Vejamos o fragmento do Salmo:

Das profundezas a ti clamo, ó SENHOR.

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