Ex-presidente Lula se entrega à Polícia Federal

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está sob custódia da Polícia Federal. Por volta das 18h45 Lula entrou em um carro da PF e foi levado em comboio, já preso, após deixar a sede do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo. Ele será levado para Curitiba, onde vai começar a cumprir a pena no caso do triplex.

O ex-presidente teve de sair a pé do sindicato após grupo impedir passagem de carro.

Num discurso inflamado, com quase uma hora de duração, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que iria cumprir o mandado de prisão e convocou seus apoiadores a darem continuidade à sua luta política, enquanto ele estiver preso. “Vou cumprir o mandado e vocês vão se transformar em ‘Lulas’, e vão andar por esse país. Eles têm que saber que a morte de um combatente não para uma revolução. Vamos fazer a regulação de meios de comunicação para o povo não ser vítima de mentiras”, falou neste sábado (7) para centenas de apoiadores em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo (SP).

O juiz Sérgio Moro determinou, na quinta-feira (5), a prisão de Lula após a condenação a 12 anos e um mês de prisão por corrução e lavagem de dinheiro, no caso do triplex do Guarujá.

Ao falar de seu passado como sindicalista, Lula destacou que através de lutas e greves, criou um partido e virou presidente. “Na minha consciência, parte das conquistas da democracia brasileira a gente deve a este sindicato dos metalúrgicos. Foi a minha escola: aprendi sociologia, economia, física, química e aprendi a fazer muita política, porque nesse tempo as fábricas tinham 140 mil professores que me ensinavam como fazer as coisas. Vivi meus melhores momentos políticos nesse sindicato. Nunca esqueci minha matrícula: 25986, setembro de 1968.”

Lula lembrou do seu tempo como presidente: “Sonhei que era possível governar O país envolvendo milhões de pobres na economia, nas universidades, sonhei que era possível um metalúrgico sem diploma cuidar mais de educação do que os diplomados, sonhei que era possível diminuir a mortalidade infantil, que era possível pegar estudante da periferia e colocar nas melhores universidades para que a gente não tenha juiz e procurador só da elite. O crime que cometi, e que eles não querem que eu cometa mais, foi o crime de colocar pobre e negro na universidade, poder comprar carro, andar de avião, ter casa… Se esse é o crime que cometi, vou continuar sendo criminoso nesse país porque vou fazer muito mais.”

O ex-presidente também falou sobre o impacto das acusações sobre sua família. “Não é fácil o que sofrem meus filhos e o que sofreu Marisa. Anteciparam a morte dela com a sacanagem que a imprensa e o MP fizeram.”

Lula frisou que não é contra a Operação Lava Jato. “Se pegar bandido, tem que prender. Todos nós queremos isso. Quero que continue prendendo rico. Mas você não pode fazer julgamento subordinado à imprensa, porque isso destrói as pessoas, e depois o juiz vai julgar e dizer que não pode ir contra a opinião pública. Quem quiser votar com base em opinião pública, que largue a toga e vai ser candidato. Toga é emprego vitalício. Tem que votar com base nos autos do processo. Aliás, ministro não deveria dar declaração para votar. Nos Estados Unidos, ninguém sabe em quem cada ministro votou.”

Ele defendeu também o Ministério Público como instituição. “Indiquei quatro procuradores e dizia que a instituição tem que ser forte. O Ministério Público é uma instituição muito forte. Mas meninos que entram novos, por meio de concurso que pai pode pagar, eles precisam conhecer a vida, a política. Eles têm uma coisa chamada responsabilidade.”

Lula conclamou seus apoiadores a prosseguir na militância. “Vou cumprir o mandado de prisão e vocês vão se transformar em ‘Lulas’, e vão andar por esse país todos os dias. Eles têm de saber que a morte de um combatente não para uma revolução. Vamos fazer a regulação de meios de comunicação para o povo não ser vítima da mentira. Vocês vão poder queimar os pneus que tanto querem. A história vai provar que quem cometeu crime foi o delegado, o juiz que me julgou e o Ministério Público que foi leviano.”

No fim do discurso, o presidente aproveitou para agradecer aos militantes. “Não tenho como pagar a gratidão e o carinho de vocês por mim. Sairei dessa maior, mais forte, mais verdadeiro e inocente. Eles é que cometeram crime. Vou de cabeça erguida e vou sair de peito estufado porque vou provar minha inocência.”

ParlamentoPB com Jornal do Brasil

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