Marco Lima

Marco Lima tem graduação em Educação Artística, com habilitação em Música, Especialista em Educação Infantil e Mestre em Serviço Social (UFPB), tendo como área de Pesquisa a Educação Inclusiva de Pessoas com Deficiência Visual. Atua como Professor de Música no Instituto dos Cegos da Paraíba Adalgisa Cunha. Presidente da Federação Espírita Paraibana, foi co-fundador do Grupo Acorde.


Evangelho e Cidadania  ( Parte 1,  Conceitos)

Não Julgueis todavia, que, exortando-vos sem cessar à prece e à evocação mental, pretendamos vivais uma vida mística, que vos conserve fora das leis da sociedade onde estais condenados a viver. Não; vivei como os homens da vossa época, como devem viver os homens”. (O Evangelho Segundo O Espiritismo, Cap. XVII, item 10).

Revisitando o texto na obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo” de Allan Kardec, a 3ª obra da Codificação Espírita  a respeito de o Homem no Mundo, assinado por um Espírito Protetor, (Bordéus, 1863), propomos uma reflexão em torno de conceitos, como também vivências possíveis  na sociedade contemporânea, onde estamos condenados a viver, com ênfase na construção da Cidadania.

O que é ser cidadão?  De modo geral, o conceito de ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei, é ter direitos civis. É também, é participar do destino da sociedade, votar e ser votado, ter direitos políticos. Por fim, é ter direitos sociais que garantam a participação dos indivíduos na riqueza coletiva: o direito a educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde, a uma velhice tranquila, dentre outros. Portanto cidadão, para exercer sua cidadania plena, precisa ter assegurado todos esses direitos, e a luta pela conquista plena ou parcial deles representa um processo histórico, político e social posto na atualidade.

Para o Professor e sociólogo Fioran no seu artigo “O que é Cidadania?”, reforça que ser cidadão na atualidade, é poder conviver democraticamente, em uma sociedade que garanta as melhores condições para cada um e para todos, de realização pessoal e coletiva, baseado na conquista da humanidade; ter acesso a educação, à saúde, ao lazer, aos bens culturais ao convívio equilibrado com o meio ambiente respeitar o próximo e suas escolhas.

Como Conceito histórico, a cidadania pode variar em seu significado, no tempo e no espaço e muda de acordo com a história da humanidade. Da concepção dos Gregos à atualidade, ampliou-se o significado, países a exemplo dos EUA, Alemanha e Brasil, cujas legislações, estabelecem quem é ou não titular da cidadania, por direito territorial ou por sangue; como também, pelos direitos e deveres distintos que caracterizam o Cidadão, em cada um deles.

Ao longo dos últimos trezentos anos, o conceito e a prática da cidadania vêm se alternando, na dinâmica política e social de cada nação. Isso ocorreu tanto em relação à intensidade da abertura do estatuto do cidadão, no que se refere  à permissão ou recusa da incorporação dos imigrantes à cidadania, quanto ao grau de participação política nos diferentes grupos sociais, como é o caso do voto da mulher e do analfabeto e aos avanços à proteção social oferecida pelo Estado, aos que dela necessitam.

Para alguns historiadores, a cidadania se instaura, efetivamente no mundo, a partir das lutas que culminaram na Declaração dos Direitos Humanos e na Revolução Francesa. Esses dois eventos históricos romperam o princípio da legitimidade que vigorava até então, baseados nos direitos dos súditos e passaram a estruturá-lo a partir dos direitos dos Cidadãos.

No próximo artigo, iremos abordar num esforço de síntese, as lutas e os desafios para construção da cidadania  plena, que em outras palavras é o próprio Evangelho em sua expressão total. E como reflexão final, trazemos Alcíone no Livro “Renúncia”, psicografado pelo Médium Francisco Cândido Xavier, o Evangelho é “um vasto caminho ascensional  cujo fim não podemos atingir legitimamente, sem conhecimento e aplicação de todos os detalhes”.

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