Estatais ampliam quadros em 30% no governo Lula

Levadas por Dilma Rousseff (PT) ao centro do debate eleitoral, as 118 estatais controladas pelo Tesouro tiveram alta de 30% no quadro de funcionários de 2002 a 2009. A expansão dos servidores civis foi de 14% no período.

Em boa parte dos casos, os gastos com salários e encargos têm crescido mais que as receitas e os montantes destinados pelas empresas às obras e ao aumento de sua capacidade de produção.

Com o acréscimo de 112 mil contratados, as estatais chegaram perto de 482 mil funcionários, em cálculo da Folha. Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras respondem por dois terços do crescimento.

As três são também protagonistas da propaganda de Dilma que atribui tendências privatistas ao tucano José Serra.

Para seus defensores, o aumento reforça o Estado e é fruto do crescimento econômico e da substituição de terceirizados.

E-MAILS

O correio eletrônico de estatais tem sido usado para pregação de voto para a Presidência da República, apesar de a prática ser proibida.

No dia 14, circulou no mailing corporativo da Petrobras uma mensagem em defesa do voto na candidata petista Dilma Rousseff.

Destinado "aos jovens eleitores petroleiros", o e-mail chegou a diferentes Estados e inclui foto do candidato do PSDB José Serra empunhando uma arma.

No dia 21, o correio eletrônico da Eletrobrás foi usado para circulação de um e-mail sob o título "Gabrielli prova a Miriam como o Serra ia vender a Petrobrax".

No e-mail, a técnica Simone de Castro Rodrigues reproduz uma carta do presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, ao blog da jornalista Miriam Leitão.

INVESTIGAÇÃO

Petrobras e Eletrobrás informaram, por meio de suas assessorias, que o uso de correio eletrônico para fins políticos contraria as normas internas das empresas.

Ainda segundo as estatais, os casos serão investigados e os servidores estão sujeitos a sanções administrativas.

De autoria de Flavio Eduardo Tschiedel, geofísico-sênior da Petrobras, o e-mail enviado a petroleiros continha até uma foto em que Serra assistia ao naufrágio de uma plataforma. "Petroleiros, não se deixem enganar pelo tró-ló-ló do PSDB de Serra!", diz o e-mail, segundo o qual, "a cara do governo PSDB era a Plataforma P-36 inclinada a 30 graus".

"Conclamamos todos os petroleiros a eleger Dilma Presidente", encerra.

Tschiedel trabalha na Unidade de Negócios da Petrobras no Espírito Santo.

Segundo a assessoria da empresa, a prática é proibida por norma interna e "o correio encaminhado pelo jornal foi repassado à área competente, que vai apurar".

Esse não é o único caso de uso de e-mail da Petrobras a vir à tona. Na semana passada, um coordenador da Gerência de Patrocínios da estatal, Claudio Jorge Oliveira, disparou e-mails convidando "caros amigos" a participar de encontro da candidata petista com artistas.

Ele é subordinado ao petista Wilson Santarosa, gerente de comunicação da Petrobras. Indagada sobre o caso -registrado pelo jornal "O Globo"-, a Petrobras informou que "teve conhecimento" do uso do e-mail da empresa para envio de mensagens favoráveis à candidata.

A Folha tentou entrar em contato com os funcionários que enviaram e-mails, mas eles não foram localizados.


Folha Online

 

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