Estadão coloca Maranhão na lista dos que ocuparão cargo no governo Dilma

Foi com a promessa de que vai destinar um pacote de cargos para acomodar os derrotados do PMDB nas últimas eleições que a presidente Dilma Rousseff conseguiu acalmar a bancada peemedebista da Câmara, revoltada com a perda de espaço para o PT e para os senadores do próprio partido, e a cúpula do Senado, que perdeu a presidência da Eletrobrás.

 
Na quinta-feira, a presidente Dilma substituiu Carlos Nadalutti Filho por Flávio Decat na presidência de Furnas Centrais Elétricas. E ontem tirou do comando da Eletrobrás José Antonio Muniz, trocando-o por José da Costa Carvalho (conhecido como Costinha), que era da Cemig. Muniz é afilhado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e seu substituto é da cota pessoal da presidente da República.
 
O preço que o PMDB estabeleceu para engolir os "sapos" Decat e Costinha foi pago em forma de promessa pelo ministro Antonio Palocci (Casa Civil). Ele garantiu, em nome da presidente Dilma, que pelo menos cinco peemedebistas "de renome" derrotados pelas urnas vão para diretorias e vice-presidências de estatais que têm muito dinheiro para investimentos.
 
Quem encabeça a lista é o ex-deputado e ex-ministro da Integração Geddel Vieira Lima, que perdeu para o governador Jaques Wagner (PT) a disputa para o governo da Bahia. Outros que serão acolhidos pelo governo Dilma serão os ex-governadores Iris Rezende (Goiás), José Maranhão (Paraíba) e Orlando Pessutti (Paraná), além do ex-ministro das Comunicações Hélio Costa – que chegou a se insinuar como candidato à presidência de Furnas, desejo prontamente recusado pela presidente Dilma.
 
De acordo com integrantes do governo, ainda não estão definidas as posições de cada um no segundo escalão. Mas a preferência deles já foi estabelecida em cargos considerados entre os melhores, como vice-presidências da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, além de diretorias em estatais importantes como a Eletrobrás, Eletrosul e a própria Furnas.
 
"92% atendidos". Ao fazer o relato do que ocorreu num jantar entre as cúpulas do partido e do governo na madrugada de quinta-feira, o vice-presidente Michel Temer (presidente licenciado do PMDB) disse que todos saíram satisfeitos. "Houve uma composição e 92% dos pleitos do partido foram atendidos", afirmou o vice, garantindo ao interlocutor que, apesar da briga ruidosa com o PT e do descontentamento da bancada da Câmara, "não houve desprestígio do PMDB".
 
Palocci garantiu ao líder peemedebista Henrique Alves que seu afilhado Elias Fernandes ficará com a diretoria-geral do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Má notícia para o PSB do governador Cid Gomes (Ceará), que vinha manobrando para dar a um cearense o comando da empresa, sediada em Fortaleza.
 
"A conversa com o Palocci foi muito boa, o Elias Fernandes fica onde está e, com isso, já pode tocar as obras do PAC", comemorou Henrique Alves. Ele ontem voltou à fala mansa, bem diferente da quinta-feira, quando protestou aos berros contra a escolha de Decat. "O Dnocs é o órgão que mais fez obras do PAC. Não havia razão para tirar o diretor", disse Henrique Alves.
 
Outro nome incluído no pacote de negociações com o PMDB foi o do ex-senador e ex-líder tucano Sérgio Machado. Ele continuará na presidência da Transpetro, a transportadora da Petrobrás que tem R$ 2,47 bilhões para investir neste ano. Machado é da cota do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). 
 
 

Estadão
 

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