Especialista afirma que reconstrução de Camará em um ano é “precipitada”

Campina Grande – O engenheiro civil Normando Perazzo Barbosa, professor no Departamento de Engenharia da Universidade Federal da Paraíba, comentou, em entrevista à Campina FM, o anúncio feito pelo governador José Maranhão (PMDB), na manhã de ontem, a respeito da reconstrução da barragem de Camará. Para ele, que junto com mais três engenheiros da UFPB, elaborou em 2004 um relatório a pedido do Ministério Público Federal e Estadual acerca do rompimento da barragem, a reconstrução da obra em um ano, como previu o Governo, é uma atitude "precipitada".

"Se for fazer nova barragem, pode-se aproveitar o trecho existente, porém estudos adicionais e profundos devem ser feitos para assegurar a estabilidade tanto da parte que ainda existe quanto da que será reconstruída. É algo caro e tem que se dar tempo ao projeto. Não se pode fazer algo assim do dia para a noite porque a geologia local é muito complexa", disse Perazzo.

O professor de engenharia disse ainda que não é exclusividade apenas do estado da Paraíba descuidar das barragens após sua conclusão. Normando Perazzo afirmou que das duas mil barragens existentes no nordeste, apenas 30 são vistoriadas e acompanhadas de acordo com um manual elaborado pelo governo federal.

A barragem de Camará, inaugurada em 2002, foi construída em concreto rolado no leito do Rio Riachão (afluente do Rio Mamanguape) que serve de divisa entre os municípios de Alagoa Nova e Areia. Na noite de 17 de julho de 2004, a barragem rompeu após uma falha de construção, atingindo parte dos territórios e moradores dos municípios de Alagoa Nova, Areia e os sítios urbanos das cidades de Alagoa Grande e Mulungu, onde o desastre assumiu maior dimensão.

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