A vereadora Eliza Virgínia (PP) protagonizou um ato de protesto durante a sessão desta quinta-feira (23), na Câmara Municipal de João Pessoa, em reação aos processos e investigações que vem enfrentando na Justiça. Com uma fita adesiva na boca e um minuto de silêncio, a parlamentar afirmou estar sendo alvo de censura e de tentativas de silenciamento político.
“Tenho sido vítima sistemática desse patrulhamento ideológico da esquerda para tentar me calar com processos e tentativas de prisão, mas, como eu disse, não me calarei. Eu não provoco, eu reajo”, declarou Eliza, visivelmente emocionada.
O protesto ocorreu um dia após o juiz Gustavo Procópio, da 2ª Vara Cível de João Pessoa, determinar a remoção imediata de vídeos publicados pela vereadora nas redes sociais. Na decisão, a Justiça entendeu que as postagens associavam a comunidade LGBTQIA+ a práticas criminosas e reproduziam discurso de ódio.
A ação foi movida pela entidade “Iguais – Associação de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Pessoas Transsexuais”, que pede indenização por danos morais individuais e coletivos no valor de R$ 140 mil. O grupo acusa a parlamentar de ter feito declarações discriminatórias ao relacionar a Parada do Orgulho LGBTQIA+ à “obscenidade” e à “erotização de crianças”.
Durante o discurso, Eliza afirmou que já responde a cerca de dez processos, entre cíveis e criminais, e criticou o que considera uma restrição à liberdade de expressão e à imunidade parlamentar. “Essa é a atual situação do meu mandato. Nós, como parlamentares, não estamos tendo direito à nossa imunidade. Tudo que é dito aqui pode ser usado contra nós nos tribunais”, disse.
A vereadora também mencionou um processo penal no qual o Ministério Público Federal pediu sua absolvição. “No último processo, pediram 30 anos de cadeia por palavras ditas aqui, que consideraram ofensivas. Mas eu tenho fé em Deus que não serei condenada em nenhum deles”, completou.
O ato da fita na boca gerou repercussão política na Câmara e nas redes sociais, dividindo opiniões entre aliados e críticos da parlamentar. O episódio intensifica o clima de tensão no Legislativo pessoense e reacende o debate sobre os limites entre liberdade de expressão e discurso de ódio.