Onivaldo Júnior

Onivaldo Júnior é formado em Jornalismo e Música pela Universidade Federal da Paraíba, com mestrado em Educação Musical também pela UFPB. Professor particular de canto, professor de Artes em duas escolas do Município de João Pessoa e maestro do Mosaico Coral.


Elba e Mariah: encontro de gerações cheio de elegância

Elba e Mariah: encontro de gerações cheio de elegância

Nesta semana, a cantora Elba Ramalho se apresentou no Teatro Facisa, em Campina Grande, “O Relicário da Lindeza Nordestina”, um show organizado pelo grupo O Boticário, que teve muitas participações especiais. Algumas delas não causaram tanta surpresa, como Geraldo Azevedo, seu parceiro de muitos “Grandes Encontros” e “Os Três do Nordeste”, que já abriram ou encerraram algumas noites de shows de Elba pelo país afora.

O destaque, mesmo, foi para duas cantoras paraibanas cujas carreiras ganharam projeção nacional após ambas chegarem à final de reality shows musicais da Rede Globo. Falo de Lucy Alves (da segunda edição do The Voice Brasil) e Mariah Yohana (da terceira edição do The Voice Kids). Lucy e sua inseparável sanfona mantiveram elevado o nível do show, que já era espetacular.

Quando soube que Mariah fora convidada para o show de Elba, a família, despretensiosamente, decidiu ensaiar com a pequena estrela duas músicas da artista anfitriã, mesmo sem a certeza de que iria subir no palco. Achei, particularmente, esse gesto de muita elegância para com Elba, que não prometeu que haveria qualquer participação no show, mas, se houvesse, Mariah estaria ensaiada para homenagear Elba no seu palco.

Lá pelas tantas do show, a diva paraibana enalteceu as vozes das crianças que se apresentaram no The Voice Kids, convidando Mariah Yohana para subir no palco e cantar. Notei que Elba foi extremamente elegante com a pequena cantora, deixando-a livre para interpretar músicas do seu próprio repertório. Sem retorno, Mariah e a banda começaram com o pé esquerdo, mas logo estavam fazendo a plateia vibrar ao som de “Biquíni de Bolinha Amarelinha”.

A segunda música, então, foi “Bate Coração”, que Mariah fez questão de cantar com Elba. Ela mostrou que fez o dever de casa, ensaiando a canção no tom original, mesmo com a confissão de Elba de que não tem mais aquela voz aguda característica dos anos 80. Mesmo assim, as duas conseguiram interpretar “Bate Coração” de tal maneira que os corações, na plateia, bateram de amor com muito prazer, fazendo jus ao refrão da canção.

Agora, Mariah está sendo convidada para outros palcos. Quero acreditar que os demais artistas terão a mesma elegância e bom senso de Elba Ramalho, em respeitar a identidade de repertório dos seus convidados, fazendo com que eles se sintam à vontade e sem mostrar despreparos no palco, valorizando a plateia que dá vida e vigor às suas carreiras.

Muito sucesso a Mariah, a Elba! A cultura brasileira precisa desse exemplo de cortesia, admiração mútua e respeito.

Comentários