Dutra avisa a aliados que quer deixar comando do PT

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, 54, avisou a alguns aliados que pretende renunciar ao comando do partido para se dedicar a tratamento de saúde. Licenciado desde de 22 de março, ele se comprometeu a dar uma resposta sobre sua situação após a Páscoa.

A decisão final, contudo, só será confirmada depois de conversa com a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula.

Dizendo-se preocupado com seu estado de saúde, Lula visitará o amigo na segunda-feira para discutir seu futuro no partido. Dutra tem dito que não pode bater o martelo sem consultar os dois.

Emissários do dirigente, porém, informaram integrantes do governo que, diante do estado clínico, a tendência é que ele deixe o cargo definitivamente. Dutra se afastou temporariamente da presidência do PT depois de uma crise de hipertensão.

Durante o tratamento, foi diagnosticado quadro de depressão e problemas de origem neurológica. Desde então, ele passa por uma série de exames no cérebro.

A avaliação é que é muito difícil compatibilizar o tratamento com a pesada agenda de trabalho no PT.

Tanto Lula quanto Dilma demonstram grande preocupação com Dutra, que coordenou a campanha presidencial de 2010 e ocupou, sob Lula, as presidências da Petrobras e da BR Distribuidora. A presidente, porém, disse a interlocutores que ainda pretende convencê-lo a ficar.

Ano passado, Dutra formou junto com os ministros Antonio Palocci (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça) o trio de ferro da campanha petista, apelidado de "três porquinhos".

O estatuto do partido prevê afastamento temporário por até 180 dias, mas nem mesmo Dutra tem considerado a hipótese de estender sua licença. Segundo a Folha apurou, ele entende que essa instabilidade pode prejudicar a legenda.

SUBSTITUIÇÃO

Com a renúncia, o Diretório Nacional do PT deve convocar uma nova eleição.

Hoje o mais cotado para assumir a vaga é o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). Além de contar com a simpatia de integrantes do Planalto, Humberto é amigo de Dutra e sua escolha não configuraria uma ruptura com o antecessor.

Hoje quem toca a sigla é o deputado estadual Rui Falcão (SP), atual vice-presidente. Como Falcão integra uma corrente minoritária dentro da estrutura do partido, dificilmente ocupará a presidência em caráter definitivo.

Independente da decisão de José Eduardo Dutra, Dilma terá de definir se abrirá caminho para ele no Senado. Ela cogita nomear para o Ministério da Micro e Pequena Empresa o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), de quem Dutra é suplente.

 

Folha Online

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