Dom José Maria Pires diz que não tem mágoa da ditadura

O arcebispo emérito da Paraíba, Dom José Maria Pires, foi o entrevistado de ontem à noite no programa Bastidores, apresentado pelo Padre Albeni Galdino, na TV Master. Entre outros assuntos, o religioso falou da pecha de "comunista" que lhe foi atribuída por setores conservadores da igreja católica e pela ditadura militar e disse que não se incomodava com o adjetivo:

– O problema não era eu, mas sobretudo Dom Hélder Câmara. Ele dizia: Se eu dou um pão a uma pessoa carente, dirão que eu sou generoso. Se eu ensino o sujeito a trabalhar, me chamam de comunista. Nós tomávamos a defesa do povo e dávamos preferência ao povo. Quem maltratava e espezinhava o povo achava que nós éramos comunistas. Mas, éramos comunistas como Cristo foi. Ele defendeu o direito do pequeno, do pobre, da prostituta e ficou sempre do lado dos pobres.

Dom José Maria Pires também falou de sua convivência com os generais na época da repressão militar:

– Com alguns, a convivência foi realmente muito boa. Mas, de maneira geral, não tenho queixas do Exército. Toda vez que era preciso ir falar com alguns desse generais, eu ia. Não tenho mágoa. Simplesmente, quando era necessário discordar, eu discordava e chegava a discutir. Com um deles, discuti durante o dia todo quando se editou o ato que fez com eles passassem por cima do vice-presidente da República Aureliano Chaves e constituissem um triunvirato. Eu pedi uma audiência e fui dizer a ele que não iria ao desfile da Independência em protesto contra o fato deles terem rasgado a Constituição, passado por cima do vice-presidente e nomeado três generais para governar. Discutimos até meia-noite e eu disse a ele que iria para casa e não iria ao desfile. Eu protestava, mas não falava mal em público. Sabia que eles estavam cumprindo a missão deles. Eu discordava da maneira, mas eles cumpriam o dever deles e eu, o meu.

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