Dom Manoel Delson

Dom Manoel Delson cursou Filosofia e Teologia em Nova Veneza (SP) e no Instituto de Teologia da Universidade Católica de Salvador (BA). É licenciado em Letras e tem Mestrado em Ciência da Comunicação Social, em Roma, na Pontifícia Universidade Salesiana. É Arcebispo da Paraíba.


Deus não nos deixa órfãos!

A descida do Espírito Santo sobre a Igreja é celebrada todos os anos e a chamamos de Pentecostes. No Pentecostes o Espírito Santo, com o dom das línguas, revela a todos que a sua presença gera unidade e transforma a confusão em comunhão. A Festa do Divino Espírito Santo é um grande remédio contra o orgulho e o egoísmo tão frequentes, infelizmente, na pauta do dia do homem contemporâneo. Só o Espírito Santo é capaz de abater os muros que levantamos da indiferença, do ódio e da violência.

Como compreender o segredo do Amor em dias tão dolorosos, que nos foram impostos pela pandemia? A perspectiva do Amor tem tudo a ver com uma constante atitude de Deus: Ele não nos deixa isolados na orfandade. É verdade que esses dias que se arrastam no calendário de 2020 são dias frios, que nos impossibilitam de nos avizinhar das pessoas que amamos. Para o meu coração de pastor é muito doloroso não poder ver e abraçar cada um de vocês, é meu dever também não ignorar que a vida, em todas as suas circunstâncias, é um bem absoluto que devemos preservar. Como povo pela vida sofremos com esta ausência física, mas sabemos que os laços de fé que nos unem não se quebram, antes se fortalecem, pois como nos recorda S. Paulo, “o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza” (Rom 8, 26).

A vinda do Espírito Santo é uma prova concreta de que Deus jamais nos deixará órfãos. O Amor de Deus nos protege de todo isolamento e solidão. O Senhor subiu aos céus, como celebramos há uma semana, “entretanto não os abandonará, não os deixará órfãos. Enviará o Consolador, o Espírito do Pai, e será o Espírito que dará a conhecer que a obra de Cristo é obra de amor: amor d’Ele que se ofereceu, amor do Pai que o concedeu.” (Papa Emérito Bento XVI). Ele nos envia o Consolador para que atravessemos esta pandemia com a luz da fé acesa, como peregrinos. O mundo clama por este testemunho fiel do povo santo de Deus, que cada casa, cada família, cada um de nós, seja uma luz de esperança para um mundo.

Que o sopro do Santo Espírito de Deus continue enchendo a terra inteira, gerando fé no coração dos homens, tornando-os portadores da Verdade e testemunhas firmes da Unidade. Abramo-nos a esse Espírito que nos anima, mesmo em meio aos muitos desafios, e Ele continuará a nos dar força (Cf. At. 1,8). Confiemos nossas vidas à fervorosa intercessão da Virgem Maria, cujo mês de Maio dedicamos a Ela, para que obtenha à Igreja e ao mundo uma renovada efusão do Espírito Santo.

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