Angélica Lúcio

Angélica Lúcio é jornalista, com mestrado em Jornalismo pela UFPB e MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Atualmente, atua na Comunicação Social do HULW-UFPB/Ebserh como jornalista concursada.


Desistir do emprego também é um ato de coragem

Praticamente todos os dias, vejo alguém nas redes sociais (conhecido ou não) lamentando que está sem emprego, ou mesmo pedindo ajuda para encontrar uma nova vaga no mercado. Tenho até colegas que só conseguiram uma nova casa profissional após comentar, no Instagram e plataformas semelhantes, que estavam com diversos boletos atrasados e até sem dinheiro para fazer a feira ou pagar o aluguel do apartamento.

São centenas, e até milhares, as histórias desse tipo que vemos por aí. Muitas envolvendo profissionais da área de marketing, publicidade, design, jornalismo e comunicação de um modo geral. Os tempos são bicudos, eu sei. Mas conheço também quem, mesmo empregado (e até concursado) optou por sair da “zona de DESconforto”: jogou a toalha, abandonou o barco, chutou o balde. Em resumo: voltou a viver! 

Sim, há empregos e empregos. E nem todos merecem sua criatividade, expertise, dedicação. Você, leitor, pode argumentar comigo: “Mas todo lugar é assim! Nunca vai existir um local ideal de trabalho! Como alguém ‘ousa’ pedir demissão e desistir num tempo desses?”      

Aprenda: desistir não é para as pessoas covardes. E o escritor Caio Fernando Abreu já tratou desse assunto de forma muito bonita: “Nada em mim foi covarde, nem mesmo as desistências. Desistir, ainda que não pareça, foi meu grande gesto de coragem”. 

Aos que ainda se mantêm incrédulos com quem decide pedir demissão sem ter outra oportunidade em vista, lembro: não adianta ter um emprego que deixa sua saúde mental fragilizada ou coloca em risco seu bem-estar como um todo. 

Em dezembro passado, uma colega jornalista (concursada em um órgão federal) se vestiu com as armaduras da coragem e pediu exoneração. Tempos antes, eu havia conversado com ela. Falou-me como estava insatisfeita e que não se via trabalhando ali, por 30 anos ou mais, até se aposentar.  

Não se encaixou. Não se encontrou ali. Não deu match. Desistir era preciso. O que fica de lição? Empregos não são nossa vida. Não são nossa “família”. Empregos são apenas uma forma de ganhar dinheiro. Ponto. 

Enquanto pensava sobre o que iria escrever esta semana, vi uma postagem de uma outra amiga querida no Instagram. Era um trecho do livro “Bênção, Vovô” (de Thyago Avelino, pelo Espírito Pai Damião) e que tem tudo a ver com o sentimento de insatisfação que muitos estão nesse momento:

“‘Quem é de casa se sente em casa’. Isto é de grande ânimo para o coração e para a mente. O espírito, quando encontra a sua casa de origem, que felicidade! É um encontro magnífico em que todos os estudos e aprendizados e práticas, por meio de experiências, são contidas de maneira fluida, eficaz e amorosa. O respeito está inserido em todo esse contexto. Então, quando você se deparar com um novo contexto, pergunte ao seu coração: Sinto-me em casa? Não se submete àquilo pelo que o coração não vibra. Dogmas, regramentos, estão cada vez mais em declínio. Você precisa da robusteza, da consciência, da efetividade, da amorosidade, do respeito para consigo”.

É isso! Meu desejo, para todo este ano, é que você encontre um emprego em que possa, de fato, se “sentir em casa”. Ou, se você for um chefe ou empregador, que possa fazer com que essa pessoa pense, ao trabalhar para você: “Quem é de casa se sente em casa”.   

 

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