Deputados terão que se desdobrar com campanha

Cada um dos 36 deputados estaduais terá que se desdobrar em dois, no segundo semestre deste ano, para dar conta dos trabalhos na Assembleia e cuidar da própria campanha eleitoral. Os parlamentares que estão pensando em `gazear´ as sessões plenárias, para se dedicar exclusivamente a campanha, serão penalizados com o corte o ponto. A garantia é do presidente da Casa, Ricardo Marcelo (PEN).

Ele afirmou que a campanha não interferirá nos trabalhos legislativos. Segundo o deputado, as sessões e as votações continuarão sendo realizadas normalmente.  “Temos compromisso com o povo paraibano e não vamos deixar de cumprir com a nossa responsabilidade”, frisou.

Ricardo Marcelo adiantou que em abril a Mesa Diretora iniciará as atividades de orientação de como os deputados e servidores deverão se portar durante o período eleitoral. Quem não se adequar será punido. “Assim como já aconteceu, quem faltar à sessão sem justificativa terá corte de salário”, reforçou o deputado lembrando que já tomou essa medida devido à falta excessiva que chegou a prejudicar a andamento dos trabalhos no legislativo.

O parlamentar afirmou não acreditar que os deputados se dedicarão, exclusivamente, às campanhas. “Eles foram eleitos pelo povo e têm a atribuição de representar essa população na Casa de Epitácio Pessoa”, ponderou. Ele disse ainda que continuará à frente do Poder Legislativo e fará a campanha sem nenhum problema.  “Vou continuar exercendo o meu papel de presidente deste Poder e nos dias livres farei a minha campanha, visitando as bases e participando das atividades. Acredito que não há problema algum em conciliar campanha e mandato parlamentar”, declarou.

Daniella diz que terá agenda especial

Na disputa pelo segundo mandato, a deputada estadual Daniella Ribeiro afirmou que estará presente a todas as sessões na Assembleia durante o período eleitoral. “Me desdobrando entre os trabalhos legislativos e as visitas aos municípios”, disse.  Ela afirmou que há uma tendência de se fazer uma agenda especial no Poder Legislativo durante a campanha.

“Nesse período há sempre uma mudança nas casas legislativas, geralmente, se faz uma agenda para todo período eleitoral possibilitando aos parlamentares atuar três dias na Casa e nos demais nas bases fazendo campanha”, declarou Daniella Ribeiro. Ela afirmou que não terá nenhuma dificuldade em conciliar as duas atividades.  

Daniella adiantou que está preparando uma agenda em que seja possível administrar tudo sem nenhum problema. Segundo ela, não se visita as bases eleitorais, apenas, no período eleitoral.  “Tem que se fazer isso também ao longo do mandato, pois durante a campanha temos que realizar comícios, arrastões”.

De acordo com a deputada, durante a semana é possível realizar reuniões à noite e está na Assembleia pela manhã. Ela lembrou que a propaganda eleitoral gratuita começará em agosto. “Acredito que será mais curta, devido à Copa do Mundo. Uma campanha para deputado é bem mais tranquila do que uma a majoritária, porque não é preciso estar em estúdio todos os dias”.

Ela garantiu que é possível fazer a campanha eleitoral sem interferir nos trabalhos legislativos, mas alertou que é preciso ter cuidado para não antecipar muito a corrida pelos votos. “Isso sim interfere, mas não tem porque vacilar na legislatura, não”. Para a deputada, a atuação parlamentar contribui muito para conquistar os votos dos eleitores. “No momento em que se está atuando na Assembleia há uma exposição do trabalho que estamos desenvolvendo e isso aproxima parlamentar da população”, arrematou.   

Raniery: possível evasão é preocupante

O deputado Estadual Raniery Paulino (PMDB) sugeriu a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa que desenvolva uma agenda de atividades parlamentares durante a campanha eleitoral. Ele espera que as reuniões das comissões temáticas, que podem ser realizadas de segunda a sexta, sejam transferidas para os dias de sessão.

“Deveria ser na terça ou quarta, antes ou depois das sessões, desde que fossem em um só dia, porque eu mesmo fico na Assembleia de segunda a sexta, por conta das comissões. Dessa forma, seria mais fácil adequar a agenda sem prejuízos para as análises e debates das matérias”, sugeriu Raniery Paulino.  

Ele afirmou que a possível evasão dos deputados no período da campanha é um assunto preocupa o Poder Legislativo. “Tenho visto as falas do presidente Ricardo Marcelo no sentido de tentar manter o ritmo de trabalho na Assembleia no segundo semestre”, ressaltou o peemedebista. Por conta disso, Raniery defende que se estabeleça uma agenda que permita os parlamentares “conciliar os interesses”.

Como as bases de atuação de Reniery estão concentradas nas regiões do Brejo, Vale do Paraíba e Vale do Mamanguape e não são tão distantes de João Pessoa, onde está localizada a Assembleia, ele acredita que conciliará a campanha com o legislativo com mais facilidade que os parlamentares que tem suas bases de atuação mais distantes da Capital.  

“Alguns colegas precisam se deslocar mais de 500 quilômetros de distância. Então, é preciso que se faça uma agenda que contemple todo o período eleitoral para que cada um possa se programar e não cause prejuízos aos trabalhos da Assembleia e nem a campanha”, comentou Raniery Paunlino. Ele destacou que desde o primeiro mandato sempre integrou a comissão de recesso e “na campanha não vou me negligenciar e deixar de estar presente  nas discussões e votação da Casa”, garantiu.  

Toinho do Sopão: campanha permanente

“Minha campanha de reeleição começou no dia em que eu fui eleito”. A afirmação é do deputado estadual Toinho do Sopão (PEN). Ele disse suas ações no período eleitoral se resumem nas ações sociais que desenvolve em benefício da população paraibana. “Minha campanha é essa”, destacou.  

Toinho do Sopão afirmou que não terá problemas para se dividir entre a campanha e os trabalhos na Casa Epitácio Pessoa. “A sessão é uma coisa e o movimento nas ruas é outro, totalmente, diferente. Trabalharei terça, quarta e quinta entre 9h30 e até 12h na Assembleia e o resto vou cair em campo”.

O deputado garantiu que estará presente em todas as sessões e reuniões da Assembleia durante a campanha. “Estarei lá, como sempre, pois se tem uma pessoa não tem falta ali sou eu”, enfatizou. Toinho do Sopão afirmou que como não tem base eleitoral e os votos que recebeu se concentraram nos municípios que compõem a Região Metropolitana de João Pessoa, não terá dificuldade de deslocamento. Segundo ele, isso o ajudará a manter a assiduidade na Assembleia. 

“Não tenho um cabo eleitoral e nem quero”, afirmou Toinho do Sopão. Questionado se seria possível se reeleger trabalhando dessa forma fez um questionamento como resposta. “Tirei quantos votos na outra eleição?”.  Ele disse que na eleição de 2010 não recebeu apoio de nenhum vereador e prefeito.

“O que eu tinha era a vontade do povo que reconhecia meu trabalho. Se reconhecerem novamente tudo certo. Se não, estou aí. Sou trabalhador e se tem um homem naquela Assembleia que não tem medo de perder o mandato sou eu”, disparou.   

AL pode ter agenda diferenciada

Em busca do terceiro mandato, o deputado Gervásio Maia (PMDB), afirmou que iniciou a campanha de reeleição em 2011, quando assumiu uma cadeira na Assembleia. Ele disse que, historicamente, em ano eleitoral, a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, estabelece uma agenda diferenciada para evitar que o funcionamento seja prejudicado.

“Ao longo de todos esses anos que me vi na Casa, essa agenda tem funcionado muito bem. Acho que isso se repetirá na eleição desse ano”, acredita Gervásio Maia. Ele explicou que, durante a campanha, se estabelece os dias de votação e os de funcionamento das comissões temáticas. “Tudo muito bem sintonizado e sempre deu certo. Imagino que desta vez não será diferente”, espera o peemedebista.

Ele informou que visita as bases eleitorais regularmente ao longo do mandato. “Sempre mantenho esse elo de ligação com os municípios em que atuamos politicamente. Evidentemente que a partir do momento que for iniciado os comícios, se corre um pouco mais”, declarou.

Gervásio Maia garantiu que não fará parte da bancada faltosa. “Nunca fiz e não vou fazer. Estarei na Assembleia contribuindo para que as coisas funcionem”. Segundo ele, é possível honrar com os trabalhos legislativos e fazer campanha.

Janduhy não se afastará

Em seu primeiro mandato, o deputado Janduhy (PTN) afirmou que não se afastará da Assembleia durante o período eleitoral. “Vou tentar conciliar as duas atividades, pois acredito que isso é possível”. Ele informou que atua politicamente do Litoral ao Sertão paraibano e que já iniciou as visitas aos correligionários. “Aproveitei o período do recesso, enquanto não votava a LOA (Lei Orçamentária Anual), já estava me desdobrando nesse sentido”.  

Segundo o deputado, o período eleitoral é curto para visitar as todas as bases eleitorais, por isso, se faz presente nos municípios, em que foi votado, ao longo do mandato. “Minhas visitas são de caráter permanente. Subsidiando o nosso mandato”, disse. “Criamos o programa se ‘Se eu fosse o deputado’ e por meio dele colhemos informações da população e procuramos colocar as propostas recebidas em prática e isso ajuda a disseminar o nosso trabalho junto aos municípios”, acredita Janduhy Carneiro.

Gilma e Dunga não disputarão

Os deputados Carlos Dunga (PTB) e Gilma Germano (PPS) afirmaram que abrirão mão de disputar à reeleição em prol de familiares. Dunga tentará eleger o filho, ex-deputado estadual Dunga Júnior (PSDB), e Gilma almeja eleger o esposo e ex-prefeito de Picuí, Buba Germano (PSB).

“Estamos estudando a possibilidade de Buba também dar a contribuição dele na Assembleia e, talvez, ele seja candidato”, afirmou Gilma Germano. Ela disse que caso Buba seja candidato, dará o apoio necessário a ele. A deputada garantiu que a campanha não prejudicará atuação parlamentar dela.  “Teremos o final de semana para fazer a campanha”.

Já Carlos Dunga afirmou que vai trabalhar na campanha do filho, mas que isso não causará nenhum prejuízo no desempenho legislativo dele. “Dunga Júnior já foi deputado e já sabe quais caminhos deve percorrer. Enquanto ele faz a campanha, estarei na votando as matérias a Assembleia”, declarou.

Jutay diz que não mudará rotina

O deputado Pastor Jutahy (PRB) garantiu que não confundirá a campanha com o trabalho legislativo, pois quem conduzirá a campanha dele será o trabalho que desenvolve na Assembleia. “Nos dias em que tiver sessão estarei em todas, quando não tiver estarei nos municípios ou nos bairros de João Pessoa, pois minha maior base eleitoral é a Grande João Pessoa”, declarou.  

Pastor Jurahy disse que a rotina na Casa Epitácio Pessoa continuará normal, durante o período eleitoral. “Farei os trabalhos da campanha nos finais de semana e nos dias em que não houver sessão”, disse.  Ele lembrou que a campanha só começa no mês de julho. “Evidente, que durante o recesso fizemos visitas a algumas lideranças”.

Batinga já trabalha a reeleição

No segundo mandato, o deputado Carlos Batinga (PSC) afirmou que já começou as ações em prol da reeleição. Segundo ele, os políticos que pretendem se manter na Assembleia não param de trabalhar. “As visitas as bases e as discussões maiores, geralmente, ocorrem nos finais de semana”, frisou o socialista cristão.  

Carlos Batinga disse que a campanha não justifica a ausência de dos parlamentares em nenhuma casa legislativa. “Os políticos profissionais, que tem a política como questão de sobrevivência é que, em época de eleição, se dedica exclusivamente a campanha e deixa de lado os trabalhos legislativos, mas esse não é o meu caso”, ressaltou.

Trócolli Junior: três dias na Assembleia

O deputado estadual Trócolli Júnior (PMDB) disse que durante 26 anos de mandatos consecutivos sempre esteve presente no Plenário da Assembleia. “Três dias por semana estarei na Assembleia e marcarei meus compromissos de campanha para horários que não atrapalhem meu desempenho no legislativo”, declarou o peemedebista.

Segundo Trócolli, o presidente da Assembleia, deputado Ricardo Marcelo (PEN) é muito rígido na questão da presença, “inclusive, já teve a oportunidade de cortar várias vezes o ponto de alguns deputados mais faltosos”.

Ele disse que a população também precisa saber da atuação do parlamentar e isso só é possível com a presença dos deputados no Plenário da Casa Epitácio Pessoa.

“O povo fica vigilante, porque a população não tem interesse em votar em um deputado que não trabalha, não frequenta o ambiente de trabalho. Nós  estaremos presente na Assembleia, mesmo com todas as ocupações eleitorais”, assegurou Trócolli.

Sobre uma possível falta em massa dos deputados da Assembleia, Trócolli disse que a cultura brasileira é como um carro que anda em alta velocidade e tem que respeitar o limite das lombadas eletrônicas para não ser multado. “Quando se mexe do bolso, as pessoas passam a ter mais cuidado. Nós temos absoluta certeza que com a decisão do presidente (Ricardo Marcelo) de cobrar a presença e cortar ponto dos faltosos, não teremos nenhuma dificuldade para dar  andamento aos trabalhos na presença dos 36 deputados”, disse Trócolli.

Sem recesso

O deputado João Gonçalves (PSD) afirmou que desde que entrou na vida pública nunca entrou de recesso e sempre se fez presente nas bases eleitorais e, por isso, não terá problema para conciliar a campanha com os trabalhos na Assembleia Legislativa.    

“Participo de cinco frentes parlamentares, quatro comissões na Casa, sou o terceiro tesoureiro nacional dos deputados estaduais, sou concluinte do curso de Direito à noite e procuro não faltar nem as aulas e nem as sessões”, afirmou João Gonçalves.  

Ele contou que trabalha aos sábados, domingos, feridas e durante o recesso parlamentar e, por isso, mantém as visita as bases eleitorais em dia. “Trabalho o mandato todo. Não compro votos, condeno quem compra, quem vende e quem recebe”, frisou João Gonçalves.

Correio da Paraíba

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