Depois de ser repudiado por entidades, Dom Aldo diz que não teme CNBB

O Arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, foi alvo de uma nota de repúdio editada esta semana pelas Comunidades Eclesiais de Base, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Central Única dos Trabalhadores na Paraíba (CUT-PB), sindicatos e movimentos sociais. As entidades acusaram o religioso de ser contra os pobres ao criticar a realização do Grito dos Excluídos e posicionar-se contra o limite da propriedade rural no Brasil. Dom Aldo comentou o assunto e não pareceu muito preocupado com as queixas dos movimentos populares paraibanos, encaminhadas à CNBB.

– Eu não digo nada porque a CNBB não legisla pelas dioceses. Ela apenas anima o sentido pastoral, mas deixa as dioceses livres porque ela não tem esse poder de decidir pelos bispos. Seja sobre o Grito ou pelo plebiscito, cada bispo é autônomo e soberano para organizar ou não. Quem organiza isso não é a igreja, mas os movimentos sociais. Algumas pastorais é que aderem a esse movimentos populares e a partidos políticos vinculados. De um tempo para cá, o Grito dos Excluídos tem se tornado uma salada de frutas que você não sabe quem é quem. De repente, numa passeata dessas aparece uma bandeira do movimento gay. Como é que fica? Eles defendem o casamento homoafetivo e como é que se fica? Eles defendem bandeiras que vão contra o que pensa a Igreja. É por isso que eu fico distante. Sobre o limite da terra, entendo de defender o direito da propriedade produtiva. Essa nota publicada na imprensa não me deixa feliz nem infeliz. Estamos numa democracia. O direito de expressão é garantido. Eu não tenho que dar explicações a ninguém. Sou soberano.

A nota de repúdio contra o arcebispo da Paraíba é a seguinte:

Virando as costas à CNBB, o arcebispo da Paraíba aposta contra o Plebiscito e o Grito dos Excluídos

À Sociedade da Paraíba, à CNBB, ao CONIC e às organizações que patrocinam e organizam o Plebiscito sobre o limite de propriedade da terra e o Grito dos Excluídos.

A Assembléia Popular/PB, as Pastorais Sociais, os Movimentos Populares do Campo e da Cidade e as muitas organizações que, em consonância com as iniciativas assumidas pela CNBB, pelo CONIC e mais de cinqüenta outras entidades da sociedade, de conclamar o Povo brasileiro a participar ativamente do Plebiscito sobre o limite da propriedade da terra, bem como do 16º Grito dos Excluídos e Excluídas, durante a semana de 1º a 7 de setembro vindouro, vêm a público mais uma vez protestar contra as atitudes recorrentes do Arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, que, em desacordo com as orientações pastorais da própria CNBB, vem criticando e desestimulando as iniciativas que visem a promover a justiça social, a dignidade e a organização do Povo dos Pobres, os Trabalhadores e Trabalhadoras do campo e das periferias urbanas, as CEBs, a grande maioria das Pastorais Sociais e até padres comprometidos com a causa dos pobres, ao mesmo tempo em que não perde oportunidade para abençoar e defender os interesses dos poderosos, como o fez ainda recentemente, por meio do jornal Correio da Paraíba, em coluna por ele assinada, na qual, ao questionar, desde o título capcioso de seu artigo, o tema do Plebiscito, faz insinuações pejorativas (inclusive de roubo) em relação aos movimentos populares.
Não é a primeira nem a segunda vez que os pobres da Igreja Católica da Paraíba se sentem agredidos por quem tem o dever de ser seu pastor. Há um leque de intervenções agressivas e preconceituosas de Dom Aldo Pagotto contra pessoas e grupos que defendem a causa dos pobres. Ele não apóia o Grito dos Excluídos, desacatando as orientações da CNBB e das próprias dioceses da Paraíba. O Grito aqui é realizado contra a sua vontade. Assim agindo, Dom Aldo Pagotto não apenas desrespeita (até aqui impunemente) as orientações pastorais da CNBB, como, sobretudo, a pedagogia de Jesus, a cujo Seguimento ele jurou ser fiel, quando, ao ser ordenado bispo, respondeu positivamente à pergunta: "A exemplo do bom Pastor, queres ir buscar de volta ao rebanho do Senhor as ovelhas desgarradas?" Até porque cabe ao bispo mais do que ser chefe ("praeesse"), pôr-se a serviço dos mais necessitados ("prodesse"). (cf. Rito de Ordenação Episcopal).
Ao tempo em que trazermos a público nosso protesto, vimos solicitar à CNBB, por meio de suas instâncias competentes, que trate de advertir o Arcebispo da Paraíba com relação às suas manifestas atitudes de descumprimento de sua função de pastor, cuja missão é de reunir o rebanho, não a de espalhar a cizânia, como vem fazendo contra os pobres, na Paraíba.

João Pessoa, 31 de agosto de 2010.

ASSEMBLÉIA POPULAR – CUT/PB – MST – CPT – MPA – MAB – COMUNIDADES QUILOMBOLAS – SINTER – MTC – RECID – REMAR – DCE/UFPB – CEDHOR – SPM – MTD – SAL DA TERRA – MTD -MMM – AMAZONAS – CEBs – STIPDASE – APAN – FPDTAPNE- SINDICATO DOS TRABLADORES DA LIMPEZA PÚBLICA – ESCOLA ZÉ PEÃO – RECID – REMAR – NÓS TAMBÉM SOMOS IGREJA.

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