“Democracia em Vertigem” perde o Oscar de documentário

Não foi dessa vez. O Oscar de melhor documentário em 2020 foi para Indústria Americana (produzido pelo casal Barack e Michelle Obama), desbancando “Democracia em Vertigem”, da diretora mineira Petra Costa.

Caso vencesse, esta seria a primeira vez que o Brasil levaria o Oscar na categoria de documentário. Além de “Democracia em Vertigem”, Indústria Americana desbancou títulos como os sírios “For Sama” e “The Cave” e “Honeyland”, da Macedônia.

Indicação cercada de polêmicas

A indicação ao maior prêmio do cinema mundial veio cercada de polêmica num Brasil extremamente polarizado por questões políticas. Só nesta semana, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (SECOM), por meio de suas redes sociais oficiais, posts em que Petra foi chamada de “militante anti-Brasil”, que estaria “difamando a imagem do país no exterior”. As mensagens foram publicadas em português e em inglês.

O apresentador Pedro Bial também causou polêmica ao criticar “Democracia em Vertigem”, distribuído mundialmente pela Netflix. “É um filme de uma menina dizendo para a mamãe dela que fez tudo direitinho, que ela está ali cumprindo as ordens e a inspiração de mamãe, somos da esquerda, somos bons, não fizemos nada, não temos que fazer autocrítica. Foram os maus do mercado, essa gente feia, homens brancos, que nos machucaram e nos tiraram do poder, porque o PT sempre foi maravilhoso e Lula é incrível”, reclamou o jornalista, acusado de machismo pela fala.

Crítico de cinema do UOL, Roberto Sadovski posiciona o filme como um dos momentos de brilho do cinema brasileiro em 2019. “Democracia em Vertigem surge mais como manifesto do que como documentário. O que é perfeito, já que a diretora, mais do que qualquer outro cineasta pátrio, traz as credenciais para fazer essa jornada no tempo e pelos bastidores do poder. Neta dos fundadores da empreiteira Andrade Gutiérrez, ela faz parte da mesma elite que dá as cartas na política nacional desde sempre – os “donos do Brasil”, confortáveis em fortunas passadas de geração em geração, onipresentes no agronegócio, em construtoras, na estrutura financeira do país”, analisa ele, em sua crítica.

 

 

 

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