Crise financeira atinge 68% das MPEs paraibanas

As Micro e Pequenas Empresas (MPEs) paraibanas foram as mais atingidas pela crise financeira internacional na Região Nordeste. De cada 100 empresas pesquisadas, 68 delas responderam que tiveram dificuldades para lidar com os reflexos causados pela crise econômica mundial como, por exemplo, a queda de demanda e crédito mais caro. No país, a crise atingiu 63% das MPEs de todos os Estados, distribuídos nos três setores: indústria, comércio e serviços.

Na Paraíba, cerca de 150 pequenos negócios responderam as perguntas da pesquisa intitulada “Impacto da Crise Financeira Internacional nas MPEs Brasileiras”, realizada entre março e maio de 2009 com 4,2 mil micro e pequenas empresas em todo o país pelo Sebrae-SP. Além da crise econômica, os empresários paraibanos revelaram que atualmente vem enfrentando outros problemas como falta de capital de giro (18%) e inadimplência (15%). Os dois índices da Paraíba ficaram também bem acima da média nacional (12% e 5%, respectivamente). 

No Nordeste, os Estados do Ceará (55%) e do Rio Grande do Norte (59%) registraram as menores taxas de reflexos da crise financeira na Região, ficando a abaixo da média Nacional (63%) enquanto Santa Catarina (54%) e Goiás (72%) apresentaram respectivamente o menor e o maior reflexo de empresas afetadas entre os 27 estados.
 
Para o superintendente do Sebrae Paraíba, Júlio Rafael,  os impactos negativos da crise financeira nas MPEs paraibanas dizem mais respeito ao período entre o final de 2008 e os primeiros meses deste ano quando o reflexo da crise foram mais intenso, cenários  “mais pessimistas” disseminados e as medidas apresentadas pelo governo federal ainda não tinham surtido efeito na economia real. “Medidas como o aumento do salário mínimo acima da inflação, desoneração tributária de diversos setores da economia, a própria volta do crescimento do emprego formal da Paraíba em maio e a oferta de crédito amenizaram esses efeitos mais nocivos“, avaliou.

Segundo o superintendente, a crise internacional produziu efeitos mais fortes em atividades setorizados que dependem de financiamento intensivo e de longo prazo como a indústria e agricultura enquanto as atividades econômicas que dependem mais da renda do consumidor sentiram menos os efeitos da crise. “Os índices de crescimento do comércio varejista após o mês de abril no IBGE já mostram um cenário mais alentador para os pequenos negócios”, lembrou.

Para demonstrar que essa perspectiva da crise muda cada vez mais de foco, Júlio Rafael citou as respostas dos mesmos entrevistados sobre as expectativas para o segundo semestre deste ano. “Quase metade das empresas terá aumento de faturamento e a maioria não pensa mais em demitir”, frisou.

De acordo com a pesquisa, em relação à expectativa do faturamento para os próximos seis meses, mais de 44% dos empresários paraibanos revelaram que terão aumento de faturamento enquanto outros 48% vão manter o mesmo. Somente 6% disseram que a tendência seria de queda nas vendas.

Quanto ao número de contratações para o segundo semestre, somente 21% das MPEs pretendem aumentar o número de funcionários, mas a grande maioria (69%) revelou que irá manter o quadro atual. Outros 6% das MPEs apontaram que enxugarão o quadro de empregados atuais. Novamente, a Paraíba mantém apenas a sétima maior taxa quando a pergunta é aumentar o quadro de trabalhadores no segundo semestre e também um pouco abaixo da média nacional ( 24%).

Já em relação aos investimentos para os próximos seis meses, 34% dos pequenos negócios do Estado disseram que vão aumentar contra 56% que pretendem manter e apenas 7% diminuir. No entanto, a taxa das empresas paraibanas ficou abaixo um ponto percentual da média do país (35%) e cai para 8ª colocação na região Nordeste.
 
No país, a maioria dos empresários trabalha com cenário realista, com destaque para a previsão otimista de aumento do faturamento (46% do total). Em relação ao número de funcionários, 67% deles manterão o quadro atual e apenas 8% pretendem demitir. “A boa notícia é que o Brasil faz parte do mundo globalizado. Além disso, o empreendedor brasileiro é persistente, ousado e disposto a correr risco. Isso tudo pesa muito em momento de crise”, finaliza o diretor-superintendente do Sebrae-SP, Ricardo Tortorella, que centralizou as pesquisas no âmbito nacional.

 

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