CPI da Petrobrás deve ser adiada pela segunda semana seguida

Pela segunda semana seguida, o início dos trabalhos da CPI da Petrobras deve ser adiado. Os senadores marcaram para a próxima quarta-feira (10/06) a sessão na qual serão escolhidos o presidente e o relator da comissão de inquérito. Contudo, governistas já trabalham nos bastidores com a hipótese de um novo adiamento da investigação parlamentar. São três os principais motivos. O primeiro é a falta de propostas importantes para serem votadas em plenário. Em segundo lugar, as festas de São-João começam esta semana, mais um fato que tradicionalmente esvazia o trabalho do legislativo. Por último, na quinta-feira (11/06) há o feriado de Corpus Christi.

Um senador peemedebista da CPI admitiu, reservadamente, na última semana, que a base aliada atua para adiar, o quanto for possível, o início das investigações. “Essa CPI só vai começar mesmo para valer em agosto”, aposta ele. “Vamos ter uma semana atípica, curta. Normalmente quando temos uma semana atípica, o quorum cai”, afirmou o senador João Pedro (PT-AM), outro integrante da CPI, que deve vir a Brasília esta semana. “Estamos aguardando os entendimento com a base aliada”, pondera João Pedro. O petista se refere à briga de bastidores entre os líderes do PMDB, Renan Calheiros (AL), e do PT, Aloizio Mercadante (SP), para indicarem os nomes para os postos de comando da CPI.

O Plenário do Senado tem na pauta uma medida provisória trancando a pauta de votações. É a que cria o Programa “Minha Casa, Minha Vida”, cujo objetivo é financiar moradias para famílias com renda mensal até dez salários mínimos. Depois disso, sete propostas de emenda à Constituição (PECs) na pauta. Para aprová-las, serão precisos pelo menos 54 votos favoráveis. Senadores dizem que, com o feriado e as festas juninas à vista, dificilmente haverá quorum na Casa e, por tabela, na CPI.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) apresentou em 13 de maio o pedido de criação da CPI da Petrobras. Desde então, sucessivas manobras da base aliada atrasaram o início das investigações. A última delas foi esvaziar, na terça-feira da semana passada, a sessão para escolha do presidente e do relator. O argumento público: a manobra da oposição que retirou das mãos da base aliada a relatoria da CPI das ONGs. Num descuido do governo, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), assumiu a vaga aberta com a saída do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE).

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), apresentou uma questão de ordem à Mesa Diretora para tentar reaver o cargo da CPI das ONGs. Mas, na quarta-feira, a Mesa Diretora definiu que cabe ao Plenário da própria CPI decidir sobre a devolução do posto. Como tem maioria, o cargo deve voltar para as mãos do governo na base do voto. O líder do PT no Senado já declarou que a CPI da Petrobras só começa com o fim desse impasse — o que pode ser mais um motivo para adiar os trabalhos. Não há previsão de quando — e se — a CPI das ONGs votará a questão de ordem.

“Temos maioria nas duas CPIs”, lembrou o senador João Pedro, para quem a comissão das ONGs já poderia ter sido encerrada. A comissão, criada em 2007 e com poucos resultados até agora, pretende ser usada pela oposição para tentar avançar em eventuais investigações barradas pela CPI da Petrobras. “Não vamos permitir que se faça guerrilha”, critica João Pedro.

 

 

Correio Braziliense
 

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