Corona “lives-musicais” do sucesso

No meio da pandemia do Covid-19 (coronavírus) a música que estava para lá de massificada no Brasil ganhou mais do que nunca as plataformas digitais, as redes sociais e tudo ligado ao digital. Abrir o Instagram se tornou quase que impossível, pois, a todo momento uma nova live (viver) se abre a nossos olhos viajantes da globosfera.

O que impressiona é que a indústria de massa continua ganhando de todas as formas. E quem saiu na frente, mais uma vez, foram os sertanejos ou “bregas sertanejos”, funk-brega-sertanejo”, funk-brega-sertanejo de plástico” e outras tantas definições. Uma plataforma-mundo, que antes era acessado pelo underground ou pelos “indis” (independentes), brotou aliado ao patrocínio das grandes empresas.

Do outro lado o público, ávido por coisas que não façam pensar em ruindades ou em vírus, consome sem saber eles que na verdade as grandes empresas de cerveja, macarrão, frango, de carros, calçados, grandes lojas de departamento, laboratórios, companhias de internet, indústria de laticínios e tantas outras já pagaram o cachê dos artistas que estão “bombando” nas fileiras do sucesso.

A música criada, consumida, copiada, assimilada e praticada hoje no Brasil teve seu contorno definido nas décadas de 1970 e 1980. Até então a dinâmica é mesma, a indústria é a mesma. Se tem poucos clicks, se aparece em poucos programas de televisão, evidentemente não vai vender. No meio desta corda estão músicos profissionais e amadores, compositores, letristas, arranjadores que acabam se envolvendo por pura sobrevivência.

Este vazio de ideias e de criação, que alguns artistas têm sentido, juntamente com a proliferação da música variante (brega, sofrida, sertaneja, funk de plástico), nos faz lembrar um período antes do movimento rock nacional surgir no país, que começou quando a tropicália chegou ao fim com o afastamento das figuras motrizes mais importantes da música brasileira. Naquela época, segundo os livros de história da música do período, os grandes centros do país (Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, Porto Alegre e Curitiba) o vazio de ideias, de movimentação e de debate provocado por essa ausência, pelo clima repressivo reinante, pelo vazio de fórmulas dos festivais que conduziu uma geração emergente, com na época entre 17 a 30 anos, a admirar, e consequentemente, tentar imitar com fidelidade a música que vinha de fora.

Para onde vai essa geração radical de consumidores idolatras deste modelo e estilo de música é que ninguém sabe ainda. Enquanto isso, consome-se, bebe-se, dorme-se e espera-se a pandemia passar e contarmos o número de mortos e vivos pelo Jornal Nacional.

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