Pastor Estevam

Pastor da Primeira Igreja Batista de João Pessoa. Pscicólogo clínico, escritor, conferencista motivacional. Casado com Dra Aurelineide, e pai de Thayse e André.


Congelamento emocional

O clima do mundo está mudando. Estamos assistindo a mutações climáticas repentinas e assustadoras. A temperatura global oscila entre extremos. Alterações profundas no planeta são esperadas. Algumas, inclusive, são sombrias.

A mudança não ocorre apenas na temperatura da Terra. Está mudando também a temperatura do coração do homem, que está esfriando cada vez mais. Em alguns casos, já é visível o processo de congelamento de muitos sentimentos necessários à vida. Aos poucos, a vida se transforma numa grande geleira e, por causa disso, construímos cabanas dentro de nós mesmos para sobrevivermos ao frio intenso nos nossos relacionamentos.

A paisagem polar da alma adquire várias faces, e espalha-se por diferentes áreas da vida. Os ventos frios da indiferença, da insensibilidade, do egoísmo e da violência não param de soprar. As baixas temperaturas da alma fazem surgir blocos de gelo no coração.

A família é a principal vítima desta queda brusca de temperatura. Antes, os lares funcionavam como lareiras, que aqueciam o coração contra a frieza e a hostilidade do mundo lá fora. Como era bom voltar para casa e aquecer a alma com abraços, sorrisos, beijos e carinho das pessoas que amamos!

Hoje, já não há mais lareiras dentro de casa! Esgotou-se o que havia de melhor e mais precioso: o calor humano; e, com ele, a segurança e o amor. Dentro de casa, muitos vivem como estranhos, sobrevivendo ao frio e ao isolamento.

A frieza e o congelamento também se espalham em muitas outras áreas vitais. Não existem mais amigos. Não acreditamos mais em ninguém. Somos apenas concorrentes nesta difícil arte de sobreviver. A mentira, a traição e a falsidade transformam os cenários sociais da existência humana numa verdadeira Antártida, o continente das geleiras.

Tudo ficou muito frio ao nosso redor. Para nos proteger, isolamo-nos e tentamos aquecer-nos com a nossa própria solidão. Grande ilusão! O nosso casaco de pele estará sempre no corpo de alguém. É a solidariedade e a afetividade que aquecem a vida.

Mais do que nunca é preciso aquecer a existência e descongelar o coração. Devemos liberar calor humano em forma de afeto, apoio, amor, atenção e de outras labaredas aquecedoras da vida. O frio é circunstância; o calor é vital.

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