Cícero não admite acusação de vida cartorial no PSDB

O senador Cícero Lucena, presidente estadual do PSDB, foi entrevistado ontem à noite no programa Conexão Master, da TV Master, e não escondeu sua insatisfação com as declarações dadas pelo também senador Cássio Cunha Lima (PSDB) na manhã do sábado ao chegar ao encontro da Juventude do PSDB, na Assembleia Legislativa. Enquanto Cássio externou suas queixas com eventuais manobras e disse não admitir que o PSDB tenha uma rotina meramente cartorial, sem mobilização, Cícero reagiu e negou que haja "cartolada" no ninho tucano paraibano:

– Eu quero dizer que se o PSDB agisse de forma cartorial, eu hoje era governador eleito ou candidato derrotado porque como presidente do partido, eu teria feito a manipulação que pudesse para manter minha candidatura. Cássio me conhece, sabe da minha história. Nem ele nem eu agimos dessa forma. Não admito este tipo de colocação. Na Paraíba, tem quem possa empatar comigo em lealdade política. Mais do que eu, não.

Outro assunto abordado foi a falta de convite da Juventude do PSDB ao senador ainda não empossado. Segundo Cícero, o presidente da Juventude tucana tentou entrar em contato com Cássio para solicitar a presença dele no evento, mas não teria sido atendido:

– Cássio se queixou e foi respondido em público. Ele usa o Twitter. Eu uso o telefone. Minha esposa recebeu uma ligação do presidente do PSDB Jovem. Não entendo o porque dessa coisa. Eu fui apenas agradecer aos jovens por fazerem um debate para oxigenar o partido e ajudar a me exercer o mandato. Ele mesmo disse que foi convidado pelo Twitter. O presidente do PSDB Jovem disse que telefonou para ele e ele não atendeu.

Apoio ao São João de Campina Grande – Cícero Lucena também confirmou ter consultado Cássio Cunha Lima antes de destinar uma emenda de R$ 300 mil para o Maior São João do Mundo. Isso porque a falta de patrocínio do Governo do Estado à festa gerou a revolta do prefeito Veneziano Vital do Rêgo e abriu uma polêmica sobre a importância do apoio governamental aos eventos. Cássio tomou o partido de Ricardo Coutinho e sustentou a tese de que as dificuldades financeiras da administração estadual não permitem a injeção de recursos neste momento. Cícero mais uma vez discordou do colega e se posicionou ao lado de Veneziano.

– Na semana passada, falei com Cássio e perguntei se causava constrangimento eu colocar a emenda para Campina Grande, já que o governo que ele apóia abandonou a cidade. Ele reconheceu meu gesto e agradeceu. Eu fiz um gesto e acham que é provocação? A culpa é minha? É do governador dele! Eu acho que ele não está satisfeito com o comportamento do governador.

Cícero ainda comentou a saída do vice-governador Rômulo Gouveia do PSDB e negou que seus atritos com ele tenham sido preponderantes para a desfiliação:

– Todo mundo sabe que Rômulo estava com a ficha pronta para ir ao PPS. Mas, disseram a ele que se fosse, poderia perder o mandato. Ele quis dar o passo de independência, se achou melhor do que foi ontem, e quis mudar. Não precisa arranjar motivo. Ele quis sair do partido. Com certeza, não foi por minha causa.

Finalmente, o senador revelou o teor de uma conversa mantida por ele com o então vereador Hervázio Bezerra, que se despedia da oposição e explicava a ele, num almoço, que iria para o bloco de apoio ao governador Ricardo Coutinho:

– Eu e Marcos Vinicius conversamos com Hervázio e eu disse a ele: Você está reclamando que Maranhão deveria ter lhe dado mais apoio. De mim, você não está reclamando porque está na minha frente. Como você vai justificar que vai pro lado de Ricardo Coutinho que está com Cássio, quando você mesmo se queixou de que Cássio teria tirado mais de 2, 5 mil votos de um líder de Conceição que iria votar em você? Você disse que foi Cássio que tirou essa liderança para votar em Adriano Galdino.

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