Cícero Lucena e Wilson Santiago devem compor mesa do Senado

A três dias de decidir o espaço que cada partido vai ocupar na Mesa Diretora, os senadores têm ocupado o tempo com intensas articulações. Ontem, em conversas reservadas, os parlamentares encontraram a saída para fechar praticamente todas as brechas que faltavam. A não ser por mudanças de planos de última hora, as únicas pendências que restam estão na 3ª e na 4ª Secretarias, que ainda são objeto de disputa entre mais de um partido.

De acordo com o quadro político formado esta semana, a 2ª vice-presidência ficará nas mãos do PMDB. Até o momento, a cúpula da legenda trabalha com a indicação do paraibano Wilson Santiago para a vaga. O parlamentar, que acabou de chegar à Casa, era deputado e sempre foi um aliado do líder da legenda, Renan Calheiros (AL). O DEM também disputa a vaga e ainda tenta viabilizar um de seus nomes.

O cargo de primeiro-secretário, cuja cobiçada função é a de comandar um orçamento de R$ 3 bilhões e um exército de servidores terceirizados, irá para as mãos do PSDB, apesar do interesse dos petistas pela função. Os tucanos decidiram ontem indicar o senador Cícero Lucena (PB).

A 2ª Secretaria, responsável principalmente pelos passaportes parlamentares, continua nas mãos do PTB. O piauiense João Vicente Claudino será o indicado do partido para permanecer na função.

A 3ª e a 4ª Secretarias ainda são dúvidas e alvo das articulações de última hora. Ambas fazem parte da contabilidade do PT, que teria direito a duas vagas na Mesa e, por isso, ficaria com uma delas. No entanto, as negociações sobre a divisão de poder na Casa têm envolvido a possibilidade de o partido ceder espaço para PP ou PR. Ambos cobiçam o cargo, responsável principalmente pela administração dos imóveis funcionais e do pagamento do auxílio-moradia. A batalha entre as legendas tem até nomes. O PR quer abrigar João Ribeiro (TO), enquanto o PP pretende dar a função para Ciro Nogueira (PI).

Os pedetistas também estão na briga e querem continuar indicando o ocupante da 4ª Secretaria. Mas precisariam antes encontrar um acordo para abrigar o DEM, que tem seis senadores, enquanto o PDT tem apenas quatro. Se o Democratas realmente perder a queda de braço com o PMDB pela 2ª Vice-Presidência, deve ganhar o direito a indicar o quarto secretário.

PT – Os petistas reafirmaram ontem a intenção de obedecer às orientações do governo e segurar a vaga de primeiro-vice-presidente. Difícil ontem foi encontrar o nome para a função. Nem Marta Suplicy (SP) nem José Pimentel (CE) cederam na disputa. Ambos tinham apoio de parte da bancada e insistiram nas próprias candidaturas. A saída encontrada pelo líder Humberto Costa (PE) foi propor um revezamento para o cargo. Dessa forma, um deles ficará o primeiro ano e o outro assumirá em 2012. Durante a reunião, alguns petistas receberam recados de integrantes do PMDB de que Pimentel era mais afinado com José Sarney (PMDB-AP), cuja permanência à frente da Presidência do Senado é certa.

Por conta disso, durante alguns minutos da tensa reunião que durou três horas, os petistas já trabalhavam com a hipótese de indicação do nome do cearense. Mas, como Marta não abriu mão, o jeito foi alegar a preferência pela velha e boa democracia e propor o rodízio entre os dois. Se o partido fechar acordo para ocupar a segunda vaga a que — teoricamente — tem direito, um dos senadores que briga para ocupar uma das cadeiras da Mesa pode ser o indicado para o posto em uma das secretarias ainda sem dono.

 

Correio Braziliense

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