Chico César pretende interiorizar Cultura e criar Empreender da Arte

O cantor e compositor paraibano Chico César confirmou esta semana que estava determinado a deixar a presidência da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) para evitar a acomodação no cargo. Mas, diante do convite do governador eleito Ricardo Coutinho (PSB) para a nova Pasta, Chico aceitou continuar gerenciando as ações culturais da gestão socialista. Em entrevista à Rede Paraíba Sat, o autor de "Mama África" revelou algumas metas e disse que sua intenção é interiorizar as ações da Secretaria de Cultura, levando atividades ao interior. Um dos projetos a serem ampliados é o Festival Nacional de Artes, o Fenart, que deve sair de João Pessoa e ser realizado em outras cidades paraibanas.

Entre os problemas que devem ser administrados pelo novo secretário estão as inúmeras queixas em relação à falta de pagamento de projetos aprovados pelo Fundo de Incentivo à Cultura (FIC) Augusto dos Anjos.

– Vamos resgatar a dignidade do FIC porque ele é um dos instrumentos de estímulo à criação que precisa ser recredibilizado. Tanto os empresários, que fazem a renúncia fiscal, quanto os artistas, esperam por isso. Todo edital que for lançado já terá a dotação orçamentária e será pago. Lançar um edital e depois não pagar tira a credibilidade e é muito ruim. A gente vai voltar com o FIC e tentar criar o Empreender- Cultural. Esse é o pensamento do governador Ricardo Coutinho.

Chico explicou que o programa de incentivo ao crédito Empreender-Cultural servirá para contemplar as ações que não couberem no FIC:

– Se um artista tiver um projeto diferente, ele poderá recorrer ao Estado, pegar dinheiro para investir em sua obra, transformá-la em produto, ganhar dinheiro com aquilo e honrar seus compromissos. Muitas vezes, a gente pensa em Cultura como algo intangível. As pessoas acham que isso não gera renda. Eu, como artista, muitas vezes ao ser apresentado a um parente de uma namorada, me perguntavam o que eu fazia, eu dizia que fazia música.

– Quando eu dizia isso, me perguntavam: "Sim, mas você trabalha com que?" Mas, isso é constrangedor. Um amigo contou que num almoço de família perguntaram o que ele fazia e ele disse que estava música. As pessoas se surpreenderam e não acreditavam que música também era curso superior. É um meio de vida honrado e com mercado imenso. Tem mercado não apenas para a música, mas para o cinema, música… Vamos estruturar a Secretaria e ouvir a Paraíba, os nichos de produção.

FIC – Devido à especulada dificuldade dos artistas na formatação de projetos, Chico César assegurou que serão estabelecidas parcerias com o Sistema S e com o Sebrae para oferecer consultoria e capacitação aos representantes culturais que quiserem recorrer aos instrumentos governamentais de incentivo à produção.

– A gente pode orientar as pessoas. Não descarto que o Estado crie um setor dedicado a orientação sobre projetos, mas acho que isso cabe mais à iniciativa privada.

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