Cássio defende paz com Correio e diz que não disputará Governo

O ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima (PSDB) seguiu hoje para Brasília onde terá uma reunião com seu advogado Eduardo Alckmin e deverá tratar do recurso que está movendo contra o indeferimento de sua candidatura ao Senado. Antes, porém, Cássio concedeu uma entrevista ao programa Conexão Master na qual tratou de vários assuntos polêmicos, como os desdobramentos da crise entre ele e o senador Cícero Lucena, presidente estadual do PSDB. Confira alguns trechos importantes da fala de Cássio.
 
Cícero Lucena
 
– Cícero não será deposto da presidência do PSDB sob hipótese alguma. A posição dele, que é pessoal e seguida por alguns outros companheiros, foi respeitada. Vamos deixar depurar, decantar esse processo. O mundo não se acabou. Não vejo nenhum tipo de dificuldade em se restabelecer um diálogo, uma convivência, em se buscar pontos de convergência. O fato é que temos duas realidades: O PSDB participou da chapa, o partido autorizou Rômulo Gouveia a ser vice de Ricardo Coutinho. Também autorizou minha candidatura ao Senado numa composição com o PSB. Confrontar essa realidade não me parece lógico. 
 
Participação no Governo de Ricardo Coutinho
 
– Estou como senador porque recebi uma ajuda inestimável do governador eleito Ricardo Coutinho, do partido que ele preside e de seus aliados. Eu nunca sentei com Ricardo Coutinho para discutir cargos. Vai cair gente dura, não vai acreditar, mas é verdade. E sempre recebi dele gestos de respeito. Estamos inaugurando um tempo novo. Não vai faltar quem queira olhar para aquela forma tradicional de fazer política e dizer que se eu indiquei não sei quantas secretarias, estou desprestigiado. Isso é uma grande bobagem. O Governo estará bem se todos estivermos unidos. Se o PSDB vai participar com um, dois ou três, 15 cargos, é secundário. O que vai valer daqui a quatro anos é o desempenho do Governo e não a quantidade de secretarias que o partido teve. Se fosse assim, tudo se resolveria na matemática e política não é matemática.
 
Postura da bancada na Assembleia
 
– Isso vai ser discutido dentro do prazo próprio e na dinâmica do instante. Do resultado das urnas, o PSDB sai com uma bancada que já apoiou Ricardo Coutinho. Temos uma situação a ser administrada que é a de João Gonçalves, que merece nosso respeito, como acontece com o presidente da Assembleia, Ricardo Marcelo, que teve uma postura mais equidistante do pleito. 
 
Ricardo Marcelo é o candidato do PSDB à Assembleia?
 
– Não sei. Não posso falar em nome do partido. O partido vai discutir isso oportunamente, ouvindo os deputados. Eu já passei por esse tempo e não vou me envolver nesta questão. Vou tentar ajudar para que evitemos a artificialização de crises. Poderemos ter um grande pacto de governabilidade sem esses debates fulanizados e sem grandeza. A Paraíba está num estágio tão atrasado em relação a outros Estados que precisamos evoluir.
 
Eleição para o Governo em 2014
 
– Não há porque eu tendo trabalhado, me empenhado e votado em Ricardo Coutinho, antes mesmo da posse dele, estar dizendo que serei candidato a governador porque não serei. Meu pensamento é muito consistente. Ele pode estar errado, mas é consistente. Acho que a Paraíba pode ter algo que outros Estados experimentaram: períodos de paz e tranquilidade que lhes deram um bom ritmo de governo. Não há sentido deflagrarmos uma sucessão de quem quer que seja. Isso é uma loucura, essa permanente presença do embate eleitoral na vida da Paraíba tem nos trazido prejuízos enormes. Ricardo eleito tem direito à reeleição e estaremos ao lado dele na reeleição dele. Essa é uma declaração de paz, serenidade e maturidade. Vou fazer todo esforço para que Ricardo tenha muito sucesso e esteja disputando a reeleição como Eduardo Campos fez em Pernambuco e que ele se reeleja não com 53%, 54% como fez agora, mas que ele possa construir uma maioria tamanha de 82%. Será muito bom para a Paraíba. Eu vou me dedicar ao sucesso do Governo de Ricardo que será o sucesso da Paraíba. A lógica é muito clara. Espero que seja bem interpretado. Seria um desserviço ao Estado uma candidatura minha ao Governo em 2014. Eu estaria pensando somente em mim, nas minhas ambições e vaidades. Não se deve pensar dessa forma, mas de forma coletiva. Muitas pessoas podem dizer que eu represento um segmento que espera minha candidatura, mas esse segmento vai ter que evoluir. Não faz sentido colocar uma candidatura minha em 2014 sem dar oportunidade de Ricardo consolidar um projeto que tem minha colaboração. Não serei instrumento de discórdia na mão de ninguém. Tenho exata dimensão do papel que desempenhei junto de Ricardo e temos um compromisso de contribuir para o desenvolvimento da Paraíba. É instante de unir a Paraíba e quem pode fazer isso é Ricardo Coutinho.
 
Diogo Cunha Lima para prefeito de Campina Grande
 
– Vou ligar para Silvia e perguntar o que ela acha da candidatura de Diogo (risos). Ele sequer tem filiação partidária. É também uma precocidade cogitar essa possibilidade. Ele tem 26 anos. Não vou desestimula-lo, mas digo com toda sinceridade, não vou estimula-lo. Tudo a seu tempo. Se ele chegar e disser que está preparado e quer, eu não vou dizer que não tem meu apoio. Se por outro lado ele disser que prefere seguir a carreira empresarial e concluir os estudos, eu não vou dizer que ele deixe isso e vá para a política. Será uma decisão dele. Pelo que eu conheço dele, ele está muito mais atento e dedicado ao lado empresarial… é muito cedo. Minha resposta pode parecer evasiva, mas é sincera. A decisão é dele. Não vou precipitar o calendário eleitoral.
 
Correio da Paraíba
 
– Não se pode dizer que cabe apenas ao governador a responsabilidade de fazer com que a Paraíba cresça. Essa é uma tarefa de todos nós. O papel do Sistema Correio de Comunicação é relevante. Espero que Roberto Cavalcanti, que comanda o Sistema Correio de Comunicação, compreenda esse instante e ofereça também a contribuição dele para que façamos esse esforço pela unidade da Paraíba. Eu não serei obstáculo de forma nenhuma, apesar de todos os embates que tivemos num passado não tão distante. Só aí teremos a compreensão de todas as forças políticas que estão nos partidos, nos veículos de comunicação, nos sindicatos, no setor privado da economia… é preciso construir a unidade.

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